Questões raciais e Covid-19: instituições do movimento negro se mobilizam para mudar estatísticas
Dados da Rede Nossa São Paulo apontam: o Covid-19 é mais letal para a população negra na capital paulista. Um levantamento da instituição cruzou dados de vários bairros e identificou que locais com mais pretos e pardos possuem mais mortes pelo vírus.
Jardim Ângela (60%) e Grajaú (57%) são os distritos com maior proporção de negros entre os habitantes e registram um alto número de óbitos por Covid-19, sendo 507 mortes – dados de 24 de junho, data em que a pesquisa foi divulgada.
Já os distritos com menor proporção de população negra entre os moradores, como Alto de Pinheiros (8%) e Moema (6%), apresentaram um baixo número de óbitos pela doença, com 110.
Segundo o levantamento divulgado pela revista Época, em parceria com a consultoria Lagom Data, 61% dos mortos por Covid-19 eram pretos e pardos, de acordo com os dados de 54.488 vítimas. Os números falam por si só. Apesar de o vírus não escolher suas vítimas por CEP ou raça, as vulnerabilidades que essas pessoas enfrentam potencializam a forma como a doença se materializa.
Iniciativas para mudar essa estatística e ajudar pessoas, especialmente as negras e periféricas, que enfrentam o descaso do Estado, têm mobilizado diversas instituições. “Logo no início da pandemia, estávamos preocupados e acompanhando a questão da água podre aqui no Rio de Janeiro. Sabíamos que várias comunidades não têm abastecimento regular de água. Percebemos que essa era uma das necessidades”, afirma Debora Pio, coordenadora de campanha no Nossas, rede de ativismo para mobilização
Após detectar essas dificuldades, a organização percebeu que vários coletivos cariocas estavam fazendo financiamentos individuais para ajudar comunidades mais vulneráveis. Foi aí que tiveram a ideia de juntar todos os grupos para lançar uma campanha única com o objetivo de arrecadar fundos para compra de máscaras, kits de higiene e cestas básicas.
O financiamento coletivo Covid-19 nas Favelas arrecadou R$ 100 mil apenas na primeira semana, em março deste ano. Este montante já foi distribuídos para os coletivos que atuaram nas questões emergenciais das favelas. Segundo o Nossas, cerca de 2.600 famílias já foram ajudadas.
A campanha ainda está no ar, sem previsão de sair, já que a pandemia continua impondo necessidades aos mais vulneráveis. Os coletivos envolvidos na ação são: Coletivo Fala Akari, B.A.S.E, Coletivo Papo Reto, Conexão Favela e Arte, Maré 0800, Movimento Caxias, SAAF e União Coletiva Pela Zona Oeste. A plataforma já recebeu mais de R$ 250 mil.
“Incentivamos também que as pessoas que queiram doar uma quantia grande, também faça direto às instituições”,
comenta Debora Pio, do Nossas.
Ao mesmo tempo que o recorte racial é importante para entender como o Covid-19 impacta os diferentes públicos, também é necessário considerar os efeitos da intersecção raça e gênero. As mulheres negras, majoritárias em trabalhos domésticos, têm sido amplamente afetadas pela crise sócio-econômica escancarada pelo vírus.
Segundo a pesquisa do Dieese “Quem cuida das cuidadoras: trabalho doméstico remunerado em tempos de coronavírus”, 46,0% das mulheres negras que trabalham em serviços domésticos são chefes de seus domicílios. O relatório afirma que “A necessidade de distanciamento social fez aumentar a carga de tarefas para muitas trabalhadoras, que também ficam expostas à contaminação, por permanecerem exercendo a atividade. Por outro lado, grande parcela foi dispensada do emprego por causa dos efeitos econômicos da crise e também por ser vista como agente de transmissão”.
