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FEA SOCIAL: engajamento e impacto social positivo entre sociedade, mercado e academia

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Na vida empreendedora alguns obstáculos sempre aparecem, como se fossem um bicho de setes cabeças, o qual o empreendedor precisa superar. Na verdade, não é bem assim. Alguns estudos apontam que áreas como Comunicação, Finanças e Gestão são gargalos no dia a dia do “botar mão na massa”. 

Em atuação desde 2014, a consultoria da FEA Social – uma associação criada por alunos da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) – almeja resolver esse problema e promover o crescimento do setor social. A solução vem da própria faculdade, aplicando os conhecimentos adquiridos em sala de aula a fim de aumentar a eficiência operacional de organizações do terceiro setore do setor 2.5(onde ONGs e Negócios Sociais se encontram).

A consultoria funciona em quatro etapas: o diagnóstico, o planejamento, a implementação das soluçõese o acompanhamento. O negócio e seus gestores têm participação ativa e relevância na consultoria, permitindo soluções adequadas e precisas aos problemas da organização. Tudo isso é inteiramente gratuito e tem duração de aproximadamente de três meses.

Guilherme Bueno, conselheiro da FEA Social. Fonte: arquivo pessoal/LinkedIn.

As inscrições para a turma de 2020 de projetos (que desejam essa consultoria) já estão abertas. O único requisito é que a instituição tenha CNPJ – para participar do projeto – e possua sede na Grande São Paulo. “Nossa expectativa para o trabalho envolvendo ONGs e Negócios Sociais é trazer um desenvolvimento mútuo: proporcionando melhorias estruturais e administrativas para essas instituições, enquanto desenvolvemos nossos membros por meio da aplicação de conhecimentos adquiridos nos cursos de graduação ensinados pela FEA – Economia, Administração, Contabilidade e Atuária”, diz Guilherme Bueno, conselheiro da FEA Social.

“Além disso, esse ano estamos estruturando uma nova metodologia de projetos, a fim de aumentar o nosso impacto e o crescimento das ONGs e dos Negócios Sociais com os quais trabalhamos”, ele completa.

Para Bueno, a FEA Social se conectar, ao mesmo tempo, com o mundo das universidades, dos negócios e do próprio ecossistema de impacto é realizar o desejo de ser ponte e promover o crescimento do setor social, com qualidade. Tendo iniciativas bem estruturadas e fortes para que desenvolvam ações impactantes para a sociedade. “Nossos membros, como estudantes de uma das maiores universidades do Brasil, enxergam-se na responsabilidade de promover o crescimento de empreendimentos de impacto e de usar os conhecimentos adquiridos na universidade para ampliarmos o nosso impacto. E pretendemos que isso inspire a sociedade e ecoe de modo a motivar cada vez mais pessoas e fazerem a diferença”, comenta ele.

Lembrando, as inscrições estão abertas e vão até dia 4 de abril. Você pode acessar o formulário e também, ler o edital completo.

Inclusão Produtiva no Brasil: evidências para impulsionar oportunidades de trabalho e renda

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Imagem da capa de "Inclusão Produtiva no Brasil: evidências para impulsionar oportunidades de trabalho e renda". Fonte: Fundação Arymax.

O que é: “Estudo pioneiro sobre Inclusão Produtiva em nosso país. Traz um panorama completo sobre o tema no Brasil e no mundo, seus principais desafios, atores envolvidos, assim como as mais promissoras soluções e grandes tendências”.

Quem fez: Fundação Arymax, Instituto Veredas e Fundo Pranay.

Autores: Vahíd Shaikhzadeh Vahdat, Davi Mamblona Marques Romão, Danilo Severian, Pedro Gilberto Cavalcante Filho, Julia Monteath de França e Marcela Bauer.

Ano: 2019.

Clique aqui para acessar o estudo.

Práticas globais em gestão e mensuração de impacto

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O relatório “The State of Impact Measurement and Management Practice” publicado em janeiro deste ano (GIIN, 2020) apresenta um extenso conjunto de dados sobre as práticas de gestão e mensuração de impacto, que em inglês recebe a sigla IMM (Impact Measurement and Management). O estudo foi realizado com 278 investidores de impacto, em uma amostra que inclui gestores com fins de lucro (49%), gestores sem fins de lucro (18%), fundações (9%) e outras configurações organizacionais como family offices (4%), e dentro de um grupo fortemente concentrado na América do Norte (47%), com apenas 3% dos respondentes na América Latina. Além disso, a pesquisa contribui para a compreensão e o avanço desta necessária agenda. Aqui, apresento um resumo dos dados que me parecem mais relevantes no intuito de estimular o bom debate.

Entre os respondentes, vale ressaltar, a maior parte busca obter resultados financeiros alinhados com taxas de mercado (66%), sendo que o terço restante tem foco em taxas abaixo do mercado. O que é interessante é o fato de as fundações concentrarem-se neste segundo grupo, com dois terços destes respondentes buscando resultados abaixo da taxa de mercado.

A Gestão e Mensuração de Impacto (GMI) é definida por um conjunto de atividades que engloba o planejamento(construir ou atualizar a teoria de mudança e estratégia); a coleta de dados (coletar e validar dados dos investes); a análise de dados (analisar e interpretar os dados dos investees); gestão do impacto(o uso dos dados e insigths para melhorar o trabalho); e a comunicação* (reportar o impacto internamente e/ou aos stakeholders). A análise de peso orçamentário de cada uma destas atividades, realizada no estudo, indica que o esforço depositado em coleta de dados e a comunicação são os mais expressivos, com um quarto do valor orçado em GMI destinado a cada uma.

De maneira geral, o estudo indica avanços importantes em práticas de GMI em relação à sua primeira edição publicada em 2017. Destacam-se o reconhecimento de maior disponibilidade de profissionais com competências relevantes em GMI e a sofisticação de ferramentas e frameworks. Entretanto, alguns desafios ganharam mais relevância, como a necessidade de se alcançar maior transparência na performance de impacto, o que inclui ter claro os focos e os resultados, bem como a permanente fragmentação em abordagens de GMI e a importância da integração da gestão de impacto com a financeira no processo decisório. A possibilidade de comparação da performance do impacto com resultados de mercado permanece como uma severa preocupação dos investidores. Nesta direção, entre os recursos necessários para o desenvolvimento de práticas de GMI, o benchmarks de impacto foi o mais citado, seguido pela necessidade de mais ferramentas para este fim, pelos dados de impacto agrupados e por conhecer casos de melhores práticas.

No universo de GMI, os investidores utilizam estes critérios como principais para a seleção de métricas, em ordem de importância: confiabilidade, utilidade, estandardização, viabilidade, comparabilidade e precisão**. Estas métricas de impacto são selecionadas pelos próprios investidores (91%), mas também contam com alguma participação dos investees (31%)[4].A principal base para esta definição de métricas é a evidência relacionada à estratégia ou à teoria de mudança do investidor (72%), além da seleção de métricas amplamente aceitas (60%).

