Home Blog Página 41

Quanto vale uma floresta?

0
Vista aérea do rio Amazonas (foto 2019) crédito: wikimedia

Quanto vale uma floresta? Esta provocação vai além do valor em dinheiro e do jogo político: foca nos recursos naturais, seus impactos nas comunidades e seres ao redor e equidistantes das matas, bem como no projeto de futuro para as gerações posteriores. Os impactos e suas transformações socioambientais são o coração dos negócios com propósito, podendo ser o caminho para soluções e intermediações de assunto que causam consequências ao coletivo, sobretudo grupos vulneráveis. Dessa forma, as queimadas e suas consequências na região da Amazônia em muito importam e afetam as comunidades, o bioma, os negócios, a política, a saúde e os fatores socioeconômicos. No Brasil e no mundo.

Propor negócios de impacto é também apresentar novas maneiras de trazer dignidade, bem-estar, preservar os recursos naturais, gerar lucros e transformações em determinado grupo ou território. Quando a temática são as florestas, o desafio é a formulação de soluções que respeitem o ecossistema e suas particularidades. E tais negócios podem ser a articulação para a vida após o fogo controlado. Se a chama arrasa o bioma, as iniciativas locais, os saberes territorializados, a cobrança e o diálogo com o poder público e a geração de renda e possibilidades à população atingida podem, juntas, ser a solução e pensar o amanhã.

Estar atento aos desdobramentos de acordos comerciais e políticos, como o Fundo Amazônia e o Acordo UE-MERCOSUL, diz respeito às possibilidades dos negócios locais e globais e, sobretudo, uma dinâmica de sociedade que preserve e não apenas degrade recursos. Não é gratuito o interesse de outros países na floresta, ao mesmo passo que também é ao acaso que escolhas políticas alinhem o tratamento da região ao agrobusiness. Há política e poder sob as copas das árvores tropicais, cujo interesse da negociação vai muito além da pureza do ar e da preservação da biodiversidade. Ao Poder Público e seus órgãos competentes espera-se diálogo, além de soluções práticas e urgentes, que contemplem a complexidade da Floresta Amazônica e aqueles que vivem sua territorialidade.

Painel do 1º Fórum de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia (FIINSA), realizado nos final dd 2018

A realização do 1º Fórum de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia revelam a importância da pauta que alinha a biodiversidade e negócios. A Amazônia é múltipla vida e também é marca, investir nela e fazer o dinheiro girar na região é dar voto de confiança em sua preservação e em seu desenvolvimento consciente. A Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) é uma iniciativa que reúne negócios com propósito para a construção de soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável, conservação da biodiversidade, florestas e dos recursos naturais da região. O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável pela Amazônia (Idesam) também é um protagonista na região, além dos diversos empreendimentos de impacto, de pequeno e grande portes.

Há ainda o SERVIR-Amazônia, liderado pelo Centro de Agricultura Tropical (CIAT). A iniciativa é um dos cinco centros regionais do SERVIR Global, iniciativa conjunta de desenvolvimento da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) dos Estados Unidos e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). O SERVIR-Amazônia une forças de pesquisadores, técnicos e parceiros regionais para compreender necessidades e desenvolver ferramentas, produtos e serviços que atinjam os países da Bacia Amazônica, dando protagonismo a mulheres, povos indígenas e suas comunidades nas tomadas de decisões. Outros atores do ecossistema de impacto localizados na Amazônia que se destacam advêm do investimento social privado, como o Instituto Humanize e o Fundo Vale.

Atua também na região o projeto Integração de Áreas Protegidas da Amazônia (IAPA), liderado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO). A iniciativa apoia a comunidade de gerentes de parques na América Latina e Caribe de áreas protegidas da Amazônia (RedParques) e também garante supervisão eficaz e colaboração entre estas áreas.

Contudo, não escapa aquilo que é fato. Afinal, as queimadas na região da Amazônia registraram um aumento de 82%, entre janeiro e agosto, se comparados os focos no período entre 2018 e 2019, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Do total de queimadas desde primeiro de janeiro de 2019, 52% dos incidentes está na Amazônia. Até o dia 23 de agosto, mais de 30 mil focos de incêndios, durante o mês de agosto, foram registrados em Rondônia, Roraima, Tocantins, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Amazonas, Amapá e Acre – estados que compõem a Amazônia Legal.

Registram-se mais de 20 mil hectares de vegetações como a Amazônia, sobretudo, e parte do Pantanal consumidos pelo fogo incontrolado desde o início de agosto. A tríplice fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai também foi atingida pelos incêndios. O fogo, evidente ano após ano, nos registros de satélite da NASA, ocorre também pela associação de múltiplos fatores, como inverno seco, devastação de florestas para pecuária, monocultura ou mesmo venda do terreno, fontes de ignição, como cigarros. Não é por acaso que terras desmatadas registram mais queimadas, porém a fiscalização do desmatamento e dos incêndios ilegais faz-se necessária – ação possível com investimento na Educação (do ensino básico às pesquisas) e atuação do Poder Público.

No dia 19 de agosto São Paulo escureceu durante o dia em razão das queimadas

Quando fauna e flora são arrasadas, a dinâmica de comunidades ribeirinhas, indígenas e de pequenos agricultores entra em colapso. Consequências evidentes também em longa distância: as cinzas da floresta tropical foram carregadas pelos ventos até o estado de São Paulo, perceptível na chuva e na “noite” formada às 15h, do dia 19 de agosto.

Não há dúvidas de que é preciso pensar novas formas de tratar nossas florestas. Afinal, elas são vitalidade essencial para o futuro da humanidade e também das relações de negócios. A longo prazo, lucrar às custas do empobrecimento dos recursos da natureza tem se provado uma afronta às possibilidades de projetar um futuro menos degradante. Respeito à biodiversidade, investimento local (e aqui entra o fôlego aos negócios de impacto) e políticas públicas efetivas parecem ser uma tríade a ser considerada conjuntamente.

A vez do protagonismo da ZL

1

Atitude e transformação social a partir da territorialidade. Foi com esta pauta que o 1º Fórum de Negócios de Impacto da Periferia ocorreu no sábado, dia 17 de agosto, no Galpão ZL, localizado no distrito de São Miguel Paulista. O evento contou com mesas e rodas de conversa com diferentes atores do ecossistema de impacto, trazendo a periferia como protagonista de ações e mudanças em seu entorno. Cerca de 200 pessoas estiveram no evento.

Ivan Zumalde (Bancadão e AUPA) foi o responsável pela abertura e as boas-vindas foram feitas pelos poetas e produtores culturais Andrio Candido e Nathielly Duarte, ambos moradores de São Miguel. “Para gente é mais difícil, mas a gente vai conseguir. A gente não pode parar no tempo; temos que continuar, temos que conseguir”, instigou Candido em sua rima. O DJ Bola (A Banca e ANIP) e Susanne Sassaki (Bancadão e AUPA) também deram seu recado na abertura. “Você sabe o que é negócio de impacto ou já ouviu falar sobre isso? Se não sabe, é bom correr atrás disso”, disse ele enfatizando a importância do protagonismo da base da pirâmide social. “Os processos são pontes e travessias. É preciso estarmos cada vez mais juntos; temos que parar de falar sobre dois lados. É preciso viver e não só sobreviver”, enfatizou Sassaki ao compartilhar sua trajetória enquanto mulher empreendedora nascida na periferia.

O painel de abertura “O que são negócios de impacto periférico” contou com a mediação de Greta Salvi (Fundação Tide Setubal) e a presença de Matheus Cardoso (Moradigna), Débora Luz (Clube da Preta) e Fabiana Ivo (A Banca e ANIP). “Transformar aquilo que a comunidade já via há tempos como potencial rentável em algo que, de fato, gere renda”, afirma Luz. Ela enfatiza que negócios de impacto não necessariamente trará renda e dignidade à comunidade, mas negócio de impacto da periferia, sim. “Dinheiro importa também no processo. Negócios da periferia geram renda dentro da comunidade, faz com que a roda ande. É diferente de um negócio de impacto genérico”, explica a representante do Clube da Preta sobre a importância de transformar vidas e gerar dignidade.

E não basta ter uma boa ideia para um negócio que possa agregar transformação socioambiental: os obstáculos para quem vem da base da pirâmide são uma realidade. “O empreendedor periférico tem que mostrar que é capaz antes de chegar à mesa de reunião. Uma baita barreira!”, realça Cardoso. “A maior revolução é consumir negócios de impacto da periferia. Coloque o dinheiro na mão destes negócios. Não quero doação, nem tapinha nas costas: quero contrato na minha mesa para o negócio acontecer”, ensina o fundador da Moradigna. Para que as micro revoluções ocorram, Ivo afirma que é necessário romper a zona de conforto. “É preciso juntar gente diferente para discutir os processos. É fundamental a construção de redes locais para expandir o ecossistema e pensar os espaços de formação. Afinal, quais são os empreendedores que estão no meu entorno?”, provoca Luz, que compartilha as experiências também da Zona Sul.

O evento foi um marco no fomento aos negócios de impacto na ZL. certamente temos um terreno fértil para criar uma grande rede de empreendedores capazes de gerar impacto no território.

Greta Salvi – FTS

A mesa 1 “Investimento e formação para fortalecer a ZL” contou com a mediação de Ednusa Ribeiro (Coletivo Meninas Mahin) e participação de Vivianne Naigeborin (Fundação Arymax), Natalia Menezes (Via Varejo) e Jane Marques (EACH/USP Leste), além do pitch da dupla Diogo Bezerra e Diego Ramos, da PLT4way. “É preciso um mecanismo de investimentos adaptado aos negócios de impacto na periferia, que tem um tempo próprio, diferente do negócio tradicional”, explica Naigeborin. “Caso contrário, os negócios de impacto se tornarão negócios tradicionais”, complementa. Na mesa, ressaltou-se ainda que o empreendedor da periferia costuma ter uma dimensão multifocal, pois, além de atender à demanda de sua comunidade, ele não tem capital inicial (e nem dinheiro para errar) e tem mais de um emprego (geralmente, uma empresa mais ao Centro).

A mesa 2 “Criatividade como fator estratégico nos negócios periféricos” teve a mediação feita por Márcio Cardoso (Emperifa). Como convidados para compartilhar suas experiências estavam Flavia Viana (Oi Futuro), Edson Leite (Gastronomia Periférica), Klaibert Miranda (EmpreendeCasa) e Daniel Manjarres (British Council). “Criatividade é enxergar o óbvio que está na nossa frente, de outra maneira. Muitas vezes, não falta criatividade, mas, sim, coragem”, ensina Miranda. O pitch da mesa ficou por conta de Pedro Barreto Elias, da empresa Parabéns, te odeio.

O Forum ZL mostrou o quanto a periferia é potente, criativa, empreendedora e colaborativa.

João Guedes – Emperifa

A mesa 3 “Oficina de comunicação de impacto na (e para) quebrada” contou com a participação de Fábio Ranzani (Zine Filmes), Cacau Ras (Portal Cultura Leste), Regiany Silva (Nós, mulheres da periferia) e Léu Britto (Dicampana Fotocoletivo). A mesa, com a mediação de Zumalde, teve a exibição do web documentário Perimpacto: onde a periferia e os negócios de impacto se encontram (AUPA/Instituto Sabin/Zine Filmes). “Há um desafio de ser um negócio de impacto e encontrar um modelo de negócio viável”, comenta Silva. “A vontade de empreender nasce do desejo de fazer algo pela sua quebrada, pela necessidade evidente. Isso poderia ser a minha renda – e eu não precisaria ir trabalhar lá em Pinheiros todos os dias”, expõe a fundadora do “Nós, mulheres da Periferia”, que nasceu na Cidade Tiradentes e hoje reside na Cohab 2, em Itaquera. “É preciso dialogar com o preto e com o pobre”, finaliza ela. Sobre a mudança de postura para se enxergar como empreendedor, Ranzani comenta: “É a mudança de se ver como protagonista. E como nos vendemos, indo além das histórias que contamos, como fazemos? A gente faz fazendo”, ensina ele.

“Possibilidades de rever conceitos,um encontro de sonhadores,visionários e realizadores de possibilidades.”

