Home Blog Página 40

A filantropia isolada

0

A filantropia brasileira praticada por fundações e institutos empresariais e eventuais organizações familiares dedica-se aos muros. Financiadores operam os seus próprios projetos, na sua agenda particular com ânsias de equacionar problemas enormes que demandam força hercúlea.

Ainda que trabalhando em áreas correlatas e enfrentando desafios comuns, sendo o caso da melhora da educação pública o mais óbvio, as iniciativas articuladas em ações colaborativas são ainda raras. A abordagem de “impacto coletivo” ainda não se instalou. Sugerida há quase uma década em artigo da Stanford Social Innovation Review [1], esta ideia de mudança a partir das muitas mãos vai além das clássicas parcerias e se ancora em cinco frentes teórico-práticas: a construção de agendas comuns, a comunicação constante, o alinhamento entre as métricas, o desenvolvimento de atividades coordenadas que ganham exponencialidade quando coordenadas, e uma necessária estrutura de recursos e equipes. Seus princípios são lastrados na Teoria da Complexidade e nas inquietações de Mudanças Sistêmicas.

Assumir a abordagem sistêmica é reconhecer a vida contemporânea nesta era VUCA: vulnerável, complexa, ambígua e incerta.

É navegar em ambiente onde a nossa capacidade de controle diminui, a incerteza aumenta, a objetividade fica turva, premissas estas ainda distantes da nossa razão diligente que decide e orienta sobre projetos a receber recursos para gerar algum resultado. Mas se os problemas são complexos, a abordagem para equacioná-los deve – imperativamente – também o ser.

Ao lidar com a complexidade reconhecemos que o sistema é composto de partes interconectadas, sendo sua posição e seu grau de conexão com outros elementos o fator principal de sua capacidade de influenciar a dinâmica do todo. Padrões de comportamento podem ser observados em cada tecido, mas sistemas complexos precisam ser decifrados com calma e por muitos olhares, o que convoca à necessidade de um coletivo (idealmente diverso) para compreendê-lo, bem como pede paciência para investimentos que recebe com a ambição de mudar seu comportamento ou padrões.

Transformações em princípios e premissas que regem o modus operandi de um sistema não ocorrem no curto prazo e assim, os períodos tradicionais de financiamento de projetos a fundo perdido, na casa de dois a três anos, são aromas a trazer apenas frescor aos problemas complexos. O “capital paciente”, reconhecido no glossário de negócios de impacto social, deve ganhar mais protagonismo na cena filantrópica para alcançarmos soluções duradouras. Uma mudança de sistema – por sinal – relaciona-se essas três dimensões: os modelos mentais ou paradigmas, a dinâmica de relações / poder e os padrões ou estruturas que determinam as suas formas de operar ou fluxos.

A opção pela colaboração no Impacto Coletivo segue, infelizmente, mais próxima das experiências estrangeiras. Mas os desafios sociais e ambientais exigem uma nova postura da Filantropia Brasileira. O presente já é complexo e os desafios crescem de maneira exponencial. O convite que aqui fazemos é para ser assumido imediatamente. Para avançar vale consultar a boa literatura e casos que exploram este tema. E vamos nos lançar nesta jornada incerta a fazer o máximo que nos for possível para transformar este mundo, vasto mundo.

[1] Kania, J. e Kramer, M. Collective Impact. Stanford Social Innovation Review, 2011. Acessível em https://ssir.org/articles/entry/collective_impactincipais

 


Daniel Brandão é fundador e diretor executivo da Move Social, uma empresa B que pretende “mudar organizações para que mudem o mundo”. E o novo colunista da Aupa

daniel@move.social

 

 

 

BioEmpreendedorismo como alicerce de um novo marco civilizatório

0

 

Todo empreendedor deseja transformar a realidade e cocriar o futuro. O que diferencia um empreendedor social de um empreendedor tradicional são as suas motivações, assim como a dimensão e a amplitude da realidade que desejam transformar. O primeiro tem como centralidade do seu modelo de negócios gerar soluções para grandes problemas que afligem a humanidade e o planeta, tais como a pobreza, a fome, o acesso à saúde, educação, enfim, a uma vida mais digna em um planeta mais sustentável. A grande maioria das vezes, não só cria um produto ou serviço como também estrutura mercados para atender necessidades reais. O segundo foca o seu modelo de negócios para capturar boas oportunidades de mercado e trata o impacto social e ambiental como externalidades, sejam positivas ou negativas. A grande maioria das vezes, desenvolve produtos e serviços que criam necessidades em mercados existentes e estruturados.