A maioria dos investidores utiliza mais de uma ferramenta ou um sistema em suas práticas de GMI. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são os mais mencionados (72%), sendo que a adoção desta referência quase dobrou da primeira para a segunda edição do estudo. O Catálogo de Métricas do IRIS aparece como o segundo mais utilizado (48%), o IRIS + em terceiro (38%) e as cinco dimensões do Impact Measurement Project alcançam ser referência para 33% dos investidores.

As dimensões de impacto avaliadas concentram-se claramente em outputs (91%), resultados (outcomes) que estão no radar de 78% dos investidores. 72% buscam conhecer “quem experimentou os efeitos”, enquanto que 68% tem preocupação com escala ao investigar o quanto do efeito ocorreu em termos de abrangência. Por sua vez, 43% têm foco em profundidade ou significância do efeito.

Os dados são coletados em geral por trimestre (49%), mas têm predominância de serem reportados anualmente (51%). Os dados de GMI são utilizados em todos os estágios do processo de investimento, desde a due-diligence (81%) até uma interessante parcela presente no momento de saída (36%). A relevância de reportar impacto no momento de saída é defendida pelo GIIN e pode ser conhecida em outro relevante estudo realizado – “Lasting Impact: The Need for Responsible Exits“.

Os usos dos dados concentram-se em comunicação para stakeholders (89%), conhecer a performance impacto (87%), refinar métricas (69%) e revisar expectativas de impacto (65%). Ao mesmo tempo, os dados contribuem para identificar oportunidades para oferta de assistências técnicas e construção de capacidades (53%), refinar produtos e serviços dos investes (52%) e fortalecer estratégias de mercado (46%).

Interessante observar como a GMI ganha expressão na estrutura orçamentária dos investidores. Na média, os respondentes afirmam investir 12% de seu orçamento nestas práticas, ainda que este seja um número reconhecidamente difícil de precisar em função de ser mesclada a outras atividades dos gestores.

No estímulo para que as equipes alcancem impacto, os investidores afirmam que seus times já são intrinsicamente motivados pelo próprio impacto (76%). Porém, a entrega de impacto faz parte da avaliação de colaboradores (21%). Há ainda a relação entre bônus e alcance de impacto para parte do staff (para 10% dos investidores) e a relação com bônus para todo o staff (para 7% dos respondentes). Mas é relevante observar que 43% dos investidores não têm incentivo específico para a equipe alcançar impacto.

Na relação com investes, observa-se que a motivação intrínseca com impacto é de 51% dos times, valor menor do que o apontado por investidores, o que me parece surpreendente. Para estimular o foco em impacto, os investidores indicam que o avanço deve estar em curso para que recebam o fluxo de capital (24%), mas uma amostra representativa de investidores (37%) não tem incentivos para os investes relacionados ao alcance de impactos.

Este conjunto de dados levantados pelo GIIN indica que o universo dos investimentos de impacto avança na estruturação de soluções de GMI, como a adoção de ferramentas e frameworks, a definição de responsabilidades no time para este papel, o uso de dados na tomada de decisões ou a alocação de recursos que ganham tamanhos relevantes no orçamento organizacional. Ao mesmo tempo que permanecem desafios sobre como construir maior consenso ao redor de métricas, investidores afirmam não ter dispositivos específicos para estimular a equipe interna ou os investees a alcançar impacto, aspecto que pode restringir alavancagem da uma cultura exponencialmente comprometida com impactos sociais + ambientais entre os times.

Isso é determinante para a consolidação de uma nova era de investimentos na qual o planeta e os que nele vivem importam tanto ou mais do que o retorno financeiro.

 

 

* O termo original, em inglês, é report. Aqui, ele foi traduzido como comunicação.

** Interessante observar que estes critérios têm claro alinhamento com o standards de avaliação de programas formuladas pelo Joint Committe on Standards for Educational Evaluation, que guiam muitas das práticas avaliativas em vigor

*** Esta distribuição lembra categorias de definição de métricas propostas pelo D-Lab do MIT no instrutivo paper “The Metrics Café”.

****Créditos da colagem: Murilo Mendes.

Lab NIP: aceleração para negócios de impacto na periferia

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ANIP
DJ Bola, da Anip. Fonte: site oficial da ANIP.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Apenas um grupo de 1% dos brasileiros, tem como renda a soma – de todas os rendimentos – do resto da nossa população, uma informação assustadora, porém batida dentro do território nacional. Nas periferias, o dado se converte em problemas sociais com alto grau de complexidade, como saúde, assistência social, segurança, educação, esporte e lazer.

Mas não se deixe enganar, num lugar onde há tantos “problemas” existem soluções sendo criadas, pelas próprias pessoas que vivem e lidam com esses obstáculos. Nos extremos e nas bordas das cidades, vem crescendo e multiplicando empreendedores e empreendedoras que desejam transformar essas realidades e, para isso, é preciso ter organizações que apoiam e potencializam esses projetos de mudança.

Criada em 2018, em parceria com as organizações Artemisia, FGVcenn e A Banca, a Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (anteriormente conhecida como a Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia), ou simplesmente ANIP, vem trabalhando ao lado desses negócios para sejam potências de inovação, impacto e superação. A mudança de nomenclatura marca um novo começo para a iniciativa, ampliando suas formas de atuação e de oferecer suporte aos negócios. 

“A ANIP, a partir de agora, não será somente um programa de aceleração, mas uma articuladora para destravar obstáculos e criar condições reais para o fortalecimento de quem está empreendendo para gerar impacto positivo dentro das periferias”, 

detalha DJ Bola, presidente-fundador da A Banca e um dos idealizadores da ANIP.

 

Ele também ressalta: “Acreditamos que há mais soluções do que problemas nas periferias, por isso, é preciso fomentar os negócios de impacto das quebradas com esse olhar”.

Essa mudança traz uma novidade, o Lab NIP: Negócios de Impacto da Periferia. O programa de aceleração de curto prazo, que conta com metodologia exclusiva Artemisia, irá selecionar até 30 negócios com potencial de impacto social ou ambiental que atuam nas periferias da Grande São Paulo para serem fortalecidos em uma jornada de cinco semanas. Ao final do programa, os negócios que se destacarem poderão receber até R$ 15 mil de capital semente e apoio individualizado de seis meses conduzido pela escola de negócios Empreende Aí. As inscrições estão abertas até 16 de março e podem ser feitas pelo site.

O programa procura empreendedores que estejam em busca de apoio para desenvolver o negócio e ampliar o impacto de sua solução. É necessário já ter um produto ou serviço desenvolvido, não vale só a ideia no papel. Toda metodologia do Lab NIP foi planejada – em conjunto com Maure Pessanha, da Artemisia, e Edgard Barki, da FGVcenn – para apoiar quem já está nessa jornada empreendedora e tem intenção de gerar transformações positivas.

Relembrando que as inscrições podem ser feitas até 16 de março pelo site e o anúncio dos selecionados será feito até 9 de abril. O programa roda de abril até junho, com quatro encontros presenciais, e o apoio individual concedido aos destaques acontece de julho a dezembro.

Mulheres: desafios e superações

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Como Mulher e empreendedora social, início a nossa conversa dando as boas-vindas a você, leitora, que conseguiu tirar um tempo para se informar, nestes dias corridos, os quais temos dupla, tripla jornada. Não é fácil seguir com as escolhas de sermos autônomas, de sermos dona das nossas horas de trabalho: de fazermos o nosso corre.