Cacau Ras – CULTURA LESTE

O encerramento ficou por conta de Ana Paula Nascimento (A Preta Produções) e Priscila Novaes (Kitanda das Minas), com apontamentos sobre empreender para o futuro. “Nós não nos vemos como empreendedores na periferia, principalmente as mulheres negras. É preciso mudar isso. A periferia precisa se autovalorizar”, aponta Nascimento. Enquanto o Projeto Sou do Samba ZL subia ao palco, era possível ‘trocar figurinhas” reforçar a rede de contatos depois de tantos diálogos – e também saciar a fome com empreendedores locais e iniciativas que buscavam oferecer produtos alimentícios. Valéria Lopes vendia feijoada para angariar fundos para a igreja Arca da Aliança. Representando a Bonatelli Doces e Salgados, Fátima Carmo Santos Bonatelli vendia salgados, que também podiam ser encomendados, numa iniciativa que acontece desde março. Funcionando desde 2017, o afrobuffet Kitanda das Minas vendia acarajé, cocada e dadinhos de tapioca – sustentável, o acarajé era servido na folha de mamona. O Pokazideia, em parceria com o Gastronomia Periférica, vendia a cerveja Azedinha, feita de PANCs (Plantas Alimentícias não convencionais). Artesanato e vestuário ficou por conta do Coletivo Meninas Mahin e do Bazar Arteiras do Artesanato. Para os que queriam livros, Candido e Duarte garantiam exemplares sobre literatura periférica e a editora MyMag publicações sobre negócios de impacto. Trocas e diálogos com a periferia sendo protagonista, ensinamentos e aprendizados de quem se propõe à coletividade e à transformação social. Como diz o pagode tocado pelo Sou do Samba, de autoria Xande de Pilares (do grupo Revelação): “Basta acreditar que um novo dia vai raiar, sua hora vai chegar”.

 

 

As dez alavancas de impacto – um framework simples para apoiar a discussão

2

Por Leonardo Letelier e Fernanda Dativo

Na SITAWI Finanças do Bem, a todo momento estamos em contato com organizações, e várias vezes surge a discussão sobre se aquela organização é um “negócio de impacto” ou não. A Força-Tarefa de Finanças Sociais (atual Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto) lançou há alguns anos uma Carta de Princípios para Negócios de Impacto na qual foram identificadas quatro dimensões-chave para avaliar essa questão: (i) Compromisso com a Missão Social e Ambiental, (ii) Compromisso com o Impacto Social e Ambiental Monitorado, (iii) Compromisso com a Lógica Econômica e (iv) Compromisso com a Governança Efetiva.

Uma forma adicional de ver essa questão, em um nível um pouco mais profundo de detalhe, é avaliar os fluxos operacionais e decisórios da organização para entender “o que está por trás” daquele negócio. O framework que utilizamos na SITAWI passa também pelas seguintes dimensões e perguntas:

 

Entrada:

  • O que compra?
    Quando existem alternativas em termos de insumos a ser adquiridos, existe a possibilidade de fazer escolhas com maior ou menor impacto. No caso de negócios de da confecção de produtos, a dimensão ambiental é a mais evidente.
  • De quem compra?
    Quanto maior a aderência entre o fornecedor e a causa, ou quanto mais os fornecedores representarem populações vulneráveis ou excluídas, maior o impacto.
  • Quanto/como paga?

Especialmente quando comprando de pequenos produtores ou de populações vulneráveis, quanto mais aderente o prazo de pagamento (e maior o valor unitário) às restrições enfrentadas por esses fornecedores (por exemplo, falta de capital de giro ou custos elevados devido a produção artesanal), maior será seu impacto.

Saída:

  • O que vende?
    Quanto mais diretamente o produto/serviço final buscar resolver um problema social (ou ambiental), maior será seu impacto.
  • Para quem vende?
    Quanto mais vulnerável for o público-alvo (destinatário final ou intermediário) ou menos opções de acesso ele tiver, maior o impacto.
  • A quanto vende?
    Precificação é uma alavanca importante para gerar acesso a produtos e serviços que trazem impacto para populações vulneráveis e/ou margem para negócios cujo impacto está em outro elo da cadeia.

Gestão/Governança

  • Como são os processos produtivos?
    As escolhas em torno de quem o negócio emprega, suas práticas trabalhistas e o nível de sustentabilidade de seus processos internos – e aqueles ao longo da cadeia que este influencia – têm impacto relevante no dia a dia do negócio e ajudam a mostrar se este também cumpre o que prega.
  • Quem são os acionistas e como o lucro é dividido?
    Com quem fica a maior parte do resultado econômico do negócio tem profundo impacto no longo prazo. Investidores próximos ou distantes da realidade local, empreendedores, colaboradores, mas também a comunidade devem ser recompensados pelos ativos que aportam ao negócio. Afinal de contas, este não existiria sem a parceria dos diversos atores.
  • Quem participa da governança?
    Processos de tomada de decisão são um “locus de poder” evidente em qualquer estrutura. Nos casos em que existe uma população-alvo específica, idealmente representantes desta deveriam fazer parte desses processos.
  • Como a organização gerencia seu impacto?
    Em um negócio de impacto, o impacto é intencional. Para isso, quanto melhor ele for acompanhado, analisado e quanto mais profundamente seus resultados alimentarem a estratégia e as operações, maior será o impacto ao longo do tempo.

Como se pode ver, acreditamos que o formato jurídico (com ou sem fins lucrativos) não é determinante na “qualificação” de um negócio de impacto, e esse impacto pode estar em qualquer uma das nove primeiras dimensões. E, para fins de avaliação para empréstimo ou investimento, cada uma delas tem várias subdimensões ou subperguntas, como, por exemplo: O modelo de negócio (por quanto compra + gestão + por quanto vende) “para de pé”? A equipe de gestão está capacitada para executar o plano apresentado? Os “donos” do negócio apresentam fibra ética?

É importante notar que em cada uma das dimensões pode-se ter níveis de profundidade distintos, o que permitiria pensar em um score de impacto e que as escolhas – e, portanto, o impacto – variam ao longo do tempo e podem ser influenciadas por atores externos (como quando a SITAWI investe num negócio e apoia a melhoria de algumas dimensões).

No dia a dia, vários negócios podem ser considerados (ou se considerar “de impacto”). Acreditamos que um framework simples como o mencionado acima pode ajudar a organizar essa discussão – mesmo que seu objetivo não seja “certificar” os negócios de impacto. Julgamos que, na prática, as decisões tomadas – especialmente em momentos quando as coisas não vão bem – iluminam de forma mais clara quando o impacto é central na organização, e quando não o é.

Zona Leste recebe o 1º Fórum de Negócios de Impacto da Periferia para impulsionar o setor e reunir empreendedores sociais no território

0

EVENTO: as periferias de São Paulo e a atitude empreendedora da população sempre foram terreno fértil para a criação de muitos negócios regionais. Mas foi só na última década que a junção dessa potencialidade somada a necessidade de soluções em negócios visando resolver problemas sociais, ganhou importância dentro e fora do território. Esse ambiente inovador fez surgir os negócios de impacto periférico e a Zona Leste, como um pólo potencial para o setor.

Fruto da articulação entre fomentadores locais das periferias da Zona Leste e da Zona Sul, nasce o 1º Fórum de Negócios de Impacto na Periferia realizado na Zona Leste – a Zona Sul já está na segunda edição. O objetivo do Fórum é promover um encontro entre os diferentes segmentos do Ecossistema de Negócios Sociais e é endereçado para empreendedoras e empreendedores das periferias da cidade de São Paulo, em especial a periferia da Zona Leste dentro do quadrilátero formado por Itaquera, São Miguel, Itaim Paulista e Cidade Tiradentes. A organização contará com a colaboração de articuladores, empreendedores, investidores e atores relevantes ligados aos Negócios de Impacto Social e da Economia Criativa no Brasil.

O 1º FNIP ZL será realizado das 9h às 15h no Galpão ZL, localizado na Rua Serra da Juruoca, 112, no Jardim Lapena, dentro do espaço da Fundação Tide Setubal.

Será um dia de muita conexão e formação empreendedora, com mais de 15 palestrantes convidados, exposição de cases de Negócios de Impacto da Periferia e 3 mesas temáticas com a presença de empreendedores, representantes do governo, fundações e institutos de todo o País.

O evento ainda contará com a participação de grupo musical local, feira de empreendedores e literatura periférica, além de outras atividades.

Para participar do evento gratuito, os interessados devem fazer inscrição online para adquirir o ingresso.

Inscrição no sympla: 

Mais informações no portal Aupa:

Evento no Facebook:

 

IDEALIZAÇÃO: ANIP / A Banca

REALIZAÇÃO: Fundação Tide Setubal, Emperifa e Bancadão 

MÍDIA OFICIAL: Aupa

 

 

 


Programação:

 

9h  Recepção e café da manhã

9h20  Boas-vindas: poesia com Andrio Candido e Nathielly Janutte

9h40  Apresentação: Dj.Bola (ANIP) e Susanne Sassaki (Aupa)

9h50 Acolhida: Greta Salvi (Fundação Tide Setúbal)

10h às 11h

PAINEL DE ABERTURA

“O que são Negócios de impacto periférico?”

Quais são as principais motivações que levam empreendedores sociais do território a criarem empresas e soluções focadas nos problemas da periferia? E por que essa é uma grande oportunidade de negócio para quem quer começar – ou melhorar- um empreendimento local e ainda melhorar as condições da população mais vulnerável. Para ajudar a responder o que está por trás de um negócio de impacto periférico, três grandes referências do setor irão compartilhar os desafios enfrentados em seus negócios sociais de impacto.

MESA: Matheus Cardoso, nascido no Jardim Pantanal e criador do Moradigna, negócio de impacto com foco em reformas de casas para população de baixa renda; Débora Luz, cofundadora do Clube da Preta, solução que conecta afro-emprendedores com seus consumidores e Fabiana Ivo, diretora pedagógica da produtora cultural e social A Banca. A mediação fica por conta de Greta Salvi, coordenadora de inovação e empreendedorismo da Fundação Tide Setubal.

11h30 às 13h (mesas concomitantes em três espaços)

 

MESA 1

“Investimento, formação e conexões para fortalecer o empreendedorismo social na ZL”

É fato: existe grande oferta de capital para investir no setor de impacto social. Mas, esses recursos realmente chegam nas mãos dos empreendedores das periferias? E quando o dinheiro vem, quem apoia os empreendedores durante a jornada? Conheça os programas, atores e iniciativas que estão construindo o campo de investimento e apoio ao empreendedor na periferia da Zona Leste hoje. De universidades, passando por governo e investimento social privado, um debate sobre o papel de cada organização no fortalecimento dos negócios de impacto na ZL. 

PITCH: (Abertura da mesa com um breve relato de um empreendor sobre seu negócio de impacto) Diogo e Diego são os criadores da PL4way, escola de inglês com método inovador de ensino e preços acessíveis. Os fundadores são da Zona Leste e irão dividir a trajetória do negócio que já recebeu investimento e foi acelerada pelo Vai Tec.

MESA: Viviane Naigeborin, superintendente da Fundação Arymax; Natalia Menezes, gerente de investimento social da Via Varejo, Frederico Celentano, diretor-presidente da Ade Sampa, Agência São Paulo de Desenvolvimento do município; Jane Marques, professora do curso de Mestrado Profissional em Empreendedorismo Profissional da EAC/USP-Leste e Natália Menezes, gerente de Investimento Social na Via Varejo A mediação fica por conta de Ednusa RIbeiro, empreendedora e cofun-dadora do coletivo Meninas Mahin que promove feiras na Zona Leste.

 

MESA 2

“Criatividade como fator estratégico nos negócios periféricos”

A criatividade é um fator presente nas periferias e também um grande desafio para os empreendedores sociais. O centro do debate e a proposta dessa mesa está em como utilizar a “ferramenta criatividade” para transformar negócios e potencializar os resultados. Através de estudos de casos de empreendedores e de apoiadores de negócios da indústria criativa, algumas orientações são colocadas à mesa para auxiliar a estratégia de negócios sociais que buscam a inovação. 

PITCH: (Abertura da mesa com um breve relato de um empreendor sobre seu negócio criativo) Parabéns, te odeio é a primeira marca de presentes malcriados do Brasil. A criatividade foi um fator predominante que norteou a criação de Pedro, fundador da empresa que dividirá o conceito com os participantes. 

MESA: Edson Leite, chefe de cozinha e fundador do Gastronomia Periférica, Klaibert Miranda, educador, palestrante de inovação e cocriador do EmpreendeCasa; Flavia Viana, coordenadora de inovação social da OI Futuro, Effie Vourakis, gerente de Desenvolvimento de Economias inclusivas e Criativas do British Council Brasil. A mediação fica por conta dos educadores e empreendedores do Emperifa, negócio que apoia e forma empreeendedores com atuação na Zona Leste.

 

MESA 3

“Oficina de comunicação de impacto na (e para) quebrada”

A comunicação independente ganha cada vez mais espaço e força. E é pela ação dos coletivos das periferias que as narrativas são contadas e produzidas. São jornalistas, fotógrafos e youtubers comunitários que comunicam o dia a dia da quebrada para a própria quebrada. É nesse contexto onde a comunicação se tornou peça fundamental que a apropriação de meios e mensagem deve ser apropriada pelos seus próprios protagonistas. Nessa oficina mão na massa, comunicadores darão dicas de como empreender e comunicar na periferia. 