Diante dessa realidade desigual, a ONG Criola, em parceria com Instituto Marielle Franco, PerifaConnection e Movimenta Caxias, criaram o Agora é a Hora, uma articulação para ampla de apoio de enfrentamento ao Coronavírus em comunidades vulneráveis do Rio de Janeiro, atendendo, principalmente mulheres negras.
Além da distribuição de mais de 5.000 cestas básicas, informação para prevenir o Coronavírus, além do suporte tecnológico e para resolver problemas de documentação – que impactam no acesso às políticas públicas – têm sido realizados. Mais de 40 lideranças do Rio de Janeiro foram treinadas para desenvolver as atividades frente às mais diversas comunidades cariocas.
Lúcia Xavier, coordenadora da Criola, ressalta os desafios específicos que as mulheres negras enfrentam no contexto pandêmico. “Para as mulheres negras há um fator complicado, pois elas cuidam dos doentes da família e ainda precisam gerar renda para sobreviver”, disse.
Ainda segundo Lúcia, a pandemia reforçou o distanciamento das autoridades públicas com a população. “As pessoas nem sabem quem são os Secretários, não sabem onde estão os serviços, pois não são visíveis”, afirma.
Para realizar as ações, a articulação conta com apoiadores, como Instituto Unibanco, Open Society e Instituto Social do Clima. E também doadores pessoas físicas.
Outro aspecto importante é como os negócios de empreendedores negros e negras são impactados pela pandemia. A Preta Hub, aceleradora do empreendedorismo negro no Brasil, mudou totalmente a forma de operar para continuar atendendo o público-alvo.
“Tivemos que remodelar praticamente tudo o que fazemos. Operamos no contexto off-line durante muito tempo. Temos tentado aprender os processos de digitalização. Tanto da perspectiva da infraestrutura e do letramento digital”,
comenta Adriana Barbosa, CEO da Preta Hub.
Um fundo emergencial com mais cinco organizações também foi criado para ajudar empreendedores negros ao redor do Brasil. “Já conseguimos captar R$ 800 mil para empreendedores e mais um percentual para organizações sociais. Estamos apoiando mais de 500 empreendimentos em 10 Estados”, conta Adriana. As organizações participantes são Instituto Feira Preta, Associação AfroBusiness, Agência Solano Trindade de São Paulo, Vale do Dendê Salvador, Instituição Afro-latinas de Brasília, FA.VELA de Belo Horizonte.
Neste cenário desafiador, a união entre diferentes coletivos e organizações é o ponto em comum das iniciativas. “O que ajudou a fazer o processo de financiamento foi nos juntarmos para não nos canibalizarmos. Foi uma estratégia para mitigar a questão que estamos vivendo”, ressalta Adriana Barbosa.
Outro lado
Em busca de mostrar uma outra perspectiva dos negros na pandemia, o publicitário e influenciador digital Gleidistone Silva decidiu criar uma websérie para mostrar a participação da população no combate ao Coronavírus.
“A gente sempre vai ser noticiado como o lado de quem está morrendo, mas precisamos dar espaço para essa galera que está protagonizando, reconhecer o trabalho que está sendo feito e serve de inspiração”,
conta Gleidistone.
A websérie #PretosNoFront conta com três episódios que abordam negros e negras em três frentes: saúde, mobilização e comunicação. Segundo ele, os temas foram escolhidos tendo como base o que mais impacta a população. “Quero retomar talvez com um episódio para fechar pra entender o quanto isso foi devastador e implicou para a comunidade negra. É algo que estamos vivendo, ainda não acabou”, destaca ele.
É possível acessar a websérie #PretosNoFront neste link. Os conteúdos também podem ser vistos no Instagram de Gleidistone.
Vacina contra a Covid-19
Os impactos do novo Coronavírus no país, que já soma mais de 100 mil óbitos, mobilizou um grupo de empresas brasileiras e fundações do ecossistema a, juntos, apoiar a construção de uma fábrica para a produção da vacina contra a Covid-19 no Brasil. Compõe o grupo Ambev, Americanas, Itaú Unibanco (através da iniciativa Todos pela Saúde), Stone, Instituto Votorantim, Fundação Lemann, Fundação Brava e a Behring Family Foundation.