Não trago novidades nesta conversa, mas quero criar uma reflexão do processo que vivemos para SER. São inúmeros os desafios e as barreiras enfrentados pelas mulheres empreendedoras sociais que, em alguma medida, são as mesmas enfrentadas pelos homens empreendedores sociais. Isto não é nenhuma surpresa, pois, além dos impostos e da burocracia governamental, o que são barreiras para mulheres, também são para os homens. Porém, as semelhanças param por aí. Existem áreas onde as mulheres reportam desvantagens significativas em relação aos homens: como maior demanda de tempo em  função de compromissos e obrigações domésticas e de família, menor acesso a financiamentos, menor confiança em competência e habilidades, menos modelos femininos para seguir, pressões sociais, culturais e familiares, preconceito e discriminação de gênero. Somos campeãs em buscar soluções diárias para solucionar nossos problemas do cotidiano e, sem dúvida, temos as melhores propostas quando estamos falando em proposta social positiva. Porém, ainda temos que provar, todos os dias, que somos capazes de executar, de sermos chefes, de sermos as responsáveis pelo todo ou pela área do negócio/empreendimento.

Nossas propostas de negócios social ou de empreendedorismo tradicional sempre são compostas por uma rede de apoio ou de fornecedores que estão no, hoje chamado, desenvolvimento de base – o que para nós é apoiar as nossas e os nossos. Contemplar as atividades de outras mulheres têm sido uma crescente para que tenhamos referências de sucesso. Aqui cito algumas mulheres que estão à frente do seu tempo, discutindo os espaços públicos de poder e o sucesso. Destaco: Adriana Barbosa, CEO da Feira Preta, Michelle Fernandes, sócia-fundadora da Boutique de Krioula, e Priscila Novaes, CEO do Kitanda das Minas, um afro buffet que tem como ênfase a contratação mulheres negras e imigrantes. Ou seja, além de sermos um grupo de mulheres empoderadas, buscamos, por nossos meios, empoderar outras mulheres seja por intermédio do acesso financeiro ou por participações de tomada de poder.

A principal motivação para empreendedoras sociais de periferia é bastante diferente da motivação para empreendedores com fins lucrativos. Apesar de muitas quererem alcançar uma renda razoável e ter flexibilidade em seu trabalho para poder continuar cuidando da família ou de suas necessidades pessoais, a meta maior de todas nós é endereçar uma preocupação social, ambiental  ou beneficiar nossas comunidades.

No processo da ANIP, Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia, destaca-se o número de mulheres; de modo especial, o de mulheres negras de diferentes segmentos e prestações de serviço. Dos inscritos, somos 70%. Ou seja, o que o ecossistema tradicional não menciona e não dá visibilidade. Estamos neste processo de demonstrar o quanto que, nas periferias, esse ecossistema de negócios de impacto deve muito à presença e ao desenvolvimento operacional das mulheres. Somos ainda um número reduzido nas tecnologias digitais, mas, de modo especial, estamos em todas as áreas que precisamos de inovação por meio da tecnologia social apreendida de modo especial com as nossas avós e mães, que empreendem de forma genuína, desde sempre. Empreender é saber – um saber ancestral, de comunidade, de enfrentamento – e propostas de superação conjuntas. Como bem dizem as Meninas Mahin: “Quer ir rápido, vá sozinha. Se quer ir longe, vá em grupo”. Que possamos compreender os universos e ter a sabedoria de destacar o nosso melhor fazer.

*Créditos da colagem: Murilo Mendes.

 

Sustentabilidade no mundo dos negócios e economia regenerativa

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O termo “sustentabilidade”, muitas vezes, é deixado de lado como um conceito abstrato, carregado de jargões. Porém, os negócios têm um papel crítico na aceleração da mudança transformacional, aliada às demandas sociais, ambientais e econômicas que dizem respeito aos três pilares da sustentabilidade.

Consequentemente,no futuro, as empresas que prosperarão serão aquelas que descobrirem como aproveitar essas mudanças para atender às reais necessidades humanas – colocando a sustentabilidade no centro da estratégia de negócios.

Portanto, os compromissos socioambientais estão ganhando espaço no mundo dos negócios, simultaneamente ao fato do planeta enfrentar inúmeros desafios globais.

Hoje, muitas empresas que estão cientes do problema começam a agir incorporando o conceito de sustentabilidade como um dos pilares do trabalho. À medida que os consumidores se tornam mais instruídos, também procuram negócios que compartilhem seus valores.

Um exemplo dessa preocupação é a Fundação Ellen MacArthur que, com sede no Reino Unido, mas que também atua na América Latina, na América do Norte, na Ásia e na Europa. Esta fundação incentiva um modelo de crescimento econômico que busca a proteção do meio ambiente, seguida da prevenção da poluição e do desenvolvimento sustentável.

Inclusive, no Brasil, o  Mapa de Negócios de Impacto Social+Ambiental (2019),  realizado pela Pipe.Social – plataforma de conexões para fomentar o impacto social –, mostra os principais desafios e oportunidades para esse tipo de empreendedorismo, aqueles voltados ao negócio social. Este estudo faz um panorama da área como forma de pensar em estratégias para apoiar os diversos setores. Para este mapeamento, foram analisados 1.002 negócios das áreas de Educação, Saúde, Serviços Financeiros, Cidadania, Cidades e Tecnologias Verdes. O crescimento das tecnologias verdes se destaca em negócios que olham para a sustentabilidade, estando em 46% das áreas de impacto.

Todo esse movimento vai ao encontro do alerta publicado em novembro de 2019, na revista BioScience. O “Aviso de Emergência Climática do Cientista Mundial” foi assinado por mais de 11.000 cientistas de todo o mundo. Confira um trecho: 

“… declaramos, claramente e inequivocamente, que o planeta Terra está enfrentando uma emergência climática. (…) Atenuar e adaptar-se às mudanças climáticas, honrando a diversidade de seres humanos, implica grandes transformações nas formas como nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais.”

O alerta preocupa, mas também serve de apoio e reflexão. Para as empresas alcançarem o sucesso em suas operações e despontarem na competitividade é importante que aprimorem suas práticas de inovação voltadas à sustentabilidade. Mas como isso funciona? Com esforço, projeto e muito trabalho, e, principalmente, agregando valor à economia regenerativa nas empresas.

Economia regenerativa em ambiente corporativo

Por economia regenerativa entende-se o negócio que prioriza a renovação e a reutilização. Ela começa com o desenvolvimento pessoal, permitindo que as pessoas cooperem para criar abundância compartilhada, em vez de reforçar padrões ultrapassados de escassez competitiva. É o desejo de ter um impacto regenerativo no mundo.

O passo da sustentabilidade para a regeneração é mais do que uma mudança na terminologia simples. É uma mudança de mentalidade e visão de mundo que conduzirá a profundas transformações. 

Tais esforços estão criando projetos e trabalhos nas empresas que têm impacto positivo e oferecem oportunidades de aprendizado e inovação. A pergunta que fica é:

Os negócios verdadeiramente regenerativos são, de fato, possíveis dentro dos limites de nosso sistema econômico estruturalmente disfuncional e degenerativo?