Minha observação empírica sobre esses dois perfis de empreendedores me leva a crer que há um racional e uma mecânica que norteiam as respectivas formas de escolher e decidir os respectivos caminhos dos seus negócios, cada uma alicerçada nas crenças e percepções sobre até onde vai a sua responsabilidade como ator social. Empreendedores sociais olham para o mundo com a noção de que seus atos influenciam ecossistemas sociais, ambientais e econômicos e que são protagonistas integrais do futuro que emerge. Para estes, as escolhas do negócio, inclusive as econômicas, são tomadas colocando em um mesmo patamar (quando não são efetivamente subordinadas) os aspectos de impactos sociais e ambientais. Empreendedores tradicionais olham para o mundo de forma mais reducionista e apoiados em uma filosofia mais individualista, sendo os problemas sociais normalmente de responsabilidade dos governos, das ONGs, dos atores outros. Para estes, as escolhas do negócio são orientadas pela dinâmica da maior rentabilidade.

Me pergunto se é possível evoluirmos como espécie e sociedade enquanto não formos capazes de compreender, com uma visão sistêmica, que não há intervenção na realidade e cocriacão de futuro sem impacto e que, quando estes não são considerados como variáveis da equação que definem o futuro, normalmente o resultado coletivo não é bom.

Haja visto a necessidade de hoje precisarmos de uma agenda global com Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, como pauta prioritária para a sobrevivência do planeta e das sociedades. É um fato facilmente comprovado com evidências que somos interdependentes e não independentes.

Mas se assim é, será mesmo verdadeira a premissa que embasa a filosofia individualista, de que o ótimo local / individual leva ao ótimo global / coletivo? As evidências oferecidas pelos indicadores sociais, econômicos e ambientais dos nossos últimos 40 anos parecem contradizer essa hipótese. Ainda assim, o que vemos hoje na maior parte das universidades que tratam de negócios é a repetição do mantra da maximização do lucro como principal objetivo de uma empresa existir. Jovens sendo doutrinados por um pensamento que já não sobrevive à análise dos impactos das suas próprias práticas, qualquer que seja a ótica que se deseje observar.

Urge ressignificarmos o que é sucesso em nossa sociedade, tanto individual, como familiar, econômico, social e ambiental. Urge criarmos infraestrutura e mecanismos que desafiem a reprodução de padrões carcomidos e alicerçados em narrativas fracas, posto que não subsistem a uma avaliação que se paute em verdadeira honestidade intelectual. Urge criarmos condições para que jovens e novos empreendedores abracem a causa do impacto como a essência dos novos negócios. Urge fazermos um exame de consciência sobre como encaramos a nossa responsabilidade por um futuro comum.

Toda ação humana deveria estar subordinada a condição de criar as condições para a perpetuidade da vida planetária. Isso significa estar subordinado a atender as condições para que cada ser humano possa ter acesso a condições de realizar o seu potencial humano, mas também que isso seja feito de forma a não comprometer a existência das espécies vivas e as futuras gerações. No campo dos negócios, esse BIOEMPREENDEDORISMO, redefine as escolhas, pauta as decisões, ressignifica sucesso, constrói pontes e busca complementaridade e sinergias na diversidade.

Enquanto não encararmos as barreiras internas das crenças que nos impedem de redefinir esse novo pacto civilizatório, ético e político, viveremos apagando os incêndios causados pelo paradigma que tem no lucro máximo o seu santo graal.