Somando R$100 milhões, a doação contempla a construção de um laboratório de controle de qualidade e a adequação do parque fabril do Instituto Bio-Manguinhos (da Fiocruz), incluindo todos os equipamentos laboratoriais e industriais de ponta necessários para a operação. “Esperamos com essa iniciativa dar uma contribuição concreta para o nosso país, deixando um legado público para que milhões de brasileiros possam se beneficiar e também para que o Brasil esteja melhor posicionado e preparado no enfrentamento de outros desafios dessa natureza que possam surgir”, conta Jorge Paulo Lemann, presidente do Conselho da Fundação Lemann, em nota.
A vacina, atualmente, é desenvolvida pela Universidade de Oxford, junto ao laboratório farmacêutico britânico AstraZeneca. O projeto se encontra na fase III de testes no Brasil e em outros países, como África do Sul e Reino Unido. A previsão é de que esta vacina tenha a submissão à ANVISA – agência regulatória nacional – ainda neste ano.
Com previsão para conclusão das obras até o começo de 2021, a Fiocruz espera com essa modernização que a Bio-Manguinhos tenha também capacidade para produzir outras vacinas no futuro, incluindo outros tipos contra a Covid-19 ainda em testes.
Parte dos integrantes da parceria – público, privado e Terceiro Setor – também apoiará a construção de uma fábrica semelhante no Instituto Butantan, em São Paulo. As empresas doadoras não terão nenhuma contrapartida pelo apoio, como prioridade de acesso às vacinas. “Todas as vacinas serão disponibilizadas pela Fiocruz e Ministério da Saúde à população brasileira”, afirmam as empresas em comunicado.
O barco no nevoeiro da reinvenção
Escrevo agora como empreendedor e fundador de uma organização intermediária do ecossistema de impacto. E que, por isso, como muitas, está a navegar em tempos difíceis ainda que no horizonte sinais animadores comecem a se manifestar.
O Covid-19 nos capturou, obviamente. Gerou uma incrível mobilização na sociedade civil e nas empresas de impacto para mitigar os efeitos da crise sanitária que logo se converteu em humanitária neste país de desigualdades. Mas, mesmo com os recursos canalizados a doações, as organizações da sociedade civil estão a sentir gravemente os efeitos da pandemia, como mostra a pesquisa “O impacto do Covid nas OSCs brasileiras“.
Entre as corporações e o setor financeiro observa-se aquecimento das iniciativas de impacto social e socioambiental com a instalação de agendas ASG (Ambiental, Social e Governança) como preceito ético e moral a ser assumido pelas organizações responsáveis. Gestores de carteiras de investimento estão mais atentos a incorporar ativos com impacto social e socioambiental em seus portfólios, para sustentar posições contemporâneas e atrair novos recursos de investidores. As oportunidades para este universo em que trabalhamos serão grandes, mas quem estará forte e preparado para aproveitá-las?
A McKinsey & Co. publicou em março a arquitetura 4Rs para apoiar empresas a compreender sua jornada na crise. A trajetória é composta de 4 dimensões sequenciais, ainda que interconectadas: Resolução, Resiliência, Retorno e Reimaginação. Como empreendedores, buscamos a resiliência na resistência, o que significa manter a empresa viva e operando. Afinal, muitos de nós tivemos absoluta interrupção nas vendas e um choque no fluxo de caixa. Tratamos de fazer contas, diminuir a velocidade e conduzir o barco no nevoeiro.