No artigo “O mercado da economia circular”, escrito por Patricia Berardi e Joana Maia Dias, publicado na Biblioteca da Fundação Getúlio Vargas, é apontado que esse tipo de economia se apresenta como um ciclo fechado, que aumenta a eficiência do uso de recursos e reduz os níveis de poluição. Tal modelo ainda apresenta os três princípios da economia circular:

  1. Preservar e aumentar o capital natural, sendo fundamental controlar estoques finitos e equilibrar o uso de recursos renováveis.
  2. Otimizar o uso de recursos na produção, em que a ênfase se dá em circular produtos e materiais com o máximo de utilização (ciclo técnico e ciclo biológico).
  3. Fomentar a eficácia do sistema, por percepção e eliminação das externalidades negativas dos processos.

 

Como exemplo da sustentabilidade no mundo dos negócios e agindo também acerca da questão destacada estão empresas que praticam o seu comprometimento: a Mercur, fabricante de produtos voltados à  educação, sediada em Santa Cruz do Sul (RS), a Semente Negócios, que atua nodesenvolvimento de negócios inovadores, localizada em Porto Alegre (RS), e a Conexsus, uma rede que une empreendedores sociais no desenvolvimento de organizações e negócios comunitários, sediada em Belém (PA).

Quando discorremos sobre a sustentabilidade no mundo dos negócios é comum explorar a teoria, mas a prática é que fala e mostra o que está sendo feito. Por isso, esta reportagem apresenta os cases citados, de empresas que partem dessa mudança de mentalidade, tanto na estratégia do negócio quanto no próprio objetivo traçado pela corporação.

Sobre economia regenerativa e sustentabilidade: Jorge Hoelzel (Mercur), Ellen Carbonari (Semente Negócios) e Monika Roper (Conexsus).

Mercur: por um futuro mais sustentável

Há alguns anos, umas das decisões da Mercur, empresa com 95 anos de atuação, foi de parar com a produção de licenciados da Disney e de outras marcas, mesmo que estes apresentassem um bom rendimento para empresa. Jorge Hoelzel, facilitador da empresa, conta que essa decisão trouxe alguns impactos. “Para a Mercur, aconteceram impactos negativos, como a queda do faturamento e da lucratividade. Porém, mais importante do que estes, foi o impacto positivo de afirmar o posicionamento da empresa com o cuidado com as pessoas e suas relações”, conta ele.

O processo de adoção da estratégia de gestão pela sustentabilidade aconteceu gradativamente. Hoelzel defende que, para aplicar a sustentabilidade no mundo dos negócios, é “Fundamental que se possa estar com as pessoas, construir com elas o mundo que se quer viver”.

Há alguns anos, essas mudanças foram de dentro para fora da empresa, como apontou o facilitador: “Começamos diminuindo as barreiras que nos separam, como hierarquias de comando e controle, salas fechadas e reuniões secretas”. Nessa mudança, ele ressaltou ainda que “O cotidiano da Mercur é muito aberto e participativo, tanto nas ações quanto nas responsabilidades”. Para Hoelzel, a partir da experiência da empresa gaúcha,

“A sustentabilidade não é um conjunto de regras a serem cumpridas, mas, sim, um jeito de considerar a vida em tudo o que se faz”.

Já sobre a economia regenerativa, Hoelzel admite que a Mercur ainda não atua de forma efetiva, mas que “A partir da evolução dos aprendizados sobre o nosso posicionamento, nossas ações passarão a produzir impactos positivos suficientes para regenerar as cadeias de atuação onde estamos inseridos”.

Semente Negócios: educação empreendedora

Por sua vez, a atuação da Semente Negócios parte da tese de que o empreendedorismo fortalece a autonomia de pessoas e de comunidades de prática, promovendo as tecnologias presentes nos territórios. Desde 2011, a empresa trabalha com programas de desenvolvimento territorial e de impacto social e ambiental nos negócios.

Ellen Carbonari, head de impacto da Semente Negócios, comenta sobre a atuação da empresa frente à sustentabilidade no mundo dos negócios. “É importante que haja iniciativas inovadoras que estejam alinhadas a uma nova economia e uma nova relação com os recursos naturais, de modo a provocar as organizações a refletirem sobre a geração de valor compartilhado nas suas estratégias de longo prazo”, explica.

No trabalho, um mapeamento feito a partir de um processo de imersão e estrutura da organização e da sua comunidade de prática permite que sejam implementados “Programas de aceleração, inovação aberta e laboratórios de inovação social que geram os resultados esperados”, explicou a head de impacto. O resultado? Já participaram oito mil empreendedores inovadores e organizações, como Natura, Instituto Conexsus e Fundação Telefônica Vivo.

Para Carbonari, empresas que estão aquém de sua posição dentro da sustentabilidade podem encontrar dificuldades. A head de impacto da Semente Negócios alerta que:

“Uma empresa que não está atenta ao impacto que gera, encontra dificuldades de engajamento de clientes, talentos e, em breve, também de investidores”,

Desse modo, o empreendedorismo inovador só ocorre “A partir da inclusão da diversidade, do uso de tecnologias sociais e do acompanhamento de métricas para garantir que estamos indo em direção aos resultados desejados”, esclareceu Carbonari. Nesse sentido, ela explica que “A regeneração é uma tendência no consumo de orgânicos e tem como premissa curar os danos que já foram feitos à terra”. E ainda completou: “Ou seja, temos um volume de consumidores cada vez mais conscientes e exigentes. Entretanto, o verdadeiro impacto só será possível quando as indústrias e as grandes corporações aderirem à agenda produtiva sustentável. É preciso mudar a forma de produzir tanto quanto a de consumir”.

Conexsus: desenvolvimento de negócios comunitários

Desde 2016, o trabalho da Conexsus é formado por uma equipe descentralizada e dinâmica de empreendedores sociais e planejadores regionais. A equipe busca desenvolver o ecossistema dos negócios comunitários de impacto socioambiental e realiza a articulação das conexões para a evolução do setor e o fortalecimento dos seus impactos positivos.

Segundo Monika Roper, coordenadora do Desafio Conexsus, a empresa “Busca intermediar novos arranjos e desenvolver soluções inovadoras com os atores do ecossistema, que além dos negócios comunitários, abrange organizações de apoio, órgãos públicos, agentes do mercado, financiadores e investidores, bem como instituições acadêmicas e de pesquisa”. A atuação nesta frente é constituída em rede e trabalha em três pontos: modelagem de negócios, comercialização e soluções financeiras.

A Conexsus também lidera o “Movimento Negócios pela Terra”, iniciativa que busca trabalhar gargalos e desafios a partir da demanda real de empresas e indústrias nas cadeias em que os negócios comunitários estão inseridos. “O Desafio Conexsus possibilitou desenvolver um entendimento inicial destes elementos e buscar caminhos para a construção de soluções nos elos iniciais do ecossistema. Mas a ativação do conjunto de atores fundamentais para o seu desenvolvimento ainda apresentará novos desafios”, pontua Roper.