“Eu Apoio” (ep.5) ICE

0

O Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) é um dos principais articuladores do ecossistema de impacto. Sua atuação foca em líderes transformadores e empreendedores que atuam no desenvolvimento de iniciativas que visam mudanças para a base da pirâmide social. Ou seja, lideranças que possam protagonizar transformações e levar impacto positivo à população de baixa renda, a partir da inovação social e assim contribuir para a diminuição da pobreza e da desigualdade social.

A proposta do ICE é reunir empresários e investidores em iniciativas de inovação social e construir relacionamentos com base em capital filantrópico, de fundações e de investimentos corporativos. Frente ao dinamismo do setor e do seu compromisso com o campo social, o Instituto também começou a atuar e ter destaque dentro do ecossistema de impacto. Sua missão atende às seguintes premissas: a) articulação e engajamento de líderes transformadores, b) trabalho essencialmente colaborativo e cooperativo e c) produção, sistematização e disseminação de conhecimento.

Para que estes objetivos sejam atendidos, são oferecidos programas, como a Academia ICE, a Chamada ICE BID, Incubação e Aceleração de Impacto e a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto (antiga Força-Tarefa de Finanças Sociais). Além disso, há também o apoio a organizações estratégicas do ecossistema e a organização do Fórum Brasileiro de Finanças Sociais e Negócios de Impacto.

A Academia ICE, para detalher um dos programas do Instituto, é uma rede de professores atuantes no ensino superior de todo o país. Tais docentes atuam na produção de conhecimento em temas como empreendedorismo social, investimentos e negócios de impacto e inovação social. O material é, então, disponibilizado a pesquisadores, docentes, discentes e comunidade em geral.

Outro projeto é a Chamada ICE. Em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimentos (BID), por intermédio do Fundo Multilateral de Investimento (Fumin), tem como objetivo o suporte a negócios de impacto. Para isso, a parceria disponibilizou 3 milhões de reais para apoiar iniciativas em fase inicial e fortalecer incubadoras e aceleradoras de negócios de impacto. Já a Incubação e Aceleração de Impacto trata da parceria do ICE com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A missão da iniciativa é aumentar o número de negócios de impacto qualificados e escaláveis prontos para receber investimentos, consolidando a atuação de aceleradoras e incubadoras.

A Aliança, por sua vez, surgiu em 2013, a partir de um grupo de vinte organizações do ecossistema de impacto atuantes na temática finanças sociais. Ela trata da identificação, conexão e apoio a organizações e temas estratégicos para o fortalecimento do campo de finanças sociais e ecossistema de impacto no Brasil. Iniciativas e diálogos para unir as duas pontas do ecossistema de impacto e diminuir as desigualdades.

FICHA

Fundado em: 1999.

Quem apoia: negócios de impacto social, além de empresários, investidores, aceleradoras e incubadoras que dão suporte a esses negócios.

Quem é o apoiador: o ICE tem como parceiros Lew’Lara/TBWA, Fundação Telefônica, Itaú, Anprotec, BID Lab e Sebrae.

Serviços e produtos: articula líderes no fomento de inovações sociais, a fim de diminuir desigualdades. Para tanto, baseia-se em programas, como a Academia ICE, a Chamada ICE BID, Incubação e Aceleração de Impacto e a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto (antiga Força-Tarefa de Finanças Sociais). Além disso, há o apoio a organizações estratégicas do ecossistema e o Fórum Brasileiro de Finanças Sociais e Negócios de Impacto.

Contato: ice.org.br

Veja a série completa com os 5 episódios da série aqui

“Eu Apoio” (ep. 4) SITAWI

0

A SITAWI – Finanças do Bem – é um dos principais articuladores que apoiam negócios com propósito social no Brasil. Além de se constituir como pessoa jurídica tradicional, também é uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip). A empresa possui certificação B e é considerada pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras para impacto social. Uma das expertises da organização é analisar a performance socioambiental de empresas e instituições financeiras. Sua missão é direta: mobilizar capital para impacto socioambiental positivo.

