O valor do Cerrado

A partir de recursos nativos, a VerdeNovo Sementes, negócio de impacto brasiliense, conecta quem precisa plantar com quem precisa viver

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Este é o episódio de estreia da série “O que não te contaram sobre impacto?”, produto integrante do AupaCast – selo voltado à produção de podcasts e demais conteúdos sonoros sobre o ecossistema de impacto. Fábio Deboni, colunista e apresentador, conversou com Bárbara Pachêco, fundadora da VerdeNovo Sementes.

Se autointitulando como uma pessoa “pulsante e inquieta”, Bárbara, por intermédio da Biologia – área onde possui Graduação pela Universidade de Brasília e Mestrado pela Universidade Estadual de Montes Claros – iniciou sua jornada em restauração ecológica. “Durante os estudos, fui uma aluna (um tanto) diferente. O que me levou para um lado mais trabalhador, pois, desde o segundo semestre da Graduação, tive uma atuação ampla e variada dentro da agenda socioambiental. Nenhuma delas dentro do ambiente universitário”, comenta. Hoje, ela percebe como essas experiências trouxeram insumos para o que viria a seguir.

O negócio
Bárbara, em um exercício de síntese, faz a apresentação do seu negócio: “Um olhar atento ao Cerrado e às pessoas que nele vivem”. Em termos técnicos, a startup de impacto coleta e comercializa sementes nativas do bioma para a restauração de regiões degradadas e atividades de preservação. Localizada em Brasília (DF), a empresa disponibiliza mais de 150 espécies, entre elas Ipê-verde e Jacarandá. Além de realizar serviços de consultoria também.

“Sempre ouvi que pessoas que vivem em áreas de vegetação nativa são pobres, principalmente no Cerrado, lugar que me acolheu desde o berço. Então, ecoava em mim a pergunta: por que a Dona Maria, que mora no meio do Cerrado, tem que ser pobre ou viver em situação de vulnerabilidade?”, questiona.

O propósito da VerdeNovo é acolher essas pessoas para que vejam o valor do Cerrado e seus biomas. Ter a semente nativa como uma ferramenta para proporcionar melhorias financeiras e, principalmente, sociais na vida dessa população. “Eu que estou na cidade preciso da semente para plantar e a Dona Maria, que tá no Cerrado, precisa da semente para viver. Por que não podemos unir uma ponta à outra? Um levando vida ao outro. Vidas de formas (e contextos) diferentes, mas tudo falando sobre vida”, afirma.

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O desafio e a solução
A precarização do trabalho realizado pelos coletores de sementes é um dos desafios enfrentados pela VerdeNovo. No início do negócio, Bárbara relembra que grandes fazendeiros, em diversos âmbitos, a procuraram com ofertas de sementes. “Como e quem iria coletar essas sementes para eles? Provavelmente, um empregado da fazenda. Mas qual é a qualidade (de vida) dessa pessoa?”, alerta e complementa: “Para a VerdeNovo, essa questão virou um ponto crucial. Nossa preocupação é com quem está do outro lado, senão o nosso impacto passa a não ser genuíno. Seriam apenas números por números”.

Ter um diálogo aberto e próximo desses coletores vulnerabilizados foi a solução encontrada por Bárbara e sua equipe. “Com transparência nas nossas escolhas, conseguimos manter balanceada essa linha tênue entre o social e a empresa. O que reflete diretamente no nosso crescimento”, finaliza.

Confira o episódio completo.

Serviço
Nome da empreendedora: Bárbara Pachêco.
Negócio: VerdeNovo Sementes Nativas.
O que (o negócio) faz: fortalecimento de coletores de sementes nativas.
De onde é: Guará, Distrito Federal.
Quando começou: 2017.
Principal tema da conversa: ter “pés no chão” para desenvolver seu negócio.
Soluções buscadas: transparência nas decisões e foco no público impactado.

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