Os dados do Desafio Conexsus mostram todo o potencial acerca da iniciativa.  Do lançamento em junho até final agosto de 2019, 82 empresas dos mais variados portes manifestaram demandas por quase 300 produtos. Segundo a explicação da coordenadora, a partir do cruzamento com as bases de dados sobre os negócios comunitários, a Conexsus identificou cadeias prioritárias e iniciou o trabalho de construção de arranjos de comercialização.

Percebe-se, a partir das três experiências, o quão importante se faz hoje refletir sobre sustentabilidade nos negócios. Fica o questionamento:

Quem é que faz na prática e quem é que apenas usa o discurso para parecer sustentável?

E mais: faz parte da reflexão o quanto precisamos de empresas e pessoas que prestem atenção à qualidade da experiência humana no local de trabalho e ao impacto dos negócios no ecossistema, mas que isso seja visto na prática e não fique apenas na teoria.

Inovação e reciclagem: trabalho coletivo entre sociedade civil e negócios de impacto

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O papel da sociedade é essencial para colocar em prática soluções socioambientais. A atuação de organizações dos mais variados portes é primordial para o desenvolvimento do ecossistema. Ao mesmo tempo, o papel dos indivíduos, sobretudo aqueles que habitam territórios que demandam tais soluções para superar desigualdades e oferecer melhor qualidade de vida ao coletivo, é também motor neste processo.

A Praia do Cumbuco, em Caucaia (CE), é um exemplo dessa força entre os negócios e a sociedade. Vale lembrar que esta é uma das praias atingidas pela mancha de óleo no segundo semestre de 2019. Os moradores desta cidade podem separar e entregar papel, plástico, vidro e metal no Ecoponto. O material é recebido e gerenciado por um sistema online desenvolvido pela startup Ecolimp. A triagem e a destinação final são realizadas pela Ambrasus, que adquire o material e o repassa à indústria.

Trata-se de uma iniciativa promovida pelo Winds for Future (W4F), em parceria com a Intention Ventures, a Ambrasus, a Ecolimp e a Prefeitura Municipal de Caucaia.

Benedito Cesar, sócio da Ecolimp, afirma que o objetivo é fazer a comunidade perceber no bolso as vantagens da separação do material reciclável. “Ao invés de entregar esse material para ser recolhido pelo serviço de limpeza pública e, assim, ser destinado indevidamente a aterros sanitários, os moradores podem separar e entregar os resíduos no Ecoponto do Cumbuco e receber um bonificação por isso”, explica.

Mas a inovação vai além: os moradores podem ainda utilizar os pontos acumulados no mercado local. A fintech Moeda Seeds disponibilizou a plataforma, que associa os pontos acumulados na coleta seletiva a um cartão de débito, que pode ser utilizado em estabelecimentos comerciais de Cumbuco.

A ideia da iniciativa é tornar possivel uma economia solidária, em que parte dos ganhos obtidos pelos geradores de resíduos é destinado a projetos socioambientais. Fornecer um sistema de crédito acessível à base da pirâmide é um caminho para promover impacto social por meio da viabilização de empreendimentos economicamente sustentáveis e também fazer os recursos financeiros circularem no próprio território.

            “A comunidade é a peça-chave para o êxito da coleta seletiva. Acreditamos que, com um trabalho de educação ambiental, juntos, conseguiremos transformar a praia do Cumbuco em um dos destinos mais sustentáveis do Brasil”,

comenta Deborah Lilienfeld, diretora de sustentabilidade da W4F.

A retomada da coleta seletiva faz parte dos compromissos que visam atender alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), proposto pela Agenda 2030 da ONU.

 

Créditos da foto: Prefeitura Municipal de Caucaia.

 

Impacto essencial I

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É interessante observar que, seja pela razão, pela emoção ou pela intuição, não é muito difícil perceber, empiricamente, que enfrentamos dilemas civilizatórios e planetários de uma impressionante magnitude.

Seja qual for a ótica que queiramos olhar, tais como mudanças climáticas, desigualdades crescentes, fome, pobreza estrutural, guerras, exclusão ou afins, tudo nos faz crer que o alerta vermelho soou faz tempo. Na verdade, os tão badalados ODS são apenas uma forma organizada de sistematizar e apresentar o caos que vivemos.

Ao refletir sobre este contexto, uma pergunta curiosa pode emergir: será que estamos fazendo as perguntas certas?

Minha impressão é de que investimos tempo e energia nos efeitos, mas sem corrigir as causas. Parece que nos perdemos ao tornar complexo o que é muito simples, pois, o fato é que o mundo que observamos externamente é um mundo dos efeitos, originados por escolhas que são feitas no mundo interior, alicerçadas em crenças e valores arraigados. Mas se aceitamos essa afirmação como uma verdade, será que conseguiremos mudar algo olhando para o lugar errado? Será possível fazer diagnósticos claros e oferecer soluções efetivas se estamos examinando o sintoma e não a causa raiz? Me parece um caminho pouco promissor, ineficiente, ineficaz e propenso à elevada frustração.

Como seres humanos, muitas vezes, temos a tendência de não gostar de reconhecer o grau de responsabilidade que temos pelas consequências daquilo que vivenciamos nas nossas vidas e no mundo. Há sempre uma justificativa muito bem elaborada e refinada pela mente, que nos “protege” do choque de nos sentirmos parte do problema. Não é à toa que investimos tempo em buscar e apontar culpados ou, o que já é bem melhor, nos dedicamos a ser parte da solução.

Porque os ODS são necessários? Podemos escrever livros falando dos efeitos, mas, se formos a fundo e de forma honesta na pesquisa pelas causas, chegaremos às escolhas feitas no passado, que geraram as consequências do presente. Obviamente, para que o futuro seja diferente, o que nos interessa olhar,então,são os critérios que balizaram essas escolhas e que deram origem a estes efeitos que estão diante de nós, a cada instante do nosso dia, para não repetir o mesmo padrão. É muito simples se olhamos a partir desta perspectiva e, se refletirmos, chegaremos à conclusão de que nada mais importa, porque, de fato, caso não mudemos esses critérios obsoletos, será impossível gerar decisões que nos levarão a um novo mundo.

Vejamos algumas evidências desse padrão antiquado de realizar escolhas e tomar decisões:

Evidência 1. Para executar 100% da Agenda 2030 dos ODS, estima-se que precisamos de aproximadamente U$4 trilhões por ano, ao longo dos próximos 10 anos. Muito dinheiro? Pois hoje, no mundo, temos aproximadamente U$350 trilhões em ativos financeiros. Ou seja, precisamos de apenas 1,15% (sim, UM VÍRGULA QUINZE PORCENTO) destes ativos, ao ano, para financiar TODAS as 169 metas dos ODS! Faltam recursos? Ou os critérios que sustentam a decisão de onde colocar os recursos existentes estão errados? Ou,talvez, estejam sendo feitos pelas pessoas erradas?

Evidência 2. Inventamos os derivativos para servir ao “ter e ao acumular”, mas, em um mundo que produz aproximadamente 800 gramas de grãos por habitante por dia, não fomos capazes de inventar a solução para acabar com a fome. Falta de capacidade ou critérios de escolha e priorização errados? E,claro, tome justificativas para aplacarmos as consciências e justificarmos o injustificável. Se olharmos direitinho, de perto, reconheceremos internamente uma voz que sabe disso e que não precisa de indicador nenhum para orientar a decisão que precisa ser tomada sobre o que deve ser feito. “A Verdade tem como assinatura a simplicidade, sempre”.