PITCH: (Abertura da mesa com a apresentação do webdocumentário Perimpacto)

A Aupa é uma plataforma de jornalismo com foco na produção de conteúdo sobre negócios de impacto social. Em parceria com a produtora Zine Filmes produziram um documentário sobre periferia, investimentos e iniciativas locais que será exibido para o debate: como produzir narrativas na periferia?

MESA: Léu Brito, fotógrafo e integrante do coletivo de fotografia da periferia “DiCampana”, Regiany Silva, jornalista e cofundadora do coletivo “Nós, mulheres da Periferia” de Artur Alvim; Cacau Ras, produtor cultural e criador do portal independente “Portal Cultura Leste”. A mediação fica por conta do cofundador do portal Aupa, Ivan Zumalde que atua na região leste com comunicação e empreendedorismo social.

 

13h15

ENCERRAMENTO

Diálogos da Leste e apontamentos para o futuro:

com Ana Paula Nascimento (A Preta Produções) e Priscila Novaes (Kitanda das Minas)

 

13h30 às 15h

CONFRATERNIZAÇÃO

  • Apresentação do grupo de Samba “Sou do Samba ZL”
  • Mesas de empreendedores locais
  • Feira de Literatura Periférica
  • Feira de Artesanato
  • Venda da Cerveja artesanal da Periferia – Pokazideia/Gastronomia Periférica
  • Venda de culinária ancestral das mulheres negras – Kitanda das Minas

 


 

Confira os palestrantes:

 

Vivianne Naigeborin – Fundação Arymax

Pioneira na criação do campo de negócios de impacto no Brasil trabalha com empreendedorismo social há 20 anos. Atualmente é Diretora-superintendente da Fundação Arymax cujo novo foco de atuação é a inclusão produtiva de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica no universo de trabalho. De 2007 a 2019 foi Assessora Estratégica da Potencia Ventures, tendo apoiado a criação de iniciativas-chave no país como Artemisia, Vox Capital, Impact Hub e Polo ANDE Brasil. De 2000 a 2007 trabalhou na Ashoka, como Diretora Internacional de Parcerias Estratégicas e de Integração da América Latina. Em 2014 foi selecionada pela Universidade de Yale como Yale World Fellow.

 

DJ Bola – A Banca/ ANIP

Marcelo Rocha, o DJ Bola, é pai de 3 filhos, Dj do Abôrigens e foi homenageado pelo TRIP TRANSFORMADORES por ter sido um dos protagonistas do movimento que tirou o Jardim Ângela da lista de lugares mais violentos do mundo. É Diretor Executivo na A BANCA, foi responsável pela conexão com empresas do setor 2.5 criando parcerias estratégicas, entre essas estão a Artemísia, NESsT, ICE, FGV CENN, Vox Capital, Via Varejo, Fundo MOV, Quintessa, Instituto Papel Solidário, Social Good Brasil (Fellow), entre outras. Fundador do Primeiro Fórum de Negócios de Impacto da Periferia, onde desenvolveu a Aceleradora NIP. Palestrante, também gerenciou projetos aprovados nos governos Municipais, Estaduais e Federais.

 

Matheus Cardoso – Moradigna

Nascido no Jardim Pantanal – periferia da Zona Leste, e criador do Moradigna, negócio de impacto com foco em reformas de casas para população de baixa renda, Matheus é um dos pioneiros no ecossistema de impacto com foco em moradia. Mestre em politicas públicas para habitação e empreendedor social, Matheus também é consultor e palestrante de inovação na Fábrica de Criatividade e TEDx e foi reconhecido pela Forbes como um dos jovens mais influentes do Brasil em 2018.

 

Edson Leite – Gastronomia Periférica

Edson Leite é chef de Cozinha, assistente social, Educador social e trabalhou em restaurantes importantes da Europa. No Brasil foi subchef do Clube Pinheiros – SP. Docente em organizações sociais na área de gastronomia para adolescentes. Fundador do Gastronomia Periférica e cocriador do aplicativo Gastronomia Periférica; hoje coordena e leciona a área técnica da Escola de Gastronomia Periférica, além de curador do Festival Sabor da Quebrada.

 

Effie Vourakis – British Council

É gerente de Projetos do British Council no Programa DICE (Developing Inclusive and Creative Economies) que apoia a economia criativa com o impacto social no Brasil, Egito, Paquistão, Indonésia e África do Sul. Foi Gerente de Projetos do Programa de Artes do British Council no Brasil  (2014-2016) na área de Museus, Artes Visuais, Arquitetura, Design e Moda. Trabalhou na Bienal de São Paulo e, durante os dez anos em que morou e trabalhou na Europa, foi curadora de artistas emergentes em Londres além de trabalhar com  produção e curadoria em várias bienais de arte como a 2ª Bienal de Artes de Moscou.

 

Débora Luz – Clube da Preta

 Fundadora do Clube da Preta e influenciadora digital com 169 mil seguidores no Instagram e mais de 50 mil em seu canal no YouTube, a brasiliense de 29 anos formada em museologia pela Universidade de Brasília (UnB). No ambiente acadêmico, Débora passou a pesquisar sua ancestralidade africana e a questionar sua identidade, processo que a inspirou a assumir sua identidade, numa transição que a transformou em influência para outras centenas de milhares de mulheres afrodescendentes por todo o país. Desde então, ela se divide na atuação como empreendedora no Clube da Preta, ao lado do sócio, Bruno Brígida, e o trabalho com marcas de cosméticos como Natura, The Body Shop, Embelleze, Salon Line, L’Óreal, Neutrox, Skala e Quem Disse, Berenice?, entre outras.

 

Natalia Menezes – Via Varejo

Natália tem larga experiência em comunicação e marketing no mercado de bens de consumo com atuação em gestão de projetos, estratégia de comunicação integrada, marketing de relacionamento, mobilização social, meios digitais e mídia on line. Atualmente está a frente da área de investimento social da Via Varejo, onde lidera a seleção de projetos de apoio de impacto social. 

 

João Guedes – Emperifa

Graduado em Produção Audiovisual – FMU (2018), Radialista Sonoplasta (2007), Locutor (2014), Agente Cultural (2016) pelo Senac. Experiência de 15 anos na área de comunicação tendo atuado em rádio e tv. Atuou como gestor gerenciando
equipes em produtora audiovisual, agência de publicidade e assessoria de imprensa. Experiência de mais de 17 anos como arte educador do terceiro setor atuando com coletivos socioculturais e comunidades de base. Hoje atuo como técnico orientador nos cursos de rádio, áudio e programa jovem aprendiz do Senac. Sócio gestor da Emperifa.

 

Fabiana Ivo – A Banca/ANIP

Diretora pedagógica da produtora Cultural e Social A BANCA, pedagoga e graduanda em Letras, educadora com mais de 14 anos de experiência em redes nacionais de educação popular, direitos humanos e feminismo. Pesquisadora de Literatura Marginal, compõe a gestão da ANIP e busca nas ações dar destaque as mulheres empreendedoras no ecossistema de negócio de impacto, seja o tradicional ou da periferia.

 

Greta Salvi – Fundação Tide Setubal

É mestre em sustentabilidade pela Universidad Politécnica de Cataluña e atuou em diferentes organizações como Agencia de Ecologia Urbana de Barcelona e Sistema B. Atualmente é coordenadora de inovação na Fundação Tide Setubal onde tem como missão articular diferentes oportunidades para empreendedores de periferias que contribuam para a redução de desigualdades sociais.

 

Ednusa Ribeiro – Meninas Mahin

Ednusa Ribeiro é Administradora, Gestora Pública no Governo do Estado de São Paulo Especializada em Gêneros e Etnias e Gestão de Recursos Humanos, coordena o Coletivo Meninas Mahin que tem como objetivo fomentar o empreendedorismo da mulher preta e contribuir no combate as desigualdades raciais mediante atividades afirmativas que são promovidas nas feiras Afro Meninas Mahin, através da prática interdisciplinar, ou seja, a integração com atividades: artesanais, artísticas, esportivas, musicais, literária, oficinas, ações de cidadania, entre outras.

 

Susanne Sassaki – Aupa e Bancadão

Fundadora da Aupa – jornalismo em negócios de impacto, Susanne é especialista em comunicação onde atua há mais de 20 anos. Foi editora de fotografia de grandes publicações na Editora Abril e há 10 anos empreende sua própria editora, a Mymag, empresa certificada B especializada na produção de conteúdo e serviços de comunicação para grandes empresas como Porto Seguro, Fast Shop, Grupo Multiplan entre outras, além de Institutos e Fundações como Instituto Sabin e Fundação Telefônica. Susanne também está a frente da mymag na área de projetos especiais e produção de eventos pelo Bancadão Itaquera.

 

Jane Aparecida Marques – EACH – USP Leste

Professora Associada na área de Comunicação e Marketing da Universidade de São Paulo, atua no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte e no Mestrado Profissional em Empreendedorismo, ambos da Universidade de São Paulo, e no curso de Graduação e Marketing. Líder do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Inovação e Criatividade, Jane se dedica a estudos nas áreas de marketing cultural e artístico, inovação, indústrias culturais e criativas e empreendedorismo.

 

Flávia Vianna – OI Futuro

Coordenadora de Inovação Social e Esporte do Oi Futuro, Flávia acredita no potencial humano e na capacidade de realizar conexões do bem para criar uma sociedade mais justa e com equidade. Foi com essa inspiração que mudou sua trajetória profissional nas áreas de gestão e negócios e há treze anos atua no apoio a organizações e empreendedores que buscam soluções inovadoras para transformação social. Coordena a área de inovação social e esporte no Oi Futuro, é mestre em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas, pós graduada em Gestão de Risco pela UFF e graduada em economia e serviço social.

Márcio Cardoso – Emperifa

MBA em Gestão Empresarial (2005) e mestrado no Programa de Pós-Graduação na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2012). Atualmente é professor da Universidade Brasil e no SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL
(SENAC). Experiência na área de Administração, atuando principalmente nos seguintes temas: Administração, Administração Estratégica, Cultura Organizacional, Empreendedorismo, Escolas de samba, Estratégia Empresarial, Gestão da Criatividade, Inovação, Modelo de Negócios. Sócio Gestor da Emperifa. Atuou como facilitador do SEBRAE no programa Brasil Empreendedor.

 

Priscila Novaes – Kitanda das Minas

Pesquisadora, cozinheira e produtora cultural. Formou-se em Técnica e graduanda em Gestão Empresarial pela Faculdade de Tecnologia – FATEC Mauá. É fundadora do Coletivo Mulheres de Orí onde lida com as questões voltadas ao desenvolvimento econômico das mulheres e enfrentamento a violência doméstica. Priscila é proprietária do Kitanda das Minas, empreendimento que utiliza a gastronomia afro-brasileira como instrumento para o empoderamento feminino e é coautora do livro “Ajeum – O Sabor das Deusas” que aborda temas como religiosidade, comércio de rua e patrimônio imaterial brasileiro.

 

Frederico Celentano –ADE SAMPA

Advogado formado pela USP, com graduação e pós-graduação em Ciências Políticas por Sciences Po – Paris e com mais de 20 anos de experiência em projetos de microfinanças, microcrédito e educação financeira para as populações de baixa renda, Frederico é atualmente Presidente da ADE SAMPA – Agência São Paulo de Desenvolvimento. Foi, entre 2016 e 2018, responsável pela reestruturação do FIDC Empírica Pérola; entre 2003 e 2016 coordenador de projetos no Itaú Unibanco e trabalhou em diversos estudos sobre microcrédito, crédito habitacional e empreendedorismo de baixa renda para o SEBRAE, PMSP, Banco Mundial, entre outros.

 

Ana Paula Nascimento – A Preta Produções

Moradora de Cidade Tiradentes e proprietária da A.Preta Produções, Ana é formada em Pedagogia, e atua como educadora social e gestora de empreendedorismo de impacto social na articulação, mobilização, capitação e geração de renda nos territórios da zona leste e as demais regiões da cidade. Desenvolveu trabalhos com a UNICEF de 2014 à 2016 na PCU (Plataformas de Centro Urbanos/Mapeamento de violência e vulnerabilidade) e integrou o coletivo “Quilombo Urbano” e “Marcha das Mulheres Negras”. Ana também atuou no equipamento público do Centro de Formação Cultural Cid. Tiradentes (CFCCT), como Coordenadora Pedagógica e atualmente coordena a Feira de Exposição “EmpreendTiradentes” e “Primavera Empreendedora”.