Instala-se uma concepção, da qual sou entusiasta, de que nenhuma organização será a mesma pós Covid-19. Devemos nos reinventar, alardeia-se. Artigos de renomadas revistas tratam o tema e argumentam que velocidade, horizontalização de estruturas, digitalização e distribuição de decisões são inexoráveis a quem quer sobreviver. Mas quem lidera organizações de impacto carrega a questão: “O que é a minha organização reinventada?” Pensar uma nova organização com novos serviços, abordagens e outras formas de tudo é, por um lado, entusiasmante, e, por outro, uma agonia profunda. Sim, agonia, porque a resposta a essa pergunta é muito desafiadora e pesa a sensação de que temos, como empreendedores, o dever moral de respondê-la de forma brilhante. Não, nem todas as propostas serão reluzentes.
Esta celebração do empreendedor e suas soluções unicórnicas cola em nossos ombros a ilusão do mundo LinkedIn, onde só se encontra o sucesso. Dos tombos e tropeços, pouco se fala. Enxerga-se apenas o topo do iceberg e não as insônias, a respiração aflita, a falta de apetite. Foi bacana ver que inquietações assim ecoaram num encontro de empreendedores da rede Quintessa. Ali, afora os negócios em saúde, muitos dos olhares estavam perdidos no horizonte.
Tem sido difícil sustentar este lugar ao longo destes últimos cinco meses. As vendas estão travadas e as receitas figuram como memorabilia. A inquietação da reinvenção como a solução redentora torna-se quase insuportável. “No que nos transformaremos? No que nos transformaremos?” A pergunta repetida virou mantra, mas não a acalmar, mas, sim, a ensurdecer. Desafiador, ainda que isso seja parte de nossa opção de vida, como sabemos.
Mas carrego a “inabalável fé no futuro”, aprendizado que tirei do clássico Good to Great (Jim Collins). O que nos espera será melhor. Sim, mantenho o otimismo, o que não significa que preciso apenas falar dele. Tocar nesse não dito, nestes porres na quarta-feira, porque muitas vezes necessários, fazem bem também.
Gosto do cenário que se desvela e da responsabilidade que temos ante ele. Oportunidades estão surgindo. Pode-se ver uma praia, mas ainda estamos nadando em mar revolto. Algumas bóias nos ajudarão a não submergir, como um novo projeto, um grupo de associados que se filia à nossa causa, a captação de uma rodada em redes, como o CoVida20 (o qual a Move faz parte) ou o papo entre amigos empreendedores.
Porque, com tudo isso, a gente nunca parou de se perguntar o que seremos amanhã, o que mostra nossa insistência em acreditar e a vontade absurda de construir um novo futuro. Vamos adiante.
Em tempo, lembrem-se de apoiar este jornal de impacto aqui, que lançou recentemente uma campanha para ajudar a remar nesta crise.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião de Aupa.
A inclusão produtiva em tempos de pandemia
A crise econômica provocada pela pandemia do novo Coronavírus pode levar 500 milhões de pessoas para a pobreza – renda inferior a US$5,50 (cerca de R$ 30 na cotação atual) por dia – e agravar ainda mais a situação de quem já vive em uma condição de vulnerabilidade. O dado alarmante foi divulgado pelo relatório “Dignity not destitution” da Oxfam International, no dia 9 de abril, e coloca em risco o objetivo número 1 de Desenvolvimento Sustentável da ONU de acabar com a pobreza até 2030. Nesse cenário, a discussão sobre inclusão produtiva vem à tona.
A inclusão produtiva é entendida aqui como “Geração de trabalho e renda de maneira estável, relativamente duradoura e decente para as populações em situação de pobreza e/ou vulnerabilidade social, de modo a facilitar a superação de processos crônicos de exclusão social”. A definição faz parte do estudo “Inclusão produtiva no Brasil”, realizado pela Fundação Arymax e pelo Fundo Pranay, em parceria com o Instituto Veredas.
Nos últimos anos, ganhou relevância o entendimento de que, para que a pobreza seja reduzida de forma sustentável no longo prazo, a geração de renda via trabalho é uma estratégia fundamental. No entanto, essa percepção ganha novos contornos no contexto da pandemia, descrita pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como
"A pior crise global desde a Segunda Guerra Mundial”.
