Democratizar o acesso ao Investimento de Impacto no Brasil

Plataforma de empréstimo coletivo possibilita que negócios de impacto de todo o Brasil captem investimentos diretamente de pessoas físicas

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Você sabe o que é investimento de impacto? Em 2008, quando a SITAWI foi fundada, quase ninguém sabia. Mas, hoje, o termo é mais buscado no Google do que “investimento responsável”, um conceito que nasceu há mais de 40 anos e movimenta cem vezes mais capital do que “investimento de impacto”.

Os investimentos de impacto, segundo o GIIN*, são comprometidos com intencionalidade de gerar impacto social e/ou ambiental positivo e vão gerar um retorno financeiro. A dimensão do retorno pode significar desde retorno do principal até rentabilidade de mercado. A “equação fecha” quando, para além do risco e retorno, os investidores adicionam uma terceira dimensão, o impacto.

Essa nova abordagem não condena o mundo da filantropia, na verdade, o complementa

Enquanto alguns tipos de intervenções ou causas, como advocacy para incidência em políticas públicas, vão necessitar de capital filantrópico (e tudo bem), outras, como energias renováveis, podem dar retornos de mercado. A ideia aqui é entender que diferentes problemas exigem diferentes soluções e que existem diferentes tipos de capital para atender a cada solução ou cada fase de desenvolvimento dessa solução. Ao representar essencialmente um capital retornável, sua aplicação pode ser feita por meio de diferentes instrumentos.

Os empréstimos socioambientais, instrumento no qual a SITAWI é pioneira no Brasil, são aplicáveis a organizações sociais, empresas tradicionais e, em alguns casos, até mesmo a empresas baseadas em tecnologia com alto potencial de crescimento (startups). Sua característica principal é o pagamento de parcelas em períodos predefinidos.

Já o investimento em equity visa atender, principalmente, as startups. Isso porque remunera o investidor num momento indefinido do futuro, tipicamente quando a empresa recebe nova rodada de investimento ou quando a empresa é vendida para outra organização. Essa menor liquidez e incerteza, ou risco, é recompensada por um rendimento mais alto (ao menos essa é a expectativa dos investidores quando fecham um negócio).

Atualmente, os investidores são, em sua maioria, pessoas de alto patrimônio ou grandes empresas e fundações, até porque os instrumentos para investir ainda não são acessíveis aos investidores tradicionais.

Dessa forma, a tecnologia tem um papel central na democratização do acesso aos investimentos de impacto. No Brasil, a Kria (antiga Broota) teve um papel pioneiro ao promover o conceito do equity crowdfunding. Em 2017, a SITAWI realizou o primeiro piloto de empréstimo coletivo para negócios de impacto nessa mesma plataforma. No ano passado, fomos parceiros e investidores âncora de 1ª rodada da Rede Dinheiro e Consciência, com apoio do Edital Impulse, realização da Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto. 

Com base nesse aprendizado, em parceria estratégica com o Instituto Sabin, lançamos uma plataforma de empréstimo coletivo de impacto, que possibilitará que negócios de impacto no seu sentido mais amplo (cooperativas, associações, negócios tradicionais e startups) de todo o Brasil captem investimentos diretamente de pessoas físicas que querem alinhar seus investimentos com aquilo em que acreditam. Nela, há investimentos disponíveis a partir de R$1 mil, acessíveis para investidores do “varejo”.

Esta inovação representa uma evolução de nossa atuação. De um lado, aumentamos a visibilidade e o volume de capital disponíveis para negócios que estão trabalhando para transformar a realidade em que vivemos – em áreas como saúde, educação, agricultura familiar, meio ambiente –  e do outro, reduzimos barreiras para que mais investidores possam alinhar seus investimentos ao propósito. Estamos certos de que ainda temos um longo caminho a percorrer para tornar o modelo sustentável e ainda mais acessível, mas os primeiros passos foram dados.


Para conhecer acesse emprestimocoletivo.net

* Global Impact Investing Network



A coluna desse mês foi assinada em conjunto por Leonardo Letelier e Andrea Resende

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