Com onze anos de atuação, a SITAWI está sediada em São Paulo e conta com escritórios no Rio de Janeiro (RJ) e em Carauari (AM). Em junho de 2019, em parceria com o Instituto Sabin, a SITAWI lançou a Plataforma de Empréstimo Coletivo com o objetivo de possibilitar que pessoas físicas e jurídicas invistam diretamente em negócios de impacto socioambiental, de modo a trazer mais recursos ao ecossistema bem como fomentar mais iniciativas que geram transformações. Na plataforma da SITAWI, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis da Organização das Nações Unidas são destacados na apresentação de cada uma das iniciativas. Com investimentos a partir de mil reais, com juros que pagarão 1% ao mês, a operação é feita pelo modelo P2P lending, com a CapRate. Dentre as empresas selecionadas para participar da primeira Rodada de Empréstimo Coletivo há a CoopSertão – Cooperativa Ser do Sertão (BA), a Orgânicos In Box (RJ), Stattus4 (SP), Inteceleri (PA) e a UPSaúde (RN).

Por intermédio do apoio de empréstimos socioambientais, a SITAWI apoia e beneficia uma série de projetos. Dentre eles destacam-se o Centro de Integração de Educação e Saúde (Cies), o Instituto Peabiru, a Inocas, a Feira Preta, o Instituto Alpha Lumen e a Inova Urbis. Dessa articulação, a SITAWI também teve seus esforços reconhecidos ao longo da última década. Figurou entre as cem melhores empresas do país em 2017 e em 2018, segundo o Instituto Doar e, além disso, está posicionada como a sexta organização social mais influente do Brasil e a oitava na América Latina pelo ranking TOP 500 NGOs da NGO Advisor. Em 2011, segundo o Beyond Banking, ainda foi considerada o melhor agente de investimento social responsável da América Latina.

 

FICHA

Fundado em: 2008.

Quem apoia: empresas e instituições financeiras voltadas ao ecossistema de impacto e aos negócios com propósito social.

Quem é o apoiador: a SITAWI tem como parcerias e alianças diversas iniciativas como a coordenação do Grupo de Trabalho de Financiamento Climático do Observatório Latino-americano para Ação Climática (GFLAC). É também signatária do CDP (Disclosure Insight Action) e do PRI (Principles for Responsible Investment – Princípios para Investimento Responsável), além de fazer parte da diretoria executiva da Força-Tarefa de Finanças Sociais no Brasil, ao lado do Instituto de Cidadania Empresarial, entre 2015 e 2017. Também é integrante da rede global Aspen Network of Development Entrepreneurs, contribui para a base de dados dos indicadores Iris (Impact Reporting & Investment Standards), é associada do Gife (Grupos de Institutos, Fundações e Empresas) e parceira no desenvolvimento do Ecossistema de SIBs no Brasil, por intermédio do SIBHub BR, com colaboração do Instituto Sabin.

Serviços e produtos: mecanismo financeiros, gestão de fundos filantrópicos e rotativos, contratos de impacto social, coordenação de programas territoriais, consultoria em finanças sustentáveis e pesquisa e avaliação ASG (Ambiental, Social e de Governança).

Veja todos episódios

Contato: www.sitawi.net.

“Eu Apoio” (ep. 3) PHOMENTA

0

Empreender, acelerar e pensar muito além da filantropia. A Phomenta é um negócio social que trabalha com certificação e aceleração de ONGs. Fundada em maio de 2015, em Campinas (SP), por Lorhan Caproni e Izadora Mattiello, a empresa traz como missão o apoio a organizações sociais transparentes e consolidadas a partir de ferramentas de gestão e inovação.

A trajetória da empresa começou com o propósito de ser uma ponte entre investidores sociais e ONGs. Em 2016, a Phomenta passou a ser membro da Rede Global de Pro Bono, movimento global de apoio às organizações que necessitam de algum serviço específico e que não podem pagar por ele. A empresa foi indicada pela Fundação BMW para fazer parte da rede e, após participar de summit em Cingapura, passou a ser uma das representantes na América Latina. Tendo em vista que a gestão é um dos problemas das Organizações da Sociedade Civil (OSC), o posicionamento da Phomenta trata justamente de potencializar a gestão e a profissionalização das OSC. Ainda em 2016, a empresa realizou sua primeira turma de aceleração social.