De acordo com o relatório “ILO Monitor: COVID-19 and the world of work”, monitoramento da OIT acerca da Covid-19 e o mundo do trabalho, que teve sua quinta edição divulgada em 30 de junho, a pandemia acabou com o equivalente a 305 milhões de empregos em tempo integral, atingindo, sobretudo, mulheres e jovens. Em todo o mundo, 61% da mão de obra está inserida na economia informal. Os países em desenvolvimento, como o Brasil, estão entre os mais afetados pela crise ligada à Covid-19. Na última semana de junho, a taxa de desocupação no país subiu para 13,1%, o que corresponde a 12,4 milhões de brasileiros desempregados. O número foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e integra a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). O estudo da OIT aponta também uma queda de 18,3% de horas trabalhadas nas Américas no segundo trimestre de 2020, taxa superior aos 14% da média mundial.
A seguir imagens de trabalhadores e oficinas de integração. Clique para ampliar.
Fonte: Association St Benoit Labre.
Esses dados evidenciam, além da falta de emprego, o recrudescimento da precarização no mundo do trabalho. Panorama esse que já vinha sendo esboçado com a prolongada crise decorrente das transições tecnológica, demográfica, urbana e socioambiental que atravessam países do mundo todo. Enquanto instituições enfatizam a importância da empregabilidade para a mitigação da pobreza, vem o questionamento: ter um trabalho significa realmente ter condições de sair de uma situação de exclusão social?
Há questões conjunturais e estruturais que precisam ser levadas em consideração para responder a essa pergunta. Apesar de o Brasil ser um país extremamente diverso e apresentar desafios e oportunidades distintas, podemos olhar para o cenário internacional em busca de pistas.
A precarização do trabalho na França
Segundo o sociólogo francês Hadrien Clouet, pesquisador de pós-doutorado no Centro de Sociologia das Organizações (CSO), ligado ao Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e a Universidade Sciences Po Paris, ter um emprego em tempo integral na França significa quase sempre escapar da pobreza. “Dispositivos como salário mínimo e um setor informal reduzido em comparação com outros países permitem garantir o fato de que, na França, um emprego rime muitas vezes com condições de vida que são julgadas aceitáveis pelas estatísticas públicas e pela taxa de pobreza”. No entanto, essa realidade está cada vez mais ameaçada.
O país europeu também foi duramente afetado pela crise decorrente da pandemia do novo Coronavírus. Em abril, 4,5 milhões de franceses estavam desempregados. Desde 1996, a França não tinha um número tão alto de pessoas fora do mercado de trabalho. Para o especialista, o Pôle Emploi – agência governamental francesa responsável por indenizar os desempregados e acompanhá-los no retorno ao mercado de trabalho – terá dificuldade de absorver o grande volume de pessoas sem ocupação e deixará muitos desempregados à própria sorte.
Apesar do agravamento da crise do emprego, o assunto já vinha sendo discutido no território francês desde dezembro de 2018, quando o movimento dos coletes amarelos ganhou as ruas em todo o país. Ainda que bastante heterogêneo, esse grupo de manifestantes era composto por trabalhadores insatisfeitos com a “uberização” das relações de trabalho – o aumento de contratos precários e empregos informais – a queda no poder de compra e da qualidade de vida. Hadrien Clouet lembra que o movimento dos coletes amarelos era constituído por trabalhadores de setores pouco sindicalizados. “Pela primeira vez um movimento contesta um pouco a separação entre a luta trabalhista e a luta política. As pessoas se deram conta de que o mundo político tem um papel essencial no mundo do trabalho e de que o Estado tem um grande poder de regulação”.
O Poder Público, ao lado dos organismos sociais e das organizações do Terceiro Setor, é um dos três grupos de atores que desenvolve intervenções no campo da inclusão produtiva.