 

Fábio dos Santos – Emperifa

Graduação em Administração de Empresas (2006); Especialização tem Tecnologias
na Aprendizagem (2016) e Gestão de Marketing (2018) no Senac. Experiencia na
área de gestão de projetos em TI, Administração, Empreendedorismo. Há mais de
10 anos atuando como Educador Social em Ongs e Instituto e atualmente e como professor de Empreendedorismo no Senac entre outros cursos na área de
Programa Social. Participei como orientador no concurso Empreenda do Senac e também na seleção de projetos do Programa INOVA São Paulo do Centro Paula Souza. Sócio gestor da Emperifa.

 

Diego Ramos – 4way

Sócio Cofundador e empreendedor social na escola de inglês “4way”, Diego é formado no curso técnico de Administração em Hotelaria pelo colégio e faculdades Eniac (onde aprendeu suas primeiras frases em inglês), Graduando em Introduction Business Managment pela Brigham Young University, é Gerente Comercial Júnior, atualmente cursando direito pela universidade Anhanguera. Prestou serviço voluntário como missionário religioso por 2 anos onde desenvolveu experiência em lidar com público e liderança de grupo, além de adquirir fluência no idioma inglês. Afiliado pelo conselho binacional de certificado TESOL, hoje influencer em construção e empreendedor social.

 

Diogo Bezerra – 4way

Sócio Cofundador da escola de Inglês 4WAY, nascido e criado em São Paulo, Diogo é formado em Marketing pela Universidade Morumbi e no Pathway, programa de desenvolvimento de habilidades de liderança, pela faculdade americana BYU-Idaho. É também Embaixador da Rede Pense Grande da Fundação Telefônica. Diogo morou em Portugal por dois anos, assim como na Inglaterra e Espanha e, durante suas experiências, desenvolveu um amor ao Empreendedorismo Social, e acredita que através do ensino de Inglês de qualidade, jovens e adultos das periferias podem sim mudar suas realidades sociais.

 

Klaibert Miranda – Empreender Casa

Educador, EUpreendedor e palestrante apaixonado por criatividade, inovação, novas tecnologias e acima de tudo pelo ser humano e seu potencial infinito, Binho é designer digital por formação. Tem pós graduação em Inovações em Tecnologias Educacionais e Psicologia Positiva (ciência que estuda a felicidade), e é co-criador da EmpreendeCasa. Consultor nas áreas de Internet e Marketing Digital no Senac e SEBRAE, docente no Senac, Binho ministra cursos na área de internet, marketing digital, empreendedorismo e desenvolvimento pessoal, além de facilitador voluntário em alguns Projetos Sociais.

 

Cacau – Portal Cultura Leste

Nascido no bairro do Itaim Paulista, começou sua trajetória no Colégio Público Condessa Filomena Matarazzo onde foi responsável pela criação da primeira Rádio Escola de São Paulo em 1993 a Rádio Filó, projeto pioneiro na cidade. É Pós graduando em Psicologia Política pela Universidade de São Paulo –USP com o projeto de Educomunicação e especialista em  Cinema e Linguagem Audiovisual, pela Universidade Estácio. Ganhador de diversos prêmios no cinema e no jornalismo como o festival de cinema de GRAMADO, Cacau produziu diversos curtas metragens e atualmente é gestor da Casa de cultura do Itaim Paulista com o também produtor cultural Pedro Moreira. Juntos formam o portal de cultura independente Cultura Leste.

 

Regiany Silva de Freitas – Nós, Mulheres da Periferia

Moradora da zona leste é cofundadora do coletivo Nós, mulheres da periferia. Gerente de produtos no Portal Porvir, formada em Design Digital, pela Faculdade Impacta, com pós-graduação em Mídia, Informação e Cultura pelo CELACC, USP e mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, pela PUC São Paulo. Atua no coletivo jornalístico “Nós, mulheres da periferia” que tem como principal diretriz disseminar conteúdos autorais produzidos por mulheres a partir da perspectiva de mulheres, tendo como fio condutor editorial a intersecção de gênero, raça, classe e território.

 

Léu Britto – Di Campana

Léu Britto fotógrafo autodidata desde 2007. Iniciou sua carreira no Jornalismo dentro dos veículos Rede Brasil Atual, Agência Mural de jornalismo das Periferias, União Popular de Mulheres e Agência Popular de Cultura Solano Trindade. Empreendeu entre 2014 a 2017 na casa GOMA. Foi educador no Instituto Criar de Cinema, Fábrica de Cultura do São Luís e Programa Nextel – Espaço Agiliza 2018 e 2019. Já expos, individualmente na MONOGaleria em Fev 2017 no Sesc Campo Limpo e no “Otros Carnavales”. É integrante do DiCampana Foto Coletivo, desde 2016.

 

Pedro Barreto – Parabéns te odeio

Pedro Barreto é publicitário, marketeiro e designer, que usa a comunicação como ferramenta de luta social e política. Criou a Parabéns, Te Odeio! a primeira marca de presentes malcriados do Brasil. A empresa materializa brincadeiras e indiretas em ótimos presentes criativos com um pitadona de malcriação e diversão. Para Pedro a Parabéns, Te Odeio! é mais do que apenas uma empresa que vende presentes criativos, é uma empresa que ajuda as pessoas a lidarem com coisas difíceis de serem faladas.

 


 

Atividades culturais

Andrio – poeta
 Ator, escritor, educador e  produtor, Andrio é um artista da periferia de São Paulo, que dialoga com o público por múltiplas linguagens. Fundou o projeto Filhos de Ururaí, onde realiza intervenções poéticas nos vagões de trens da CPTM e Metrô. Lançou seu primeiro livro de poesias, “Dente de Leão” em 2017 e em 2019 a convite da fundação Educar D Paschoal, compõe a coletânea Leia Comigo, autor do livro “Corre”, romance juvenil sobre projeto de vida.

Nathielly Janutte – poeta
Poeta e ativista social, já atuou em coletivos culturais, em organização de saraus em Guaianases, atualmente circula com sua primeira publicação independente “Florescer”, um livreto de poesias sobre e para mulheres em processo de reconstrução de sí. Rueira da selva de pedra, flor, hora de aço, agente de redução de danos e estudante de pedagogia.

 

 

Sou do Samba ZL – grupo musical
O projeto “Sou do samba ZL” é originário da Zona Leste, no bairro do Itaim Paulista no Jardim Camargo Velho. O grupo foi criado em maio de 2018 em uma resenha na quadra de futsal e, desde então, Gilberto, Guilherme, Flavinho em conjunto com todo grupo vem atuando na região. O Grupo tem ainda como objetivo ajudar o próximo em diversas ações sociais e carrega o lema “Juntos somos mais fortes”

 

 

É preciso acelerar, mas não sem saber pra onde ir

0

Em um ano, o número de negócios de impacto no Brasil praticamente dobrou. Esta é uma das constatações feitas pelo 2º Mapa de Negócios de Impacto, a principal publicação sobre o cenário no Brasil, assinada pela Pipe.Social. Enquanto a primeira edição do estudo, de 2017, mapeou 579 startups, a que foi lançada em março deste ano identificou 1002 negócios que visam o lucro atuando para melhorar pelo menos um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para 2030.

Isso, porém, não quer dizer que a situação do empreendedor ficou mais fácil. Ou que o aumento signifique um maior número de empresas bem-sucedidas. Dos negócios de impacto que foram mapeados nessa segunda edição, 9% estão no estágio mais avançado, o de escala. Ou seja, apenas noventa estão estruturados, apresentam um crescimento sólido e são referências para o setor.

A maior fatia, 21%, encontra-se em um dos momentos mais cruciais da jornada empreendedora: o de organização do negócio, que significa que o produto está validado e com clientes, mas ainda é preciso arrumar a casa.

Somado com os 14% que estão no estágio de ganhar tração (ou seja, de engrenar o negócio) e com os 11% que ainda estão no MVP (sigla em inglês para Mínimo Produto Viável, o primeiro estágio após a validação da ideia), a quantidade de empreendedores de negócios de impacto que ainda está batalhando para fazer acontecer é quase metade.

Os dados que mostram que os negócios de impacto ainda não decolaram no país também revelam a necessidade dos empreendedores de apoio por parte do ecossistema. A pesquisa da Pipe.Social mostrou que 50% dos negócios já quiseram ser acelerados, embora ainda não tenham tido acesso a nenhum programa de aceleração.

“É desafiador a questão de não haver aceleração em quantidade, ter poucos agentes especializados em acelerar negócios de impacto. Você vê uma evidente oportunidade em apoiar negócios claramente desassistidos, como os de periferia ou liderados por mulheres. Além disso, tem muita startup precisando de apoio no early stage, e tem aceleração que não olha para quem está muito pequeno”,

Mariana Fonseca, cofundadora da Pipe.Social

Visando essa fatia do mercado, a organização lançou recentemente a Piper, uma comunidade para empreendedores de impacto, em que os membros têm acesso a mentorias, eventos e conhecimento básico sobre empreendedorismo por meio do pagamento de uma mensalidade de R$ 85. A iniciativa foi ao ar no início de 2019.

O modelo da Piper, em que o empreendedor paga para receber informação, não é único. A contrapartida financeira é a solução mais difundida entre as aceleradoras brasileiras. É o que mostrou a edição de 2017 do Guia 2.5, publicação organizada pela aceleradora Quintessa, que observa o ecossistema de apoio dos negócios de impacto. De todos os programas, 59% são pagos.

“Isso acaba sendo um impeditivo para quem está no estágio de validação porque ainda não está gerando caixa”,

Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa

A realidade por trás desse número revela um dos principais problemas encarados pelas próprias aceleradoras: ter um modelo de negócio saudável.

O dilema das aceleradoras

Uma pesquisa feita em 2016 pela maior rede de startups do planeta, a Gust, consultou 579 aceleradoras do mundo todo para mostrar que o modelo mais difundido, em que as as startups recebem aportes de dinheiro e conhecimento em troca de equity (porcentagem da empresa), não tem funcionado em termos de retorno financeiro.

O estudo mostrou que as aceleradoras investiram US$ 207 milhões em 11.305 startups em 2016. Apenas 7% dessas aceleradoras afirmaram ter tido retorno em cima do capital investido como a principal fonte de receita. O motivo é claro: a demora para uma startup em estágio de aceleração começar a faturar alto e retornar o investimento para os shareholders. A conta não fecha.

Ainda que seja excludente para o empreendedor no início da jornada, no Brasil, a solução mais difundida para garantir o sustento das aceleradoras é o modelo “pague por apoio”. Ainda segundo o Guia 2.5, 23% das aceleradoras e incubadoras se valem do formato ajuda em troca de equity e apenas 18% rodam o programa de aceleração de forma gratuita.

A solução que tem sido encontrada por diversas aceleradoras ao redor do globo é fazer parcerias com grandes empresas. Foi o que também mostrou o estudo publicado pela Gust, ao afirmar que quase 40% da receita das aceleradoras vinha de patrocínio ou programa de parceria com grandes corporações. No Brasil, várias contam com esse modelo de apoio externo formado por fundos para sustentar a operação, como é o caso da própria Quintessa.

Mais quantidade não significa melhor qualidade

Apesar da inerente dificuldade de se manter em pé, a oferta de programas de aceleração vem se mostrando cada vez maior ao longo dos anos. De acordo com a edição de 2017 do Guia 2.5, até 2012 doze organizações promoviam a aceleração desse tipo de negócio. Em 2017 esse número saltou para 34.

O aumento, para Anna de Souza Aranha, deve ser olhado com cautela. “Uma primeira reação é positiva, no sentido de que tem muito mais opção para o empreendedor. No entanto, temos sido bem provocativos porque algumas aceleradoras exigem dos empreendedores fazer um bom pitch, falar com transparência da sua proposta de valor, ter clareza do diferencial competitivo, mas não fazem a própria lição de casa. O que é negativo é que tem novos players que tocam o assunto ou com superficialidade ou com pouca responsabilidade.”

Uma das recomendações que Anna faz a qualquer empreendedor que esteja prestes a se candidatar a um programa é não parar na palavra “aceleração”, e sim analisar a fundo o programa. Qual o time que irá ajudar? Haverá mentoria? Qual a frequência dos encontros? “O tempo dos empreendedores é um dos bens mais valiosos que eles têm. Não importa que o programa seja gratuito. Se coloca o empreendedor numa sala e não agregou valor, você prejudicou esse empreendedor”, completa.

Entre as iniciativas recentes, uma que vale o destaque é a Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (Anip), um programa da aceleradora Artemisia feito em parceria com a produtora A Banca e o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV. Nascido em 2018, a Anip encontra-se hoje em sua terceira turma de acelerados, em um programa que conta com encontros temáticos presenciais, acompanhamento individual e mentoria pós-aceleração. Além disso, há a possibilidade de os empreendedores receberem um capital-semente de R$ 20 mil.

Anunciados em abril, os dez novos acelerados selecionados entre 168 candidatos estão espalhados por várias regiões periféricas de São Paulo, agregando negócios das zonas leste, norte e sul. Entre as startups selecionadas, 60% são lideradas por mulheres.