Evidência 3. Diante da pergunta “o que é sucesso?”, a principal resposta tem sido “vencer (competir), produzir, acumular e ter”. Acontece que este é um jogo finito de ganha-perde. As evidências dos efeitos dessa atitude saltam aos olhos. Gerações e mais gerações foram educadas, formadas, programadas para replicarem o padrão desse paradigma. Não é de se esperar que os critérios utilizados por muitos, para as escolhas diárias, sejam os que maximizam a posição do decisor, independente das consequências sobre o outro, a sociedade, o planeta, a própria Vida. Essa é a essência do individualismo e está parasitariamente internalizada nas mentes da grande maioria das pessoas.

De fato, apesar de todos os alertas soando, parece que não queremos abrir mão do paradigma em que fomos formados, nos iludindo com narrativas que reduzem a dissonância e a dor causada pelo confronto com a dura realidade. Estamos adormecidos, entorpecidos ou apenas apegados a uma forma de viver que não serve mais, porque é catabólica, entrópica e nociva à própria existência da Vida.

Será que o que importa de verdade não é algo muito mais simples do que nossas cabeças gostam de propalar? Precisamos, urgentemente, identificar a causalidade raiz desses efeitos externos e, gostemos ou não, ela está dentro, fundamentada no nosso sistema de crenças, princípios e valores como pessoas e como sociedade. É a partir de dentro que fazemos a nossa escolha de ação no mundo.

Por isso, acredito que a maior responsabilidade individual e coletiva que temos, especialmente no setor de impacto, é alimentarmos com afinco um fórum permanente de ações focadas em transformar consciências, para que novos critérios e, com isso, novas escolhas possam ser feitas. Essa é a verdadeira alavanca da mudança. Esse é o ODS ZERO. Mudar o paradigma. Todo o nosso esforço coletivo deveria estar focado em sustentar e disseminar uma única pergunta: o que é necessário para elevar a consciência? Todo o resto, por mais “necessário” que seja, é paliativo e não resolutivo.

Aprender a fazer boas escolhas significa desenvolver a capacidade de discriminar o que verdadeiramente importa daquilo que não importa para o futuro comum que queremos. Mas é incrível como ficamos inventando muita firula, distrações e justificativas. É bem mais simples do que contamos. Um bom caminho para a mudança pode ser, seriamente, nos dedicarmos a averiguar o que nos incomoda tanto para não enxergarmos isso.

Neste contexto, falamos muito de ressignificar sucesso. O que isso quer dizer? É dar significado, sentido e propósito à nossa existência. Precisamos emergencialmente trabalhar para sermos mais, fazermos melhor e termos menos. Isso muda completamente o padrão decisório. A barreira, a verdadeira fronteira, é interna e não externa. É de consciência e não de ferramentas. Diante deste momento decisivo para a espécie humana e avida no planeta, precisamos de visionários ousados de MEIOS e não de FINS. A questão mais crítica que enfrentamos é COMO fazer essa transição mais veloz e mais intensa.

Como mencionado, “a assinatura da Verdade é a simplicidade”. Diante de cada escolha que fazemos, basta uma honesta resposta para uma única pergunta: essa escolha que farei destrói ou constrói? É entrópica ou neguentrópica? É catabólica ou anabólica? Lá no fundo do nosso Ser, no silêncio, sempre sabemos a resposta, mas precisamos querer ouvi-la e obedecê-la.

 

*Créditos da colagem: Murilo Mendes. 

GRAJAIMPACTO

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Os grafites no bairro Parque Cocaia, no distrito do Grajaú, extremo Sul de São Paulo, revelam em muros, esquinas e portões o potencial artístico da região, lar de milhares de jovens cada vez mais engajados em deixar uma marca positiva onde vivem. Dessa inquietação nascem os coletivos sociais, que abordam desde questões socioambientais e ecológicas, até arte-educação e também empreendedorismo. Sempre pautados pela parceria em prol do desenvolvimento local, esse movimento cria um terreno fértil para a implementação de negócios de impacto ou até mesmo o surgimento deles dentro da própria comunidade.
 

“A gente se nomeia como negócio de impacto social juvenil, por trazer essas linguagens artísticas que estão no momento do jovem, como o grafite, a música e o audiovisual”. É assim que Tiago Moraes Silva Santos, o Tigone, de 27 anos, define o público-alvo do Salve Selva, coletivo que desde 2011 atua no distrito do Grajaú, também no extremo Sul de São Paulo, com diversas ações, projetos e oficinas dentro de uma proposta de arte-educação. O grupo é formado por Tigone, Adriano Figueiredo, Gelson Salvador, Harry Borges e William “Mangraff”, todos artistas visuais, que se conheceram nas vivências culturais da comunidade. O coletivo foi fundado quando perceberam que podiam transformar a arte que faziam com os grafites em produtos. Tigone, que desde os seis anos ajudava os pais a confeccionarem bolsas, veio com a ideia de criar bags grafitadas.

Gif do Salve Selva. Trabalho de Adriano Figueiredo. Fonte: Instagram Salve Selva. Produção do gif: Aupa.

A decisão, tomada na época em que as ecobags eram uma novidade, foi um sucesso: “As pessoas começaram a encomendar e a curtir nosso trabalho. Ganhamos visibilidade e passamos a investir em outras coisas, como camisetas, roupas personalizadas e blusas”, relembra Tigone. 

Paralelamente, o coletivo investe muito dos seus esforços na elaboração de oficinas, vivências, projetos sociais e produção cultural, e, em 2018, resolveu abrir um estúdio para centralizar as produções artísticas, audiovisuais e musicais. Como a venda de serviços educacionais é itinerante, quando não há projetos, o coletivo funciona como um negócio de produção artística. Em todas as frentes, o intuito é de envolver a comunidade na cadeia produtiva: por exemplo, são as costureiras da região que confeccionam os produtos.

Foi a partir desse propósito de uma economia solidária que Lorena Carvalho, 27, e Bárbara Terra, 28, criaram o coletivo Rede Nóis por Nóis, que ano após ano tem evidenciado o grande potencial empreendedor da quebrada, com a organização de feiras e festivais, além de oficinas e outras atividades. A ideia começou a tomar forma em 2012, após participarem de um fórum cultural que contou com a presença de Maria Vilani, que dispensa apresentações dentro do Grajaú: poeta, professora, ativista cultural, fundadora de vários espaços artísticos no distrito e também mãe do rapper Criolo. “Foi com ela que a gente entendeu essa sacada do que é ser ‘nóis por nóis”, conta Lorena, que é articuladora cultural, produtora e mãe de uma menina. A dupla, que já possuía uma influência com os moradores do distrito e frequentemente era acionada para ajudar em diversas questões, percebeu que poderia transformar isso em um movimento maior.
 