Em 2017, houve o lançamento de novos programas, como o Pro Bono corporativo, devido às demandas mais complexas vindas das OSC e a assessoria filantrópica com famílias e institutos. Em 2018, a Phomenta filiou-se e passou a ser a primeira instituição brasileira a ser membra do International Committee on Fundraising Organizations (ICFO). Foi, assim, a primeira instituição nacional para avaliação de Transparência e Boas Práticas do terceiro setor, que diz respeito as ONGs. Desse modo, a partir de sua avaliação, a empresa tem como objetivo dar confiança a doadores em organizações sociais idôneas e transparentes. Em 2018, criou ainda o Clube de Investidores.

A Phomenta cobra uma taxa de 10% sobre os investimentos que administra e já impactou mais de 20 mil pessoas desde sua fundação. Para fazer parte da rede Phomenta são avaliados princípios como gestão e governança, potencial de impacto social, informação pública, responsabilidade financeira e sustentabilidade. Dentre os ganhos, as empresas obtêm mais visibilidade com a certificação, além de benefícios com parceiros, crescimento via networking e participação nos programas de aceleração social.

FICHA

Fundado em: 2015.

Quem apoia: ONGs certificadas: Instituto de Ação Social pela Música (Neojiba), Associação Amigos do Guri, Centro Cultural Louis Braille de Campinas, Adote um Gatinho etc.

Quem é o apoiador: no programa de Aceleração Corporativa há clientes como Johnson & Johnson, Coca-Cola, Vale, Instituto Sabin e CPFL Energia.

Serviços e produtos: certificação de ONGs, aceleração social, aceleração corporativa e clube de doadores (assessoria para filantropia familiar e corporativa).

Contato: phomenta.com.br

Como a legislação e as compras públicas podem ajudar os negócios de impacto

0

 

As contratações governamentais movimentam no Brasil recursos em cerca de 10 a 15% do produto interno bruto (PIB). Por se tratar de montantes tão relevantes, desembolsados todos os anos pelos governos federal, municipal e estadual, as contratações públicas podem e devem ser utilizadas como instrumentos de implementação de políticas públicas, com a finalidade de  melhorar aspectos sócio-ambientais. As decisões de compras públicas devem considerar um contexto mais amplo, abrangendo questões sociais, econômicas, e ambientais, que formam o tripé da sustentabilidade.

A Lei nº 8.666/1993, que regulamenta as licitações públicas, após alterações introduzidas no seu artigo 3º pela Lei nº 12.349/2010, incluiu como um dos princípios a serem observados na licitação o desenvolvimento nacional sustentável.

No Decreto nº 7.746/2012 foram estabelecidos os critérios que devem constar nos instrumentos convocatórios, como especificação técnica ou como obrigação da contratada, para a promoção do desenvolvimento sustentável nas compras públicas federais: baixo impacto sobre os recursos naturais, preferência pelo consumo local, melhor utilização de recursos naturais, maior geração de emprego com mão de obra local, maior vida útil e menor custo de manutenção dos bens, uso de inovações, origem sustentável de recursos e utilização de produtos florestais originários de floresta sustentável e reflorestamento.

Porém, no painel de compras públicas governamentais, verificamos que a quantidade de compras sustentáveis ainda é irrisória, representando apenas cerca de 1% do total das compras governamentais.

Sendo assim, a modificação que foi feita na legislação para incluir o critério de sustentabilidade não foi suficiente para incrementar as compras públicas sustentáveis e gerar as mudanças de políticas públicas necessárias.

É necessária uma nova mudança na legislação para que as compras públicas possam efetivamente servir como um instrumento de política pública, considerando-se as especificidades das empresas que oferecem produtos sustentáveis. Além disso, a legislação deve considerar critérios de triplo impacto (econômico, ambiental e social) e não somente de sustentabilidade, que ficaram limitados aos recursos naturais e a geração de emprego.