“Não parece haver uma intervenção única, seguramente capaz de promover grande impacto, que indicaria um caminho destacadamente promissor no campo da inclusão produtiva. No entanto, é possível identificar um conjunto de intervenções com maior potencial de impacto, que pode ser considerado pelos tomadores de decisão”, aponta o estudo realizado pela Fundação Arymax.
Os “Escritórios do Coração” se abrem aos desabrigados
A combinação de diferentes tipos de intervenção norteia o trabalho da associação Saint-Benoît Labre, em Nantes, na França. Criada em 1953, a entidade atua na luta contra a exclusão de pessoas em dificuldades sociais e profissionais. Para isso, trabalha em busca de ações que permitam que indivíduos em condições de vulnerabilidade tenham acesso a direitos básicos como saúde, moradia e emprego.
“Estamos em um momento crucial para a perenidade dos nossos ateliês de inserção na vida ativa. Precisamos repensá-los ou corremos o risco de perdê-los. Queremos recolocar as pessoas no mercado de trabalho, queremos que elas sejam contratadas para trabalhar em uma empresa”, disse Thierry Pastou, funcionário da associação Saint-Benoît Labre há 28 anos.
Nesse contexto, a entidade foi procurada por um grupo de empresários do Centro de Jovens Dirigentes (CJD) de Nantes em busca de apoio ao projeto “Les Bureaux du Cœur” (“Os Escritórios do Coração”).“Nós sempre temos a tendência de apresentar o mundo social e o mundo empresarial como dois mundos à parte, o que eu acho realmente interessante nesse projeto é a tentativa de ação conjunta, de criar algo que, na minha opinião, todos saem ganhando”, analisa o responsável pelo setor de alojamento da associação.
A iniciativa “Les Bureaux du Cœur” tem como premissa abrir as portas das empresas para acolher pessoas sem abrigo quando os estabelecimentos se encontram vazios, ou seja, no período noturno e aos fins de semana. “O nosso único objetivo é abrigar, mas o fato é que quando você coloca uma pessoa para dormir em uma empresa, ela está em contato com os funcionários que podem constituir uma ajuda operacional nessa busca de emprego e ajudá-la por meio de sua rede de contatos”, explica Pierre-Yves Loaëc, presidente do CDJ e idealizador do projeto que virou realidade no fim de 2019, depois de um ano de preparação.
A estreia foi feita pelo dirigente Claude Chiron, da ACM Ingénierie. A ideia, que parecia “um pouco doida” para o empresário e que deixou os funcionários “inquietos e receosos” no início, foi tão bem-sucedida que ele torce pela expansão da iniciativa. A primeira “convidada” foi uma mulher vítima de violência doméstica que, mesmo trabalhando em uma cantina escolar, dormia dentro do seu carro até ser “adotada” pelo projeto “Les Bureaux du Cœur”. Durante dois meses, ela viveu no “apartamento”, uma área no térreo onde foi criado um quarto, com cama e armário, e inclui cozinha e banheiro com chuveiro.
“Meu desejo é que, a partir do momento que acolhermos uma pessoa, ela parta o mais rapidamente possível. O espírito é ajudar o indivíduo a se reintegrar e liberar o espaço para outro. Para mim, uma pessoa que fique seis meses seria um fracasso”, analisa Claude Chiron.
Já o primeiro “convidado” recebido pela agência de comunicação Nobilito, fundada por Pierre-Yves Loaëc, foi Buba Bas, de 42 anos. Vindo da Gâmbia, o imigrante tenta se estabelecer na França desde 2018 depois de passar por Itália, Suíça e Alemanha, mas esbarra na falta de documentação. Enquanto tenta legalizar sua situação, tem dificuldade para encontrar um emprego. Com isso, acabou indo viver nas ruas, “onde se pode perder a cabeça”, até ser ajudado pelo projeto “Les Bureaux du Cœur”. “Foi surpreendente para mim. Eu nunca pensei em morar com franceses dentro de um escritório. A acomodação é boa, e as pessoas estão felizes em me ajudar”, disse, em inglês.