 

“Entendemos que é preciso ter muita responsabilidade, respeitar as necessidades locais e construir soluções de apoio que de fato favoreçam o crescimento dos negócios, empoderando quem realmente tem propriedade e conhecimento para estar na ponta, que no caso é a Banca. Nosso papel é contribuir, apoiar a Banca nesse processo”,

Priscila Martins, Relações Institucionais da Artemisia

 

Como todo cenário que envolve os negócios de impacto no Brasil, a questão da aceleração é complexa. Há indícios de que a necessidade de apoio por parte dos empreendedores acompanha o crescimento das startups do setor. A oferta de programas de aceleração, efetivos ou não, também vem aumentando e atrai olhares de grandes corporações que querem aliar seu nome à possibilidade de gerar impacto positivo na sociedade. Quais frutos esse ainda jovem mercado irá colher? O tempo e muito trabalho dirão.

O que você só faz se for por dinheiro?

0

Não somos especialistas em economia, mas acreditamos que quando uma pessoa resolve iniciar um negócio, deve pensar bem e considerar todos os prós e contras. Para as pessoas (negras) periféricas, esse passo pode ser ainda mais complexo, considerando as possíveis adversidades socioeconômicas pelas quais possivelmente irão passar.

Escolher algo que você consiga produzir, vender, comercializar, um negócio que você entenda bem, conheça o mercado, tudo isso é fundamental. Mas é importante também se questionar por que você escolheu esse negócio, e não qualquer outro.

Por que esse negócio o motiva?

Quando criamos o nosso coletivo, a nossa principal motivação era produzir jornalismo sobre mulheres da periferia, para atingir elas próprias. O dinheiro, a forma de sustentar o projeto, maneiras com as quais conseguíssemos pagar nossos boletos nem passou pela nossa cabeça naquele primeiro momento.

Com o decorrer do tempo, passamos a participar de diversas ações, a ser convidadas para atividades, concorrermos a editais. O dinheiro começou a entrar no caixa, e isso também passou a ser uma questão dentro do coletivo. Mas antes foi preciso nos estruturarmos para que o projeto se tornasse algo que depois seria visto como economicamente interessante e rentável.

Mesmo que um empreendimento não tenha um objetivo social, uma causa como a nossa, antes de pensar em só lucrar e ganhar dinheiro, é importante considerar se você realmente gosta daquilo que está se propondo a fazer, se vai conseguir fazer bem, se vai transmitir verdade para seus clientes, pois ela irá transparecer na qualidade de seu trabalho.

Empreender, sobretudo no começo, não é tarefa fácil, e provavelmente os retornos financeiros não serão tão imediatos, os perrengues vão ser muitos, a vontade de desistir pode aparecer a qualquer momento. Por isso, engaje-se verdadeiramente na sua ação, acredite e invista nela com esforço, mas também com carinho, pois, para persistir, é preciso estar mesmo envolvido, apaixonado. Que o lucro seja também aprendizado e impacto positivo

Anna Carolina Aranha: “Cada dólar investido e gasto é um voto por um mundo no qual a geração millennials quer viver”

0

O FORImpact – Family Offices de Impacto é uma iniciativa do ICE e da Impactix Consulting, criada com o intuito de inspirar famílias a investirem em negócios de impacto, de forma a promover mais experiências nesse campo. Desse modo, tais famílias e seus escritórios, com a aproximação ao ecossistema de impacto, podem ficar mais confortáveis para aumentar a quantidade de investimentos no setor.

Anna Carolina Aranha, fundadora da Impactix Consulting e cofundadora da Pipe.Social, é uma das articuladoras do programa, que visa prover fomentos a negócios com o propósito/de impacto em suas fases iniciais. “Cada uma das doze famílias [que fazem parte do FORImpact hoje] investiu por volta de R$100 mil dentro das seis empresas selecionadas. Tanto numa modalidade de dívida simples quanto dívida conversível”, afirma Aranha. Dos R$ 1,2 milhão, 15% foram utilizados para pagar a estrutura do FORImpact e o restante foi destinado às seis startups selecionadas (Sumá, Pluvi.On, VerBem, Fofuu, Gove e Pickcells), de modo que cada uma das empresas recebeu cerca de R$ 200 mil. Ela destaca ainda que, a partir dos estudos e mapeamentos desenvolvidos sobre o ecossistema, como o Mapa de Negócios de Impacto da Pipe.Social, verificou-se um gap no setor. “Sabemos que praticamente 40% desses negócios necessitam muito pouco para conseguir dar os primeiros passos dentro daquilo que a gente chama de vale da morte das startups. Elas precisam de R$ 200 mil para conseguir testar suas soluções, contratar time e colocar o piloto no ar – justamente para desenvolver as soluções de impacto socioambientais”, comenta Aranha, que completa:

“Há os fundos que têm capital para alocar, mas eles olham empresas maiores para investir 5, 10 ou 20 milhões. Ao mesmo tempo, a maioria das empresas de impacto está no cenário inicial da jornada, não conseguindo chegar ao estágio de maturidade nem a ponto de obter o ticket de investimento de 5, 10 milhões”.

Desse cenário vem a discussão entre o ovo e a galinha. “Os fundos reclamam que não há no pipeline empresas [com propósito] para investir, não tem um volume substancial dessas empresas, mas, ao mesmo tempo, não há quem invista nessas fases iniciais da jornada para que esses empreendimentos consigam passar pelo vale da morte e num volume de investimento dos fundos no Brasil”, explana a articuladora. No FORImpact, explica Aranha, a intenção é, portanto, unir essas duas pontas do ecossistema: aumentar o número de investidores de impacto e cobrir o gap de tickets menor em investimentos early stage, que, realmente, têm maior risco. Conheça mais o FORImpact e as ações e trocas das family offices com o ecossistema de impacto.

 

AUPA – Em qual parte do processo vocês estão hoje?

ANNA CAROLINA ARANHA – O FORimpact foi desenvolvido em 2018, sendo lançado em agosto. Estamos dentro de uma fase que já fizemos e passamos pela seleção dos negócios para investir: já fizemos os investimentos, os valuations, as análises e agora estamos justamente na fase de ver os planos de ação dessas startups e fazer o monitoramento dessas investidas. Na verdade, o FORImpact, junto com esse investimento, tem uma camada também de capacitação, onde também temos um conteúdo que aborda desde a formação de tese de investimento das famílias até a análise dos negócios inclusive dos principais setores de impacto, até também entender a medição de impacto, os veículos e as possíveis estruturas de investimento. Então, todos esses tópicos são abordados ao longo de dezoito meses desse programa, e esses investimentos vão ser acompanhados durante cinco anos com reports de monitoramento periódicos para que as famílias possam acompanhar esses investimentos.

 

AUPA – Como tem se dado a aproximação das famílias e dos family offices junto aos negócios de impacto?

ANNA CAROLINA ARANHA – Não há dúvida de que as novas gerações, sobretudo a geração millennials, já veio com outro chip. É uma geração que busca mais propósito e sustentabilidade. Cada dólar investido e gasto é um voto por um mundo no qual ela quer viver. Então, todo esse contexto de sustentabilidade, propósito, impacto ambiental, social e questão ética vem com muito mais força nessas novas gerações. E diferente das antigas, em que havia a mentalidade de: “Bom, vou ganhar dinheiro deste lado com a indústria, não importa o que ela está fazendo, poluindo ou não prestando atenção ao entorno, nos empregados na cadeia, enfim, pra poder, depois, acumular dinheiro e doar para uma filantropia”. A cabeça agora das novas gerações é como a gente consegue construir negócios do zero, que sejam já sustentáveis e que tragam um impacto maior ao mundo. Então, estamos vendo que essas famílias, principalmente os membros das novas gerações, vêm olhando com mais carinho para esses negócios de impacto. E não só sobre a questão de alocação, mas, muitas vezes, o foco de tentar suportar, ajudar, sentar em conselho, abrir networking e redes de oportunidade para essas empresas. Então, está sendo uma experiência muito bacana fazer esse coinvestimento de doze famílias, tentando se juntar para ajudar esses negócios a crescer e abrir novos canais, ter suporte financeiro, um suporte estratégico delas – elas têm a parte além de investimento financeiro, que é o suporte na mentoria desses negócios. Então está sendo superinteressante.

 

AUPA – Quais são os seis negócios de impacto selecionados pela FORImpact?

ANNA CAROLINA ARANHA – Há a Fofuuu, um software multiplataforma para ajudar crianças com problemas fonéticos, complementando a fisioterapia de fonoaudiologia. Hoje o governo não consegue suprir essa demanda, a população localizada na baixa renda não consegue pagar fonoaudióloga, então eles ofereceram um software/um sistema muito fácil, barato, lúdico e interativo para que as crianças possam fazer aqueles exercícios de fono.

Já a Pickcells é uma solução, um scanner na verdade, para detectar doenças negligenciadas, de uma forma muito rápida e barata. É um aparelho pequeno que pode ser usado de forma itinerante, porque é móvel. Você simplesmente tira o sangue, coloca algumas plaquetas à mostra, sobe para a nuvem e desce já com o diagnóstico rápido de doenças hoje negligenciadas, como esquistossomose e doenças comuns em pessoas em situação de baixa renda que os grandes laboratórios ou não têm interesse em desenvolver soluções para isso ou cobram caríssimo por elas.

A Pluvi.On é uma solução de estações meteorológicas pequenas, reduzidas, leves e mais baratas, para melhorar a acuracidade e poder avisar moradores, principalmente de áreas vulneráveis com chuvas e deslizamentos, quando houver alguma ocorrência meteorológica, para que eles possam se precaver, preparar e reduzir os danos e as perdas que essas famílias têm com as grandes tempestades.

A Sumá é uma plataforma que conecta produtores familiares com uma produção mais saudável e orgânica. Os pequenos produtores são muito achatados dentro da cadeia, a plataforma os conecta com os consumidores e, principalmente, B2B locais, como restaurantes e hotéis, reduzindo o custo para quem compra, aumentando as margens e a qualidade, tornando o comércio mais justo dentro dessa cadeia.

A VerBem faz óculos com valor acessível e dentro de uma tecnologia de barateamento do produto. A solução ainda permite que a venda de um modelo mais caro financie doações de produtos mais baratos, realizadas em grandes mutirões.

E há também Gove, que é uma plataforma que ajuda os governos, principalmente de municípios, a ter uma gestão financeira mais inteligente, gerando muita economia para as cidades, de uma forma bem inteligente, através da plataforma.

 

AUPA – Como vocês percebem a troca de ideias/saberes entre o ecossistema de impacto e as culturas que as famílias já têm em seus próprios negócios?

ANNA CAROLINA ARANHA – É muito interessante, não só pelo FORImpact, mas também pela experiência na Impactix, de dez anos suportando famílias nessa conexão com negócios de impacto. É gratificante porque, muitas vezes, acabo vendo a transformação que se pode gerar dentro de uma família: você criar uma tese de investimento, entender uma espinha dorsal comum de interesses da família, ajudar negócios de determinado setor ou de determinado tipo de impacto, que está relacionado à família, muitas vezes juntando e trazendo uma união familiar ao redor dos desafios que esses investimentos e essas empresas trazem. A gente também já recebeu muito feedback do aprendizado, que é do ponto de vista até empresarial, acerca da agilidade das startups para os grandes negócios que as famílias tocam, além da leveza que elas trazem, da rapidez com que tomam decisões – e tem que tomar pela fragilidade do negócio. Então, vemos que é realmente uma troca muito inteligente, não só as famílias ajudando esses negócios de impacto, mas também os negócios de impacto ajudando tanto na união das famílias, na satisfação de poder fazer um mundo melhor, com também algumas práticas e inspirações de agilidade e inovação.

Ana junto aos membros das famílias que aportaram recursos através da iniciativa realizada entre ICE e Impactix

 

AUPA – Há alguma predileção pelo aporte aos negócios que dialoguem com tecnologias? Ou mesma a ideia de ter uma fintech própria do FORImpact?

ANNA CAROLINA ARANHA – Quando a falamos de impacto, é inegável dizer que a questão da tecnologia traz uma possibilidade enorme de escala. Então, quando falamos em potencial de transformar a vida de milhões, com soluções que realmente sejam escaláveis, é muito difícil que isso não passe pela questão de tecnologia. E a gente vê que cada vez mais o mercado vem avançando com relação a isso. Sobre o FORImpact ter uma fintech: o propósito do FORImapct é trabalhar muito tailor-made com essas famílias para capacitar essas grandes fortunas e essas novas gerações para essa cabeça [voltada ao impacto]. A princípio, a curto e a médio prazo, acho que não faz sentido ter uma fintech do FORImpact agora.