Temos um ótimo exemplo da cidade de Mendoza, na Argentina, que criou uma norma (Ordenanza nº 3.946 de  03.07.2018) para incluir o critério do tripé da sustentabilidade nas compras públicas. As empresas que, além de perseguir o lucro, também incorporam finalidade sociais e ambientais no seu modelo de negócios e nas suas atividades empresariais, citando como exemplo as empresas B, desde que tenham algum tipo de certificação que ateste que são empresas de triplo impacto, terão prioridade no momento da contratação na medida em que seus preços sejam até 3% maiores do que de outras empresas não certificadas e esse percentual será de 5% se se tratar de uma Micro, Pequena e Média Empresa.

Com o crescimento cada vez maior do número de negócios de impacto no Brasil, esta seria uma ótima oportunidade de fomentar o setor e gerar um impacto relevante na sociedade por meio dos recursos destinados às compras públicas.

Dentro da ENIMPACTO este é um assunto que está sendo priorizado, com o objetivo de modernização das leis de compras públicas, para a inclusão dos critérios de inovação e impacto.

“Eu Apoio”(ep. 2) DIN4MO

0

Fortalecer negócios de impacto. Esta é a principal ação desempenhada pela Din4mo, empresa fundada em 2014 pelos empreendedores Marco Gorini, Haroldo Torres e Marcel Fukayama. Seu objetivo é fortalecer empreendedores e estruturar soluções para financiar negócios que gerem impacto socioambiental positivo.

Reconhecida como um agente forte no ecossistema de impacto, a Din4mo faz parte do seleto grupo de empresas com certificação B, o que destaca seu compromisso com negócios que lucram ao mesmo tempo que impactam positivamente a sociedade. O trabalho da Din4mo pode ser observado em quatro frentes: 1) O fortalecimento de empreendedores por intermédio do Programa Inovadores de Impacto, ofertando gestão, governança e go-to-market a startups, além do apoio à captação de recursos; 2) A Din4mo Ventures, que, por sua vez, diz respeito ao investimento por equity crownfunding, onde a iniciativa da Din4mo aporta entre 15% e 25% da rodada; 3) Por intermédio do InvestSocial a empresa oferta crédito – mais precisamente, a estruturação de “operações de securitização de recebíveis originados por negócios de impacto social e ambiental”, segundo a página oficial da Din4mo; 4) O apoio a organizações sociais vem intermediada pela Din4mo Serviços. Por apoio ela oferece o serviço de estratégia, do refinamento de tese de impacto e do desenvolvimento da estratégia sobre sustentabilidade e captação de recursos, tendo como foco sempre negócios de impacto.

A partir de cinco pilares, a Din4mo age buscando inspirar o ecossistema de impacto, criando infraestrutura e produtos para investidores, além de fortalecer negócios de impacto. Em relação aos pilares norteadores das ações da empresa, destacam-se ações como a crença no poder de articulação e negócios das redes distribuídas, empirismo, além da busca pela flexibilidade aliada ao foco e à criação de soluções ‘ganha-ganha’. Além disso, o ser humano é tratado sempre como protagonista das ações que envolvam as empresas parceiras.

O olhar para o longo prazo da Din4mo é aplicado em suas mentorias, que oferecem apoio à gestão das empresas e troca de conhecimentos. Cada mentoria costuma durar seis meses, e empresas como a Vivenda e Pluvi.on já passaram pela tutela. No linguajar do ecossistema, a Din4mo lida com organizações que estão atravessando ou atravessaram o Vale da Morte, rumo à viabilidade de seus produtos, a escala e a sustentabilidade para que a startup possa se manter financeiramente. E para todas essas ações, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas, também embasam os trabalhos, como saúde e bem-estar, cidades e comunidades sustentáveis, redução da desigualdade.

 

FICHA

Fundado em: 2014.

Quem apoia: negócios de impacto socioambiental.