Em 2016, nascia o coletivo, e junto com ele as feiras e festivais que se tornaram conhecidos na região. A proposta era fazer um evento para cada estação do ano, no intuito de que não se restringisse a venda de produtos e feira gastronômica, e também ajudasse a conscientizar os participantes para questões ambientais. O primeiro desses eventos, voltado para um perfil mais artístico, contou com modestos oito empreendedores. Em 2018 e 2019, o Nóis por Nóis foi responsável por organizar a feira do Festival Redbull Amaphiko, que reuniu 171 empreendedores em 20 barracas e, segundo Lorena, 80% de todos os produtos foram vendidos.
Tigone,
do Salve Selva.
Lorena Carvalho,
do Nóis por Nóis.
Maria Vilani,
poeta, ativista cultural e professora.
Lorena Carvalho e Bárbara Terra,
do Nóis por Nóis.
Arte do Salve Selva.
Mauro Neri,
Grafiteiro, artista plástico e idealizador do Imargem.
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A rede de ajuda e os impactos na comunidade 
Organizações sociais, coletivos e comércios se misturam em uma rede colaborativa que movimenta a cena cultural, gastronômica e empreendedora no Grajaú e seus arredores. A aproximação do Nóis por Nóis com a Redbull, por exemplo, aconteceu por intermédio de Leandro Sequelle, produtor independente da região e que também foi um dos curadores dos festivais. Leandro é criador da Graja Beer, que surgiu como marca em 2018 e deu origem a um bar em 2019. A proposta é trazer a cerveja artesanal para a realidade da periferia e fortalecer o ecossistema financeiro ao propor uma opção de qualidade, seguindo o lema “beba menos, beba melhor”. Situado nas proximidades da estação de metrô Interlagos, o pub do Graja Beer conta com rótulos feitos por artistas da região e também sedia eventos como o ocorrido no último dia 18 de janeiro. Na ocasião, foi realizado o lançamento de uma história em quadrinhos (Kauira Dorme), produzida por dois artistas de periferias da zona Sul (Jardim Marilda, no Grajaú, e Jardim Iporanga), com direito à roda de conversa sobre vocação na comunidade – tema abordado no enredo da HQ.
 
Um resultado expressivo da força dessa colaboração é a Unigraja, a Universidade Livre do Grajaú, que é gerida atualmente por oito coletivos: Agência Cresci, Cooperpac, Ecoativa, Graja na Cena, Imargem, Meninos da Billings, Periferia em Movimento e Salve Selva. Criada em 2018, com patrocínio da Fundação Via Varejo pelo projeto Casas Bahia na Comunidade, a universidade vai para o terceiro ano de existência, impactando positivamente a vida dos jovens do distrito.
 
Diferentemente de uma universidade tradicional, com foco no acadêmico, a Unigraja trabalha com uma metodologia de vivências educacionais artísticas e socioambientais. Oficinas de artes visuais, quadrinhos, experiências ecológicas na represa Billings, vivências de permacultura, gestão cultural e empreendedorismo são algumas das atividades oferecidas. O resultado é que os participantes se conectam com a história, as necessidades e também as riquezas do distrito, dono de um centro cultural, uma represa, parques municipal e estadual, e até uma ilha (Bororé). Ao entender o potencial da quebrada e saírem capacitados pelas formações oferecidas, os jovens terminam a participação com a possibilidade de buscar um caminho de protagonismo dentro do próprio distrito.
Atividade da UNIGRAJA. Fonte: unigraja.com.
Da expansão demográfica ao “Grajauex” 
Pertencente à subprefeitura da Capela do Socorro e mais populoso dentre os 96 distritos de São Paulo, com 360 mil habitantes segundo dados do IBGE de 2010 (e estimativas populares de mais de 500 mil atualmente), o Grajaú surgiu entre as décadas de 1950 e 1960. Naquela época, a capital – assim como todo o estado – passava por um grande processo de expansão industrial e, em apenas duas décadas, de 1960 a 1980, a região da Capela do Socorro passou de 30 mil habitantes a mais de 260 mil. O crescimento desenfreado, causado por diversos fatores como a proximidade com o polo industrial de Santo Amaro, a falta de políticas habitacionais e a pouca fiscalização, contou com o surgimento de vários loteamentos clandestinos e favelas – dados da Prefeitura estimam 220 favelas na região.
 
A dificuldade na relação do distrito com o poder público motivou a criação de associações de bairro e movimentos reivindicativos nas décadas de 1970 e 1980, nas lutas por direitos básicos como água, transporte, regularização de terrenos e habitações. A luta por melhorias e também por mais segurança persiste até os dias atuais, porém é crescente o número de iniciativas e coletivos voltados para o potencial artístico da região.
 
Criado em 2006, o coletivo Imargem se tornou grande referência nessa questão, através de intervenções artísticas que buscam instigar um olhar voltado para a arte, meio ambiente e questionamentos sociais. Para Mauro Neri, 39, grafiteiro, artista plástico e idealizador do Imargem, a característica peninsular do Grajaú, que fica entre as represas Billings e Guarapiranga, afastou um pouco o distrito do diálogo com o centro, mas ajudou os bairros a criarem uma identidade própria. Mauro afirma que esse movimento ativo, empreendedor, artístico e social sempre existiu na comunidade, mas que a internet, as redes sociais e principalmente o sucesso do rapper Criolo trouxeram mais atenção à região.
 
Tigone – que também é músico e membro do Graja Groove – concorda que isso mudou a autoestima do distrito: “Antigamente as pessoas tinham vergonha, eram do Grajaú e falavam que moravam em Interlagos. Tinham receio de que não iriam ser contratadas. Agora já vi gente de Interlagos dizendo que é do Grajaú”. Criolo, que não esconde a questão da segurança no distrito no refrão de “Grajauex” – “The Grajauex, duas laje é triplex, no morro os moleques, o vapor”, frase seguida do som de uma arma sendo engatilhada – diz na mesma música diz que a “zona Sul é um universo”. E, de fato, são mais de 90 bairros só no distrito, cada um com suas próprias particularidades e potências.

O impacto se faz presente. E os negócios?  
Na avaliação de Lorena, o Nóis por Nóis é um negócio de impacto em formação. Se no início ela e Bárbara tiravam do próprio bolso para fazer acontecer, atualmente o coletivo está em franco desenvolvimento. Em agosto de 2019, elas e outros cinco coletivos de outras periferias da cidade venceram o edital do projeto Elas Periféricas, da Fundação Tide Setúbal, e receberam investimento para expandirem suas atividades. A partir desse aporte, elas pretendem desenvolver a área de comunicação (o ComSoma) e a produção audiovisual do grupo. A ideia é não se restringir a organizar feiras e criar um espaço de diálogo para ouvir o que os empreendedores, artistas e pessoas influentes da região têm a dizer, para que possam continuar a somar na vida de quem está participando. As redes sociais do grupo também devem ganhar uma atenção especial com mais vídeos próprios e postagens.
 
A compreensão do funcionamento de um negócio de impacto veio após a participação no programa AMEI (Aceleração de Mulheres Empreendedoras de Impacto), realizado pelo Empreende Aí e Yunus Negócios Sociais. Planejamento estratégico, gestão financeira, e uma busca maior por parcerias foram aprendizados que Lorena já começou a aplicar no fim do ano passado, quando fechou a primera parceria com o Sesc Interlagos para sediar um evento do ComSoma. Para esse ano, o foco será no planejamento estratégico. “Esse primeiro semestre vamos continuar com as oficinas, com uma pegada voltada para estações do ano – verão sustentável, por exemplo. E vamos fazer um festival só esse ano. Antigamente, fazíamos quatro, mas vamos diminuir para poder trabalhar com parcerias para as feiras, como Sesc, casas culturais, e levar o trabalho também para outras periferias”, explica Lorena.
 