 

 

Os caminhos do dinheiro no ecossistema de impacto

0

Fazer negócios e mudar o mundo. Esta premissa dialoga com a proposta de muitos negócios de impacto, mas qual é o caminho que o dinheiro para o investimento de impacto percorre? O paradoxo de muito dinheiro e pouco investimento no ecossistema ainda continua e é fonte para muito debate [leia mais aqui]

Para responder a essa pergunta, a Aupa entrevistou investidores e family offices e apurou dados sobre iniciativas do mercado e investimentos voltados à tecnologia. A apuração revela tendências no universo de impacto hoje e ajuda a entender a distância entre novos negócios e seus investidores.

Antes de chegarmos aos investidores, vale a pena avaliar o atual retrato do ecossistema.

De acordo com o 2º Mapa de Negócios de Impacto, lançado em março de 2019 pela Pipe.Social [disponível aqui], das 1002 empresas que fizeram parte da pesquisa, 43% não têm faturamento, 34% faturam até R$ 100 mil; 11%, entre R$ 101 mil até R$ 500 mil; 5%, de R$ 500 mil até R$ 1 milhão; 3%, de R$ 1 milhão até R$ 2 milhões; 4%, mais de R$ 2 milhões.

As fontes de recursos nesse retrato geral estão distribuídas da seguinte maneira:

  • investimento próprio (76%),
  • FFF (friends, family and fools; (25%),
  • sócio-investidor (11%),
  • instituto/fundação (11%),
  • aceleradora/incubadora (10%),
  • instituições públicas (9%),
  • empresas/corporate ventures (8%),
  • crowdfunding (8%),
  • anjo profissional (6%),
  • bancos de fomento (3%),
  • bancos privados (3%),
  • private equity (2%),
  • venture capital (2%),
  • crowdequity/crowdlending (1%)

Mas quem está conseguindo captar esse dinheiro? Das 1002 empresas, 85% (o que representa 849 empreendimentos) detalharam fontes e recursos utilizados para injetar recursos no negócio ao longo da jornada. Destas, segundo o estudo, 24% apenas captaram recursos de terceiros, 34% investiram capital próprio e também captaram recursos de terceiros e 42% apenas investiram capital próprio, ou seja, essas últimas não quiseram ou não conseguiram captar recursos.

As 490 empresas que captaram algum recurso puderam se deparar com uma diversificação de fontes, porém com baixo fluxo. “A rede própria é a principal fonte – acessada por um em quatro empreendedores –, enquanto os índices de participação de investidores profissionais se mantêm aquém do demandado”, atesta o estudo da Pipe.Social.

TECNOLOGIA ATRAI DINHEIRO

O pipeline brasileiro conta com a seguinte distribuição nas áreas de impacto: 46% voltados para as tecnologias verdes, 43% para a cidadania, 36% para a educação, 26% para a saúde, 23% para os serviços financeiros e 23% para as cidades. O uso de tecnologias atrai mais investimentos, torna o negócio mais escalável, e é comum ver essa associação partindo de iniciativas investidoras no mercado financeiro. As fintechs podem ser entendidas como essa junção entre tecnologia e mercado financeiro. Elas são startups de menor custo de operação, se comparadas aos bancos tradicionais e que visam otimizar serviços financeiros.

Quando pensadas no setor de impacto, trazem como proposta a diminuição da desigualdade social e a concessão de crédito a grupos identitários que dificilmente conseguem esse acesso. O Conta Black e o D’Black Bank [leia entrevista aqui] são alguns desses exemplos de fintechs voltados ao segmento social e étnico-racial, buscando o fortalecimento de grupos identitários e seus empreendedores, bem como a diminuição de desigualdades e violência. Das mais de quatrocentas fintechs registradas pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), 58% concentram-se na região Sudeste, mesma área que aglomera 62% dos negócios de impacto. Contudo, o desafio é aproximar essas startups financeiras sobretudo do empreendedor na periferia – ou seja, fazer esse dinheiro, de fato, ser escalado e circular onde o impacto socioeconômico e ambiental deve ser feito.

Quando os negócios envolvem tecnologia, segundo o Mapa da Pipe.Social, há mais retorno do investimento, tanto para quem apoia quanto para quem empreende. O empreendimento potencializa a proposta de valor do negócio e propicia o surgimento de inovações tecnológicas, trazendo mais impacto social e ambiental para escalar soluções.. Porém, vale destacar que cerca de 26% dos empreendedores sociais não utilizam ou apoiam alguma tecnologia inovadora.

 Anna Carolina Aranha, fundadora da Impactix Consulting e cofundadora da Pipe.Social, reforça que, quando o assunto é impacto, é inegável a questão da tecnologia como uma possibilidade de escala. “Quando a gente fala em potencial de transformar a vida de milhões, com soluções que realmente sejam escaláveis, é muito difícil que isso não passe pela questão de tecnologia. E a gente vê que, cada vez mais, o mercado vem avançando com relação a isso”, destaca ela. Na primeira edição do Mapa da Pipe.Social (2017), Aranha comenta que foram analisadas “todas as grandes tecnologias exponenciais, que propulsionariam ganho de escala dentro dessas soluções, como blockchain, impressora 3-D, inteligência artificial, IoT (Internet of Things; Internet das Coisas, em português) e drones. Mapeamos um monte de tecnologias e quando fomos perguntar a esses negócios o quanto eles usavam isso, a penetração era baixíssima: era 1%, 2% desse uso de tecnologia pela grande maioria dos negócios. Esse dado melhorou muito este ano, no segundo Mapa da Pipe.Social”, explica ela.

“O uso de tecnologia sempre proporciona maior escala. Óbvio que quando falamos em ter maior escala, se torna mais sexy do ponto de vista de potencial e impacto: são mais pessoas se beneficiando da solução, mas não necessariamente trazendo um impacto individual, muitas vezes, mais profundo”, alerta Aranha. Ou seja, a escala e a tecnologia não são as respostas para todos os problemas, e esta última não é indispensável para todo e qualquer tipo de projeto.

 

MERCADO FINANCEIRO: FAMILY OFFICES

O mercado financeiro também se faz presente e é protagonista no que diz respeito, sobretudo, aos investidores do ecossistema. As family offices são ponte para esse diálogo entre indivíduos de alta renda e o potencial investimento em empreendimentos voltados para causas, bem como fundos e produtos de impacto. Em fevereiro de 2019 o ICE e a Impactix reuniram um grupo de doze famílias para o FORImpact – Family Offices de Impacto, de modo a firmarem compromisso com coinvestimento direto em negócios de impacto socioambiental. Em 2018, essas famílias e representantes desses escritórios familiares tiveram seis encontros para se habituarem à temática do ecossistema. Seis negócios, selecionados após a chamada do ICE-BID, devem repartir o investimento de R$ 1,2 milhão nos próximos anos.

ICE e Impactix promoveram o grupo das famílias do FORImpact (crédito: divulgação ICE)

A família Zaher tem sua trajetória marcada pelo mundo da educação, a partir de empreendimentos do empresário Chaim Zaher, sendo dona do Grupo SEB, que é detentor de escolas como a Maple Bear e o Pueri Domus. A partir do FORImpact, a família faz sua primeira aproximação com o ecossistema de impacto, embora já venha tateando no setor. Thiciana Zaher, vice-presidente do Instituto SEB, associada do ICE e integrante do FORImpact, afirma que “a família entende que faz muito mais sentido produzir impacto na sociedade, contribuindo para a melhoria do ambiente social”. Ela ainda completa que

“o FORImpact foi a porta de entrada para que pudéssemos entender sobre negócios de impacto estruturados, ter contato com famílias interessadas no tema, bem como startups vocacionadas para negócios de impacto”,

Fernando Pedó, diretor executivo da TCA family office, que atende à família Zaher, entende que a contribuição das famílias pode auxiliar na mudança acerca da discrepância entre as possibilidades de investimento, tendo os family offices como opção, e os negócios que conseguem os subsídios, escapando do “vale da morte” – a cada dez empresas, sete não conseguem escapar de tal destino. “As famílias podem colaborar com técnicas de gestão de negócios, aproximando sua rede de contatos com os investidores, de modo a facilitar a linha de financiamento para negócios de impacto”, destaca Pedó sobre os ensinamentos e trocas de culturas dentro do ecossistema.

Quando se trata de investimentos com propósitos, a família Zaher tem preferência por negócios voltados à tecnologia para alocar seus subsídios, de modo a alinhar-se com os outros investimentos da família. “Sempre tivemos nossos propósitos alinhados aos avanços da tecnologia voltados para a educação”, diz a vice-presidente do SEB. Em relação a força do mercado financeiro, Zaher afirma: “Com certeza este pode influenciar o mercado de impacto, pois se eles [atores do mercado financeiro] começarem a voltar os olhos para os negócios de impacto, trarão mais investimento para o setor – com mais investimentos, o setor se sustenta trazendo, assim, mais empreendedores”.

Na Wright Capital Wealth Management, fundada por Fernanda de Arruda Camargo e Alexandre Gottlieb Lindenbojm, aportar 1% dos recursos faz parte da premissa apresentada a todas as famílias para as quais eles gerenciam o patrimônio. A Wright Capital, por intermédio de seus fundadores, une dois saberes fundamentais para o universo de impacto: Camargo é economista e Lindenbojm é advogado. E como convencer as famílias a conhecer esse novo universo: o ecossistema de impacto? “No começo era mais difícil, mas dado que para gente era uma condição, no final, o diálogo funcionava bem. Ressaltávamos que a intenção não era doar o dinheiro da família, mas sim apresentar uma classe de ativos que está em desenvolvimento, em estágios mais incipientes”, comenta Lindenbojm.

Para apresentar a proposta às famílias, a Wright Capital fez uso de um duplo argumento. (1) Ao longo de dez anos, a alocação desse capital inicial, se fosse perdido, não faria diferença alguma no patrimônio das famílias. “A gente não acreditava que ia perder tudo, mas caso acontecesse, sabíamos que teríamos mudado a vida de muitas pessoas”, explica o advogado. (2) O segundo é uma premissa de confiança bastante famosa no mundo das finanças: skin in the game. “Nós decidimos aplicar uma taxa zero na alocação de capital para essa classe de ativos. Assim, abrimos mão completamente da nossa remuneração caso a família aplicasse nessa classe de ativos. Foi um jeito de dizermos: ‘Estamos juntos! Vamos construir juntos, ajudar a criar e fortalecer o ecossistema, levando esses capitais com olhar mais humano”, enfatiza ele. Hoje, há famílias que chegam ao escritório da Wright Capital por conta desse propósito, garante o CEO.

“Atualmente a oferta para impacto está muito mais voltada ao venture capital, embora haja um grupo que está se organizando com private equity, que são tickets maiores. Agora estamos começando a ter ofertas de crédito – não dá para ter uma alocação muito grande em venture capital”, explica Lindenbojm. “Havendo uma agenda de impacto, para as famílias que têm interesse em começar a ver esse tipo de negócio se desenvolvendo, acaba sendo bastante interessante”, salienta o CEO. “Temos algumas famílias que acabaram coinvestindo diretamente em algumas empresas. Mas, dentro da nossa alocação, vamos soltando bem devagarzinho, para entender que precisa ter a responsabilidade para esse negócio dar certo e, dentro do nosso dever fiduciário, não podemos cruzar uma linha tênue”, orienta ele. Vale ressaltar que na Wright Capital o dinheiro é aplicado num fundo gestor, de modo que as áreas que recebem alocação não são por eles escolhidas.

Alexandre Lindenbojm da Wright Capital (crédito: agência Ophelia)

 

REFLEXÕES SOBRE O CAMINHO

Quem está conseguindo captar esse dinheiro? Na análise do fluxo de captação por perfil de negócio, ainda segundo o Mapa da Pipe.Social, observa-se baixa atuação de fundos e investidores fora das regiões Sul e Sudeste (no estudo, 14% e 62% das empresas de impacto encontram-se no Sul e no Sudeste. respectivamente). Dessa forma, a oferta chega com mais recorrência por intermédio de bancos de fomento, institutos, fundações e rede própria. Com relação ao recorte de gênero: mulheres (34% das respondentes da pesquisa) captam mais usando a rede própria, o governo e os bancos privados, enquanto os homens (representam 66% dos empreendedores entrevistados) estão viabilizando maior variedade de fontes e investimentos profissionais; 50% dos negócios têm apenas homens ou mais homens entre seus fundadores. Empresas no vale da morte também têm menor disponibilidade de capital, assim como negócios não acelerados e que não investem na medição do seu impacto. Negócios liderados ou com maioria societária formada por mulheres têm mais dificuldade de atravessar o vale da morte: enquanto esses negócios têm acesso a fontes como crowdfunding, FFF, instituições públicas e governo, bancos de fomento e comerciais, as empresas geridas ou de maioria masculina fazem uso mais recorrente de incubadoras e aceleradoras, empresas privadas, fundos de venture capital, fundos de private equity, instituições e fundações.