Em contato direto com os funcionários da empresa, Buba recebeu auxílio para fazer um portfólio de apresentação de seu trabalho com mosaico de azulejos. Além disso, às vezes é chamado para tomar café e comer croissant com a equipe.
"Eles são minha família agora”,
exalta o imigrante, que sonha em buscar os quatro filhos – entre 7 e 15 anos – para viver com ele na França.
Buba está hospedado nas dependências da empresa desde janeiro, incluindo o período de isolamento social em meio à pandemia. Cama, armário, geladeira, micro-ondas, chuveiro estão à disposição dele, assim como uma sala de reuniões dotada de um sofá e de televisão servindo de sala de estar. O seu dormitório é acessível pelo lado exterior do prédio da Nobilito e trancado à chave. “É fundamental para que o convidado mantenha em segurança seus únicos pertences que restam”, afirma o empresário Pierre-Yves Loaëc.
A segurança é uma questão central na iniciativa, já que as pessoas em situação de vulnerabilidade estarão inseridas dentro das empresas. “É um projeto muito interessante, mas que vai corresponder a uma parte ínfima, cerca de um terço da população que se encontra em situação de rua. Eu não posso enviar alguém que seja dependente químico, por exemplo, porque há muita proximidade com a empresa”, analisa Thierry Pastou, da associação Saint-Benoît Labre. Isso quer dizer que os indivíduos “empregáveis” estão entre os elegíveis para o programa, que é encabeçado por cerca de 12 dirigentes de Nantes até o momento.
Novas e urgentes ações no pós-pandemia
Nunca foram tão urgentes ações para que ainda se possa sonhar em atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU até 2030, como o ODS 11, que deseja “Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”. Ainda assim, uma questão persiste: “Que todo mundo tenha uma moradia, sim. Mas qual? Seria ótimo chegar lá, mas não a qualquer preço”, pondera Thierry Pastou.
E quando se fala no ODS 8, que visa “Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos”, o sociólogo Hadrien Clouet faz uma ressalva: “Não sei o que querem dizer com crescimento inclusivo, mas sei o que significa uma redistribuição social financeira. A pergunta é: como distribuir os frutos desse crescimento? Tenho a impressão de que tentamos apenas regular o mercado no lugar de criar uma verdadeira política pública que resolva a situação.”
Com a reconfiguração acelerada do mundo do trabalho, soluções utilizadas nas últimas décadas vêm encontrando novos limites. Além disso, uma situação de caráter excepcional como a pandemia exige ainda mais a necessidade de pensar abordagens inovadoras, sem, é claro, esquecer os contextos particulares de cada território.
Aventura de Construir lança projeto para democratizar conhecimentos sobre negócios sociais à população periférica
Empreendedores e pessoas das periferias do país terão a oportunidade de conhecer mais sobre negócios de impacto social por meio do projeto Crescendo em Rede, da organização Aventura de Construir. As inscrições podem ser feitas neste link até o dia 9 de agosto.
O objetivo central do projeto é capacitar e assessorar pessoas da base da pirâmide, sejam elas empreendedoras ou não, para que possam atuar com negócios de impacto social em seus territórios. São 100 vagas para pessoas que lideram negócios ou querem iniciar a jornada empreendedora.
Um dos diferenciais do Crescendo em Rede é a proposta da democratização do conhecimento sobre empreendedorismo social antes de delimitar quem receberá investimentos.
Apoie o jornalismo crítico no ecossistema.
A programação do projeto conta com seis semanas de oficinas, quatro semanas de assessorias em grupo, seis semanas de assessorias individuais e um edital que premiará oito projetos com valores entre R$3.000 e R$10.000 a serem investidos nos empreendimentos. As capacitações acontecerão no ambiente virtual pensando também na acessibilidade de conexão dos participantes.