Alguns apoiados: Programa Vivenda, Mais 60 Saúde, Impact Hub São Paulo e Simbiose Social.

Serviços e produtos: mentoria, planejamento de gestão, investimento para negócios de impacto.

Contato: din4mo.com

 

Veja a série aqui

Por uma ‘casa’ bem arrumada

0

 

Me relaciono com vários negócios de impacto
Não só pelo entusiasmo com o tema
mas também de forma comercial

E infelizmente é super comum me deparar com
diversos erros na interação comercial

Troca de interlocutores
Perda de memória nas interações
Lentidão administrativa
Fundadores mais focados no ‘go to market
e deixando a ‘casa’ em segundo plano

Ser um negócio de impacto não passa por também
ser ‘fera’ na área comercial?

Infelizmente não é o que parece em muitos casos

Para mim, o que mais pega mesmo
é a falta de meio de campo para dentro da organização

O troca-troca de equipe
(turnover alto, talvez pela dificuldade de pagar salários
mais atrativos e baixo desenvolvimento dos times)
exige dos gestores e fundadores muita energia de gestão

Sim, isso mesmo
fazer gestão ‘para dentro’
e fazer as engrenagens rodarem de forma suave

Fazer gestão dá um trabalho danado
mas precisa ser feito

Optar por delega-la à ‘moça do administrativo’ é um erro fatal
(que tanto criticamos no mundo das ONGs)

Você negocia um contrato com o empreendedor
Encaminhamentos administrativos são pactuados
E, zzzzz
Séculos de espera para acontecer

Se não há recursos pra pagar um bom gestor
então resta aos fundadores essa ‘tarefa chata’ e menos sexy

Só criar um slack ou trello não resolve a questão
Eles são meras ferramentas
E muitas vezes, não devem ser ‘empurradas’ aos parceiros e clientes
‘Ah, como assim vocês não usam o trello?!’

Enquanto as capas de revistas
e os eventos
forem mais interessantes e atrativos
aos fundadores

Mais cabeças seguirão batendo na ‘cozinha’
Uma casa bem arrumada é o primeiro passo
para qualquer sonho de escala

E nunca é demais lembrar que
arrumar a casa é tarefa sem fim
gostemos ou não dela.

“Eu Apoio” (ep. 1) ARTEMISIA

0

“Entre ganhar dinheiro e mudar o mundo, fique com os dois.” A frase de apresentação do site da Artemisia revela seu compromisso no ecossistema de impacto: disseminar e fomentar negócios de impacto social no Brasil, atividade na qual é pioneira. Para isso, a organização sem fins lucrativos potencializa esses negócios com soluções inovadoras que impactem a vida de brasileiros de baixa renda e em situação de vulnerabilidade. Ou seja, é preciso mudar a partir da base para a construção de um país mais próspero.

A Artemisia foi fundada em 2004 e, ao longo de sua história, apoia negócios de impacto com o objetivo de que tais empresas consigam chegar à escala de mercado, ao mesmo tempo que impactem positivamente a vida de comunidades e indivíduos. Assim, a organização incentiva negócios que possam ser viáveis e bem-sucedidos, tanto social quanto economicamente – aliando, dessa maneira, a sustentabilidade dos negócios à responsabilidade social. Os programas oferecidos para apoiar empreendedores e seus respectivos negócios respeitam e atentam para os diferentes estágios que as empresas enfrentam, como a prototipagem, a validação de produto e de mercado, além do crescimento. Mais de trezentos negócios já foram apoiados pelos programas da Artemisia, com 150 negócios acelerados desde 2011 – são 112 milhões de reais em investimentos articulados em negócios acelerados e mais de 30 milhões de pessoas beneficiadas pelos negócios acelerados (contagem até dezoito meses após a aceleração).