O caminho que o dinheiro segue, portanto, pode estar mais ligado ao dinheiro em si do que à própria causa ou ao potencial impacto das empresas. Mas o fato é que há também um movimento, sobretudo de escritórios de famílias abastadas, pensando num legado além do patrimônio em si – um impacto social que, de fato, toca na ferida de desigualdades e degradação que marca o mundo herdado pelos millennials e que esta geração precisa aprender a gerir. A motivação vai além da filantropia e “da beleza” do gesto. Negócios de impacto e/ou com propósito podem ser um caminho efetivo

Impacto na Feira Literária Internacional de Paraty

1

PARATY: Quando os livros e a literatura podem significar um real impacto social na vida das pessoas? Esse foi papo que contou com Fábio Deboni (Instituto Sabin), Edson Leitte (Gastronomia Periférica), Marcio Black (Fundação Tide Setúbal), Leonardo Letelier [SITAWI] e Kátia Rocha (Rede Educare).

Compartilhando de suas experiências e trajetórias de vida, os participantes falaram sobre a importância de levar a literatura para os espaços periféricos como papel de letramento, mas também formação política; assim como se discutiu o papel da pauta de organizações e institutos de impacto como agente de mudanças na sociedade.

Após o bate papo houve lançamento do novo livro de Fábio Deboni pela Aupa | Books, selo editorial especializado em Impacto social do portal Aupa. Edson Leitte também autografou seu livro Porque criei a Gastronomia Periférica.

 


“A literatura praticada na periferia além do papel de alfabetizador e de letramento, tem também um papel de formação política, porque os saraus foram as únicas expressões de cultura periférica não foram reprimidos nas últimas décadas. As pessoas nas periferias podem dizer que essa literatura consegue dialogar com a realidade delas”.
Márcio Black

 

“A gente precisa entender quem são essas pessoas que fazem parte de todas as periferias. Não é o Cidade Alerta que vai contar o que acontece no Capão Redondo, somos nós. O rico e o pobre precisam estar juntos, trocando ideia, aí o Estado não aguenta, porque foi o Estado que separou a gente”.
Edson Leitte 

 

“Qual impacto estamos falando? A gente quer um ‘selinho de impacto’, ou queremos uma real transformação. E para quem é esse impacto? É para quem tá na ponta? Há uma linha tênue entre a necessidade do resultado corporativo e a das respostas à base que necessita do trabalho”
Fábio Deboni

“Quando eu não consegui responder ‘negócios pra quem, finanças pra quem’, eu decidi que precisava fazer alguma coisa. Mas eu não me via como agente de mudanças, eu me via como alguém com ativos e privilégios que poderia ajudar”. Leonardo Letelier

 

“Foram as mulheres da minha família que me educaram – e eram analfabetas. A gente estudava até o momento de casar e aí parava. É por isso que sempre que olho para uma menina, eu penso na educação dela e quero saber como foram as antepassadas dela, se elas tiveram acesso à educação ou não”. Katia Rocha

 

Zona Leste recebe o 1º Fórum de Negócios de Impacto da Periferia para impulsionar o setor e reunir empreendedores sociais no território

0

EVENTO: as periferias de São Paulo e a atitude empreendedora da população sempre foram terreno fértil para a criação de muitos negócios regionais. Mas foi só na última década que a junção dessa potencialidade somada a necessidade de soluções em negócios visando resolver problemas sociais, ganhou importância dentro e fora do território. Esse ambiente inovador fez surgir os negócios de impacto periférico e a Zona Leste, a maior periferia da cidade de São Paulo, como um pólo potencial para o setor.

Fruto da articulação entre fomentadores locais das periferias da Zona Leste e da Zona Sul, nasce o 1º Fórum de Negócios de Impacto na Periferia realizado na Zona Leste – a Zona Sul já está na segunda edição. O objetivo do Fórum é promover um encontro entre os diferentes segmentos do Ecossistema de Negócios Sociais e é endereçado para empreendedoras e empreendedores das periferias da cidade de São Paulo, em especial a periferia da Zona Leste dentro do quadrilátero formado por Itaquera, São Miguel, Itaim Paulista e Cidade Tiradentes. A organização contará com a colaboração de articuladores, empreendedores, investidores e atores relevantes ligados aos Negócios de Impacto Social e da Economia Criativa no Brasil.

O 1º FNIP ZL será realizado das 9h às 15h no Galpão ZL, localizado na Rua Serra da Juruoca, 112, no Jardim Lapena, dentro do espaço da Fundação Tide Setubal.

Será um dia de muita conexão e formação empreendedora, com mais de 15 palestrantes convidados, exposição de cases de Negócios de Impacto da Periferia e 3 mesas temáticas com a presença de empreendedores, representantes do governo, fundações e institutos de todo o País.

O evento ainda contará com a participação de grupo musical local, feira de empreendedores e literatura periférica, além de outras atividades.

Para participar do evento gratuito, os interessados devem fazer inscrição online para adquirir o ingresso.

Inscrição no sympla: 

Mais informações no portal Aupa:

Evento no Facebook:

 

IDEALIZAÇÃO: ANIP / A Banca

REALIZAÇÃO: Fundação Tide Setubal, Emperifa e Bancadão 

MÍDIA OFICIAL: Aupa

 

 

 


Programação:

 

9h  Recepção e café da manhã

9h20  Boas-vindas: poesia com Andrio Candido e Nathielly Janutte

9h40  Apresentação: Dj.Bola (ANIP) e Susanne Sassaki (Aupa)

9h50 Acolhida: Greta Salvi (Fundação Tide Setúbal)

10h às 11h

PAINEL DE ABERTURA

“O que são Negócios de impacto periférico?”

Quais são as principais motivações que levam empreendedores sociais do território a criarem empresas e soluções focadas nos problemas da periferia? E por que essa é uma grande oportunidade de negócio para quem quer começar – ou melhorar- um empreendimento local e ainda melhorar as condições da população mais vulnerável. Para ajudar a responder o que está por trás de um negócio de impacto periférico, três grandes referências do setor irão compartilhar os desafios enfrentados em seus negócios sociais de impacto.

MESA: Matheus Cardoso, nascido no Jardim Pantanal e criador do Moradigna, negócio de impacto com foco em reformas de casas para população de baixa renda; Débora Luz, cofundadora do Clube da Preta, solução que conecta afro-emprendedores com seus consumidores e Fabiana Ivo, diretora pedagógica da produtora cultural e social A Banca. A mediação fica por conta de Greta Salvi, coordenadora de inovação e empreendedorismo da Fundação Tide Setubal.

11h30 às 13h (mesas concomitantes em três espaços)

 

MESA 1

“Investimento, formação e conexões para fortalecer o empreendedorismo social na ZL”

É fato: existe grande oferta de capital para investir no setor de impacto social. Mas, esses recursos realmente chegam nas mãos dos empreendedores das periferias? E quando o dinheiro vem, quem apoia os empreendedores durante a jornada? Conheça os programas, atores e iniciativas que estão construindo o campo de investimento e apoio ao empreendedor na periferia da Zona Leste hoje. De universidades, passando por governo e investimento social privado, um debate sobre o papel de cada organização no fortalecimento dos negócios de impacto na ZL. 

PITCH: (Abertura da mesa com um breve relato de um empreendor sobre seu negócio de impacto) Diogo e Diego são os criadores da PL4way, escola de inglês com método inovador de ensino e preços acessíveis. Os fundadores são da Zona Leste e irão dividir a trajetória do negócio que já recebeu investimento e foi acelerada pelo Vai Tec.

MESA: Viviane Naigeborin, superintendente da Fundação Arymax; Natalia Menezes, gerente de investimento social da Via Varejo, Frederico Celentano, diretor-presidente da Ade Sampa, Agência São Paulo de Desenvolvimento do município; Jane Marques, professora do curso de Mestrado Profissional em Empreendedorismo Profissional da EAC/USP-Leste. A mediação fica por conta de Ednusa RIbeiro, empreendedora e co-fundadora do coletivo Meninas Mahin que promove feiras na Zona Leste.

 

MESA 2

“Criatividade como fator estratégico nos negócios periféricos”

A criatividade é um fator presente nas periferias e também um grande desafio para os empreendedores sociais. O centro do debate e a proposta dessa mesa está em como utilizar a “ferramenta criatividade” para transformar negócios e potencializar os resultados. Através de estudos de casos de empreendedores e de apoiadores de negócios da indústria criativa, algumas orientações são colocadas à mesa para auxiliar a estratégia de negócios sociais que buscam a inovação. 

PITCH: (Abertura da mesa com um breve relato de um empreendor sobre seu negócio criativo) Parabéns, te odeio é a primeira marca de presentes malcriados do Brasil. A criatividade foi um fator predominante que norteou a criação de Pedro, fundador da empresa que dividirá o conceito com os participantes. 

MESA: Edson Leite, chefe de cozinha e fundador do Gastronomia Periférica, Klaibert Miranda, educador, palestrante de inovação e cocriador do EmpreendeCasa; Flavia Viana, coordenadora de inovação social da OI Futuro, Effie Vourakis, gerente de Desenvolvimento de Economias inclusivas e Criativas do British Council Brasil. A mediação fica por conta dos educadores e empreendedores do Emperifa, negócio que apoia e forma empreeendedores com atuação na Zona Leste.

 

MESA 3

“Oficina de comunicação de impacto na (e para) quebrada”

A comunicação independente ganha cada vez mais espaço e força. E é pela ação dos coletivos das periferias que as narrativas são contadas e produzidas. São jornalistas, fotógrafos e youtubers comunitários que comunicam o dia a dia da quebrada para a própria quebrada. É nesse contexto onde a comunicação se tornou peça fundamental que a apropriação de meios e mensagem deve ser apropriada pelos seus próprios protagonistas. Nessa oficina mão na massa, comunicadores darão dicas de como empreender e comunicar na periferia. 

PITCH: (Abertura da mesa com a apresentação do webdocumentário Perimpacto)

A Aupa é uma plataforma de jornalismo com foco na produção de conteúdo sobre negócios de impacto social. Em parceria com a produtora Zine Filmes produziram um documentário sobre periferia, investimentos e iniciativas locais que será exibido para o debate: como produzir narrativas na periferia?

MESA: Léu Brito, fotógrafo e integrante do coletivo de fotografia da periferia “DiCampana”, Regiany Silva, jornalista e cofundadora do coletivo “Nós, mulheres da Periferia” de Artur Alvim; Cacau Ras, produtor cultural e criador do portal independente “Portal Cultura Leste”. A mediação fica por conta do cofundador do portal Aupa, Ivan Zumalde que atua na região leste com comunicação e empreendedorismo social.

 

13h15

ENCERRAMENTO

Diálogos da Leste e apontamentos para o futuro:

com Ana Paula Nascimento (Preta Produções) e Priscila Novaes (Kitanda das Minas)

 

13h30 às 15h

CONFRATERNIZAÇÃO

  • Apresentação do grupo de Samba “Sou do Samba ZL”
  • Mesas de empreendedores locais
  • Feira de Literatura Periférica
  • Feira de Artesanato
  • Venda da Cerveja artesanal da Periferia – Pokazideia/Gastronomia Periférica
  • Venda de culinária ancestral das mulheres negras – Kitanda das Minas

 


 

Confira os palestrantes:

 

Vivianne Naigeborin – Fundação Arymax

Pioneira na criação do campo de negócios de impacto no Brasil trabalha com empreendedorismo social há 20 anos. Atualmente é Diretora-superintendente da Fundação Arymax cujo novo foco de atuação é a inclusão produtiva de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica no universo de trabalho. De 2007 a 2019 foi Assessora Estratégica da Potencia Ventures, tendo apoiado a criação de iniciativas-chave no país como Artemisia, Vox Capital, Impact Hub e Polo ANDE Brasil. De 2000 a 2007 trabalhou na Ashoka, como Diretora Internacional de Parcerias Estratégicas e de Integração da América Latina. Em 2014 foi selecionada pela Universidade de Yale como Yale World Fellow.

 

Matheus Cardoso – Moradigna

Nascido no Jardim Pantanal – periferia da Zona Leste, e criador do Moradigna, negócio de impacto com foco em reformas de casas para população de baixa renda, Matheus é um dos pioneiros no ecossistema de impacto com foco em moradia. Mestre em politicas públicas para habitação e empreendedor social, Matheus também é consultor e palestrante de inovação na Fábrica de Criatividade e TEDx e foi reconhecido pela Forbes como um dos jovens mais influentes do Brasil em 2018.

