Viagem de impacto: uma semana de Alter do Chão a Porto Alegre

Numa mesma semana, Leonardo Letelier visitou os “extremos" do país com a mesma missão, mas em atividades diferentes.

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Bem, não é exatamente do Oiapoque ao Chuí, mas ainda assim são mais de 3.000km em linha reta entre uma cidade, no interior do Pará, e outra, capital do Rio Grande do Sul. Numa mesma semana, visitei esses “extremos” do país com a mesma missão, mas em atividades diferentes.

Quando fundei a SITAWI Finanças do Bem, organização que mobiliza capital para impacto social e ambiental positivo, meu tempo era dividido entre captar recursos para emprestar para organização sociais e negócios de impacto e captar organizações sociais e negócios de impacto para emprestar recursos. Pois é, não tínhamos nenhum desses dois ativos-chave para efetivar nossa proposta, mas tínhamos uma ideia.

Naquela época, me diziam que para isso dar certo, dependia mais de milagre do que de método.

Passa o vídeo 11 anos para frente e, hoje, meu dia a dia tem mais a ver com governança, imaginar novos produtos/atuações e tentar tangibilizar os valores que nos movem. Isso só é possível porque temos um número crescente de parceiros e apoiadores e uma equipe que evolui e amadurece constantemente. Ainda sou necessário para fechar algumas transações (o que me faz sentir útil) e no direcionamento geral da organização, mas estou constantemente procurando o espaço onde “sirvo” melhor à missão. 

Essa semana de caixeiro viajante aproximou dois pontos do arco da história da SITAWI: numa sexta-feira ajudava empreendedores da Amazônia a entender e (re)pensar seus demonstrativos financeiros e suas necessidades de capital; na outra, me reunia com fintech e banco parceiros para fortalecer nossa nova forma de mobilizar recursos para cooperativas, organizações e negócios de impacto socioambiental. Obviamente, em ambos os casos, contava com gente super competente da SITAWI para fazer acontecer.

Algumas coisas que todos sabemos ficaram mais evidentes nessa semana: (a) o Brasil é grande para chuchu; (b) sem equipe a coisa não anda; (c) há um delicado balanço ao exercer a liderança entre resolver os problemas e dar (ou tomar) espaço aos (ou dos) demais e (d) isso tudo vale ainda mais a pena porque há um propósito maior ao final do processo – como uma senhora no sertão da Bahia que vai fazer geleias de frutas locais de agricultura familiar, uma comunidade de extrativistas de borracha na Amazônia ou um empreendedor que ensina “robótica-com-cidadania” para crianças.

Semanas como essa trazem um misto de magia e humildade: por um lado, me conecto com pessoas fantásticas, me maravilhando com seus saberes e fazeres; por outro, acordo feliz para o trabalho na segunda de manhã – mesmo que o “conteúdo” do trabalho tenha mudado nesse período. 

Trabalho para fazer jus aos apoios que recebo, à confiança que me depositam e aos privilégios que acumulo.

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