Para Tigone, o Salve Selva é um negócio “autossustentável resistente”, ainda que não possui indicadores para medir o impacto. O coletivo também busca expandir suas atividades para outros centros e investirá em uma kombi itinerante e um estúdio de tatuagem. Sobre a importância em pensar o trabalho do coletivo também como um negócio, Tigone relata que tiveram que superar uma desconfiança inicial. “A gente via esses processos de aceleração, startups, como algo muito competitivo”. Porém, após boas experiências e perceber que poderiam manter a mentalidade de parcerias ao mesmo tempo em que empreendiam, o grupo entendeu que poderia seguir nesse caminho sem perder a essência. “Tem que guardar nota, fazer planilha, conversar com parceiros, sair da caixinha”, conta Tigone, que também valoriza a importância de trocar experiências com quem está a mais tempo nessa caminhada: “O DJ Bola mesmo foi uma pessoa que passou muito conhecimento pra gente”.
 
 
Terreno fértil
Se os negócios de impacto ainda parecem dar seus primeiros passos mais firmes no Grajaú, o movimento conjunto de coletivos, associações e também pequenos empreendimentos em prol do desenvolvimento do distrito formam um terreno cada vez mais fértil para esse tipo de empreitada.
 
Só que, para isso acontecer, o diálogo com a comunidade precisa ser estreitado e a história e a identidade da região, respeitadas. “Já tivemos muita promessa, muitas pessoas que pegaram dados e nada. Há muitos anos isso acontece com a periferia”, relata Tigone, que emenda que não adianta olharem para a região apenas com interesse comercial, pois

“Se não vier para aprender, entender que as coisas funcionam a partir de demandas, aí não há impacto nenhum”.

Oncologia pediátrica: os impactos que podem ser amenizados com diagnóstico precoce

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Pietro Alves da Conceição e sua mãe Patrícia de Carvalho Alves. Crédito da foto: divulgação/ Instituto Ronald McDonald.

Quando o assunto é câncer, é comum associá-lo a adultos. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), esta é a doença que mais mata entre crianças e adolescentes (entre 0 e 19 anos). A cada hora há um novo caso da doença neste público. A estimativa para 2020 é de 8.460 novos casos, ainda segundo o INCA. Não por acaso, fevereiro é um mês de conscientização e informação sobre a doença: nele há os dias Mundial do Câncer (4) e Internacional da Luta contra o Câncer na Infância (15).

A atuação de organizações e o surgimento de novos negócios que possam prestar serviços e assistências aos pacientes oncológicos e suas famílias estão dentro das premissas que se espera das soluções socioambientais. E a própria Constituição Federal assegura a saúde, por um todo, enquanto um direito de todos, além de ser dever do Estado, “Garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (Art. 196). Para saber mais sobre os direitos do cidadão acerca da saúde na Constituição Federal, leia aqui.

O Instituto Ronald McDonald (IRM) atua há mais de 20 anos para aproximar famílias da cura do câncer infanto-juvenil para, assim, aumentar as chances de cura da doença. O objetivo é aproximar os patamares dos países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) bem alto, que ultrapassam 85% das chances de cura. Hoje, no Brasil, este número gira em torno de 64%.  Para tanto, a organização investe no Programa Diagnóstico Precoce, para que crianças e jovens possam chegar ao hospital ainda na fase inicial da doença, de modo a diminuir os custos para o tratamento e aumentar as chances de cura.

O Programa Diagnóstico Precoce foi implementado em 2008 e já alcançou 204 municípios brasileiros. São 26 mil profissionais de saúde capacitados e 10 milhões de pessoas impactadas indiretamente por intermédio de 93 projetos executados.

E a sociedade civil também pode contribuir. “Para que possamos avançar é fundamental divulgar, cada vez mais,a causa da oncologia pediátrica”,

explica Francisco Neves, Superintendente do Instituto Ronald McDonald.

“É possível fazer parcerias e doações de pessoas físicas e jurídicas através de sites, aplicativos e apoio a eventos”, completa.

O Instituto ainda atua em outros programas para promover a estruturação de hospitais especializados, a hospedagem para as famílias que residem longe dos hospitais e também a capacitação de profissionais de saúde para realizarem o diagnóstico precoce. “Incentivamos a adesão a protocolos clínicos de tratamento, além de promover a disseminação de conhecimento sobre a causa. Identificar precocemente o câncer infanto-juvenil é determinante para que o tratamento tenha mais chances de apresentar resultados positivos”, comenta Neves.

Os tumores em crianças e adolescentes são diferentes daqueles presentes em adultos. E há outras particularidades, segundo o INCA: por exemplo, os fatores de risco relacionados ao estilo de vida (como o tabagismo) não influenciam o risco de uma criança desenvolver câncer. “Além do tipo de tumor, o desenvolvimento do câncer depende muito da evolução do comportamento clínico, como ele evolui no paciente e a localização primária também”, explica a pediatra de emergência Mariana de Araújo Patrocínio.

De uma maneira geral, na escala de cânceres, são mais comuns na infância e na adolescência as leucemias, os linfomas e os tumores de sistema nervoso central. Contudo, a pediatra alerta: “Os sintomas, na verdade, são muito inespecíficos e essa é a maior dificuldade no diagnóstico, já que os sinais podem se assemelhar a outras doenças comuns na infância”. Dentre os sintomas que demandam atenção estão: prostração, aparência de fadiga, alteração na marcha ao se locomover, além de qualquer tipo de alteração no comportamento. Por isso é importante o acompanhamento de um médico pediatra de ambulatório desde os primeiros dias de vida, com a frequência variando de acordo com a faixa etária. É a partir da avaliação deste médico, que pode demandar solicitação de exames, que o paciente pode ser encaminhado a um centro de oncologia ou para um especialista, que é o oncologista e hematologista pediátrico.

O hospital público (Sistema Único de Saúde – SUS) e a especialização de Saúde da Família são de extrema relevância para o diagnóstico e o tratamento do câncer infanto-juvenil. O médico especialista em Saúde da Família conhece o histórico inteiro da criança e de sua família, assim como a história social destas pessoas. “Tanto o médico de ambulatório quanto o médico da família são de suma importância, pois são a base da investigação. São eles quem primeiro tem o contato com estes pacientes, acerca da primeira suspeição da criança ou do adolescente com câncer”, enfatiza Patrocínio. Vale ressaltar que tanto os aportes financeiros quanto emocionais são essenciais para a família do paciente com câncer, sobretudo quando este paciente é uma criança ou um jovem. “Muitos pais precisam deixar seus empregos para que o filho possa realizar o tratamento. Por isso que programas que amparem as famílias são importantes. Afinal, é uma situação que desestabiliza e desestrutura a família toda e que requer atenção e amparo”, completa a pediatra.

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