Os programas de aceleração da Artemisia têm duração de seis meses e visam potencializar os empreendedores para, consequentemente, ter melhor mensuração de impacto a partir dos negócios. Pensando nesse enfoque, a organização destaca os seguintes setores em prol da transformação social: educação, saúde, habitação, serviços financeiros, energia, mobilidade, alimentação, primeira infância e empregabilidade. Todos esses setores atuam de forma transversal, em sua maioria, quando pensada a análise e a mensuração de impacto dos negócios selecionados. Nos programas, as empresas são inseridas na metodologia Artemisia, bem como têm acesso à aceleração personalizada, às mentorias com atores estratégicos no ecossistema de impacto e à expansão de networking. Há ainda o refinamento do impacto social, a formatação do modelo de negócios e a rede Artemisia. Esta última oferece diálogo e contato com um grupo de empreendedores, parceiros (como empresas, fundações e institutos), mentores de diferentes setores e investidores, como anjos e venture capital. Uma rede dialógica pensando no ecossistema como um todo.

Para saber mais sobre o projeto acesse aqui:

FICHA

Fundado em: 2004.

Quem apoia: negócios de impacto, como Vivenda, Erê LAB, Movva, Geekie, HandTalk e Pluvi.On. Todas estas empresas participaram dos programas de aceleração da Artemisia.

Quem é o apoiador: Potencia Ventures (parceira e cofundadora); Omidyar Network, Facebook, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fundo Socioambiental Caixa, Ford Motor Company Fund, Fundação Cargill, Instituto Sabin, Gerdau, Fundação Grupo Boticário, MetLife Foundation, Aspen Network of Development Entrepreneurs, Eletropaulo, Fundação Lemann, Fundação Arymax, Pinheiro Carrenho Advocacia, YOD, Plugin Contábil e Nogueira, Elias, Laskowski e Matias – Advogados (parceiros e apoiadores atuais); Coca-Cola Brasil, Natura, Danone, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Alana, The Rockefeller Foundation, Fundação Telefônica, Credit Suisse Hedging-Griffo, Avina,  J. P. Morgan, Halloran Philanthropies, Instituto Inspirare e Instituto Rede (parceiros e apoiadores que fazem parte da história da Artemisia).

Serviços e produtos: aceleração, fomento e disseminação de negócios de impacto com programas que oferecem prototipagem, validação de produto e de mercado e mensuração de crescimento.

Contato: artemisia.org.br.

Quem apoia o apoiador?

0

No dinâmico mundo dos negócios de impacto social, há um ator tão importante quanto invisível: o intermediário. São organizações com as mais variadas formas de atuacão cuja principal missão é ajudar outras organizações. São o elo condutor entre dois amigos que ainda não se conhecem. Criam conexões para os outros e buscam o crescimento alheio como resultado de suas ações.

O ecossistema tem veteranos, mas ganha cada vez mais atores. São aceleradoras, incubadoras, institutos, empresas de capacitação, mentoria e formação buscando ajudar quem precisa. Demanda não falta. Empreendedores, por exemplo, precisam de dinheiro, mas não sabem para quem pedir. Investidores precisam de empreendedores, mas não os conhecem. É aí que entra o amigo invisível do setor, juntando gente e fomentando o que é difícil de ver.

A série “Eu Apoio” quer mostrar quem são, o que fazem e principalmente quem paga a conta dos apoiadores de impacto. Todos sabem da sua fundamental importância, mas poucos sabem de suas dores. Como uma aceleradora paga a conta do café? Cobrar ou não dos clientes empreendedores? Muitos recorrem a institutos, fundações e investidores para realizar suas atividades; outros têm modelos próprios de monetização e escala.

Na 1ª temporada da série, entrevistamos 5 apoiadores-chave para o setor: ArtemisiaDin4mo, Phomenta, SITAWI e ICE . Eles abriram a porta de seus escritórios e receberam nossa equipe para contar sobre suas inquietações cotidianas e também sua visão sobre o futuro do setor de impacto. E claro, como conseguem apoio para continuar apoiando.

Assista o teaser: https://www.youtube.com/watch?v=rvCXuI0iYwQ

 

Destaques do Portal

Aupa cria identidade para o Guia do Voto 2024

Projeto editorial contemplou produção de textos e design, além de edição impressa e criação de peças de divulgação e versão inglês.