 

Edson Leite – Gastronomia Periférica

Edson Leite é chef de Cozinha, assistente social, Educador social e trabalhou em restaurantes importantes da Europa. No Brasil foi subchef do Clube Pinheiros – SP. Docente em organizações sociais na área de gastronomia para adolescentes. Fundador do Gastronomia Periférica e cocriador do aplicativo Gastronomia Periférica; hoje coordena e leciona a área técnica da Escola de Gastronomia Periférica, além de curador do Festival Sabor da Quebrada.

 

Effie Vourakis – British Council

É gerente de Projetos do British Council no Programa DICE (Developing Inclusive and Creative Economies) que apoia a economia criativa com o impacto social no Brasil, Egito, Paquistão, Indonésia e África do Sul. Foi Gerente de Projetos do Programa de Artes do British Council no Brasil  (2014-2016) na área de Museus, Artes Visuais, Arquitetura, Design e Moda. Trabalhou na Bienal de São Paulo e, durante os dez anos em que morou e trabalhou na Europa, foi curadora de artistas emergentes em Londres além de trabalhar com  produção e curadoria em várias bienais de arte como a 2ª Bienal de Artes de Moscou.

 

Débora Luz – Clube da Preta

Fundadora do Clube da Preta e influenciadora digital com 169 mil seguidores no Instagram e mais de 50 mil em seu canal no YouTube, a brasiliense de 29 anos formada em museologia pela Universidade de Brasília (UnB). No ambiente acadêmico, Débora passou a pesquisar sua ancestralidade africana e a questionar sua identidade, processo que a inspirou a assumir sua identidade, numa transição que a transformou em influência para outras centenas de milhares de mulheres afrodescendentes por todo o país. Desde então, ela se divide na atuação como empreendedora no Clube da Preta, ao lado do sócio, Bruno Brígida, e o trabalho com marcas de cosméticos como Natura, The Body Shop, Embelleze, Salon Line, L’Óreal, Neutrox, Skala e Quem Disse, Berenice?, entre outras.

 

Fabiana Ivo – A Banca/ANIP

Diretora pedagógica da produtora Cultural e Social A BANCA, pedagoga e graduanda em Letras, educadora com mais de 14 anos de experiência em redes nacionais de educação popular, direitos humanos e feminismo. Pesquisadora de Literatura Marginal, compõe a gestão da ANIP e busca nas ações dar destaque as mulheres empreendedoras no ecossistema de negócio de imapcto, seja o tradicional ou da periferia.

 

Greta Salvi – Fundação Tide Setubal

É mestre em sustentabilidade pela Universidad Politécnica de Cataluña e atuou em diferentes organizações como Agencia de Ecologia Urbana de Barcelona e Sistema B. Atualmente é coordenadora de inovação na Fundação Tide Setubal onde tem como missão articular diferentes oportunidades para empreendedores de periferias que contribuam para a redução de desigualdades sociais.

 

Ednusa Ribeiro – Meninas Mahin

Ednusa Ribeiro é Administradora, Gestora Pública no Governo do Estado de São Paulo Especializada em Gêneros e Etnias e Gestão de Recursos Humanos, que com a ajuda de Vilma Wicky coordenam o Coletivo Meninas Mahin tem como objetivo fomentar o empreendedorismo da mulher preta e contribuir no combate as desigualdades raciais mediante atividades afirmativas que são promovidas nas feiras Afro Meninas Mahin, através da prática interdisciplinar, ou seja, a integração com atividades: artesanais, artísticas, esportivas, musicais, literária, oficinas, ações de cidadania, entre outras.

 

Jane Aparecida Marques – EACH – USP Leste

Professora Associada na área de Comunicação e Marketing da Universidade de São Paulo, atua no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte e no Mestrado Profissional em Empreendedorismo, ambos da Universidade de São Paulo, e no curso de Graduação e Marketing. Líder do Grupo de Pesquisa em Comunicação, Inovação e Criatividade, Jane se dedica a estudos nas áreas de marketing cultural e artístico, inovação, indústrias culturais e criativas e empreendedorismo.

 

Flávia Vianna – OI Futuro

Coordenadora de Inovação Social e Esporte do Oi Futuro, Flávia acredita no potencial humano e na capacidade de realizar conexões do bem para criar uma sociedade mais justa e com equidade. Foi com essa inspiração que mudou sua trajetória profissional nas áreas de gestão e negócios e há treze anos atua no apoio a organizações e empreendedores que buscam soluções inovadoras para transformação social. Coordena a área de inovação social e esporte no Oi Futuro, é mestre em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas, pós graduada em Gestão de Risco pela UFF e graduada em economia e serviço social.

 

Priscila Novaes – Kitanda das Minas

Pesquisadora, cozinheira e produtora cultural. Formou-se em Técnica e graduanda em Gestão Empresarial pela Faculdade de Tecnologia – FATEC Mauá. É fundadora do Coletivo Mulheres de Orí onde lida com as questões voltadas ao desenvolvimento econômico das mulheres e enfrentamento a violência doméstica. Priscila é proprietária da Kitanda das Minas, empreendimento que utiliza a gastronomia afro-brasileira como instrumento para o empoderamento feminine e é coautora do livro “Ajeum – O Sabor das Deusas” que aborda temas como religiosidade, comércio de rua e patrimônio imaterial brasileiro.

 

Frederico Celentano –ADE SAMPA

Advogado formado pela USP, com graduação e pós-graduação em Ciências Políticas por Sciences Po – Paris e com mais de 20 anos de experiência em projetos de microfinanças, microcrédito e educação financeira para as populações de baixa renda, Frederico é atualmente Presidente da ADE SAMPA – Agência São Paulo de Desenvolvimento. Foi, entre 2016 e 2018, responsável pela reestruturação do FIDC Empírica Pérola; entre 2003 e 2016 coordenador de projetos no Itaú Unibanco e trabalhou em diversos estudos sobre microcrédito, crédito habitacional e empreendedorismo de baixa renda para o SEBRAE, PMSP, Banco Mundial, entre outros.

 

Ana Paula Nascimento – Preta Produções

Moradora de Cidade Tiradentes e proprietária da A.Preta Produções, Ana é formada em Pedagogia, e atua como educadora social e gestora de empreendedorismo de impacto social na articulação, mobilização, capitação e geração de renda nos territórios da zona leste e as demais regiões da cidade. Desenvolveu trabalhos com a UNICEF de 2014 à 2016 na PCU (Plataformas de Centro Urbanos/Mapeamento de violência e vulnerabilidade) e integrou o coletivo “Quilombo Urbano” e “Marcha das Mulheres Negras”. Ana também atuou no equipamento público do Centro de Formação Cultural Cid. Tiradentes (CFCCT), como Coord. Pedagógica e atualmente coordena a Feira de Exposição “EmpreendTiradentes” e “Primavera Empreendedora”.

 

Diego Ramos – 4way

Sócio Co-fundador e empreendedor social na escola de inglês “4way”, Diego é formado no curso técnico de Administração em Hotelaria pelo colégio e faculdades Eniac (onde aprendeu suas primeiras frases em inglês), Graduando em Introduction Business Managment pela Brigham Young University, é Gerente Comercial Júnior, atualmente cursando direito pela universidade Anhanguera. Prestou serviço voluntário como missionário religioso por 2 anos onde desenvolveu experiência em lidar com público e liderança de grupo, além de adquirir fluência no idioma inglês. Afiliado pelo conselho binacional de certificado TESOL, hoje influencer em construção e empreendedor social.

 

Diogo Bezerra – 4way

Sócio Co-fundador da escola de Inglês 4WAY, nascido e criado em São Paulo, Diogo é formado em Marketing pela Universidade Morumbi e no Pathway, programa de desenvolvimento de habilidades de liderança, pela faculdade americana BYU-Idaho. É também Embaixador da Rede Pense Grande da Fundação Telefônica. Diogo morou em Portugal por dois anos, assim como na Inglaterra e Espanha e, durante suas experiências, desenvolveu um amor ao Empreendedorismo Social, e acredita que através do ensino de Inglês de qualidade, jovens e adultos das periferias podem sim mudar suas realidades sociais.

 

Klaibert Miranda – Empreender Casa

Educador, EUpreendedor e palestrante apaixonado por criatividade, inovação, novas tecnologias e acima de tudo pelo ser humano e seu potencial infinito, Binho é designer digital por formação. Tem pós graduação em Inovações em Tecnologias Educacionais e Psicologia Positiva (ciência que estuda a felicidade), e é co-criador da EmpreendeCasa. Consultor nas áreas de Internet e Marketing Digital no Senac e SEBRAE, docente no Senac, Binho ministra cursos na área de internet, marketing digital, empreendedorismo e desenvolvimento pessoal, além de facilitador voluntário em alguns Projetos Sociais.

 

Cacau – Portal Cultura Leste

Nascido no bairro do Itaim Paulista, começou sua trajetória no Colégio Público Condessa Filomena Matarazzo onde foi responsável pela criação da primeira Rádio Escola de São Paulo em 1993 a Rádio Filó, projeto pioneiro na cidade. É Pós graduando em Psicologia Política pela Universidade de São Paulo –USP com o projeto de Educomunicação e especialista em  Cinema e Linguagem Audiovisual, pela Universidade Estácio. Ganhador de diversos prêmios no cinema e no jornalismo como o festival de cinema de GRAMADO, Cacau produziu diversos curtas metragens e atualmente é gestor da Casa de cultura do Itaim Paulista com o também produtor cultural Pedro Moreira. Juntos formam o portal de cultura independente Cultura Leste.

 

Regiany Silva de Freitas – Nós, Mulheres da Periferia

Moradora da zona leste é co-fundadora do coletivo Nós, mulheres da periferia. Gerente de produtos no Portal Porvir, formada em Design Digital, pela Faculdade Impacta, com pós-graduação em Mídia, Informação e Cultura pelo CELACC, USP e mestre em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, pela PUC São Paulo. Atua no coletivo jornalístico “Nós, mulheres da periferia” que tem como principal diretriz disseminar conteúdos autorais produzidos por mulheres a partir da perspectiva de mulheres, tendo como fio condutor editorial a intersecção de gênero, raça, classe e território.

 

Léu Britto – Di Campana

Léu Britto fotógrafo autodidata desde 2007. Iniciou sua carreira no Jornalismo dentro dos veículos Rede Brasil Atual, Agência Mural de jornalismo das Periferias, União Popular de Mulheres e Agência Popular de Cultura Solano Trindade. Empreendeu entre 2014 a 2017 na casa GOMA. Foi educador no Instituto Criar de Cinema, Fábrica de Cultura do São Luís e Programa Nextel – Espaço Agiliza 2018 e 2019. Já expos, individualmente na MONOGaleria em Fev 2017 no Sesc Campo Limpo e no “Otros Carnavales”. É integrante do DiCampana Foto Coletivo, desde 2016.

 

Pedro Barreto – Parabéns te odeio

Pedro Barreto é publicitário, marketeiro e designer, que usa a comunicação como ferramenta de luta social e política. Criou a Parabéns, Te Odeio! a primeira marca de presentes malcriados do Brasil. A empresa materializa brincadeiras e indiretas em ótimos presentes criativos com um pitadona de malcriação e diversão. Para Pedro a Parabéns, Te Odeio! é mais do que apenas uma empresa que vende presentes criativos, é uma empresa que ajuda as pessoas a lidarem com coisas difíceis de serem faladas.

 


 

Atividades culturais

Andrio – poeta
Ator, escritor, educador e  produtor, Andrio é um artista da periferia de São Paulo, que dialoga com o público por múltiplas linguagens. Fundou o projeto Filhos de Ururaí, onde realiza intervenções poéticas nos vagões de trens da CPTM e Metrô. Lançou seu primeiro livro de poesias, “Dente de Leão” em 2017 e em 2019 a convite da fundação Educar D Paschoal, compõe a coletânea Leia Comigo, autor do livro “Corre”, romance juvenil sobre projeto de vida.

Nathielly Janutte – poeta
Poeta e ativista social, já atuou em coletivos culturais, em organização de saraus em Guaianases, atualmente circula com sua primeira publicação independente “Florescer”, um livreto de poesias sobre e para mulheres em processo de reconstrução de sí. Rueira da selva de pedra, flor, hora de aço, agente de redução de danos e estudante de pedagogia.

Sou do Samba ZL – grupo musical
O projeto “Sou do samba ZL” é originário da Zona Leste, no bairro do Itaim Paulista no Jardim Camargo Velho. O grupo foi criado em maio de 2018 em uma resenha na quadra de futsal e, desde então, Gilberto, Guilherme, Flavinho em conjunto com todo grupo vem atuando na região. O Grupo tem ainda como objetivo ajudar o próximo em diversas ações sociais e carrega o lema “Juntos somos mais fortes”

 

 

Destaques do Portal

Aupa cria identidade para o Guia do Voto 2024

Projeto editorial contemplou produção de textos e design, além de edição impressa e criação de peças de divulgação e versão inglês.