Neste contexto pandêmico, Silvia Caironi, fundadora e coordenadora geral da Aventura de Construir, ressalta a importância de um projeto como esse. “As periferias precisam pensar em uma lógica social. A ideia é democratizar para o maior número de pessoas e o afunilamento final será no edital. O nome Crescendo em Rede veio para crescermos juntos, principalmente em um momento como esse, vamos sair como nós e não individualmente”, afirma Silvia.
A trilha que os participantes seguirão envolve tratar todos os temas relacionados ao universo de impacto, depois os problemas das comunidades e, a partir disso, identificar soluções e como elas se tornam um negócio, pensando também na sustentabilidade.
Como fazer
Antes de desenvolver o projeto, a Aventura de Construir já havia identificado que, entre os microempreendedores, estavam surgindo negócios de impacto. Com isso em mente, em novembro do ano passado, realizaram o evento Protagoniza Aí. Na programação, além das palestras, o foco foi dar voz aos microempreendedores para que eles contassem as iniciativas de impacto, assim como promover possíveis parcerias por meio de rodadas de negócio.
“Nesse evento, se tornou mais evidente que precisávamos fazer um trabalho mais consistente para ajudar os microempreendedores que querem desenvolver negócios de impacto social”, afirma Silvia.
Em uma conversa com Edgard Barki, coordenador do Centro de Empreendedorismo da FGV EAESP (FGVcenn), surgiu a ideia de fazer um processo diferente que, ao invés de afunilar os acelerados no início, tivesse uma disseminação do conteúdo para depois seguir com o afunilamento.
Com a ideia central, a Aventura de Construir teve o apoio do Insper e da Catálise Social para desenvolver a metodologia. O Design Thinking é o método que suporta as atividades do Crescendo em Rede. Na prática, o design ajuda a entender problemas e pensar em soluções por meio de dinâmicas, reflexões internas e atividades.
É muito comum que pessoas distantes das realidades periféricas criem negócios para esse público. A proposta do Crescendo em Rede é o contrário disso. “A intenção com o design é que as próprias pessoas que sofrem o problema possam criar soluções para ele”, diz Tomaz Vicente Santos, co-fundador da Catálise Social.
Trazer o design para a frente das soluções é a premissa da construção do projeto.“Temos uma natureza muito comum de pensarmos soluções de formas precipitadas, somos enviesados por experiências passadas, tecnologias que somos mais familiarizados, o que nos leva a trazer soluções prontas. O design nos convida para entender o problema”, reflete Vinícius Picanço, professor de Operações e Sustentabilidade do Insper e também responsável pela metodologia do Crescendo em Rede.
Além disso, os responsáveis pela metodologia afirmam que a empatia, o processo de diálogo e a escuta são os principais norteadores das oficinas, que também terão como base os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da ONU.
Case
Até 2019, a Aventura de Construir já havia impactado indiretamente mais de 32.500 pessoas e diretamente 6.500 pessoas, segundo dados do relatório de atividades 2019. Ainda, no mesmo ano, 54 capacitações foram feitas.
O agricultor Edvaldo dos Santos é um dos impactados pelo trabalho da rede. Por meio de uma amiga, conheceu a Aventura de Construir, quando estava em uma fase de mudança de carreira.
Edvaldo dos Santos participou de assessorias específicas para impulsionar seu negócio. “Além das orientações precisas para o campo do empreender, no começo do ano passado, tivemos um encontro sobre o edital da ANIP e nos inscrevemos”, comenta o empreendedor.
Outro passo importante foi a inscrição para o financiamento do Matchfunding Enfrente. Com a seleção no projeto, o agricultor conseguiu recursos para desenvolver uma proposta de fornecimento de hortaliças para lugares periféricos, impactados pela Covid-19, próximo ao território em que ele está inserido, localizado na Chácara Maria Trindade, km 28 da Anhanguera, entre Cajamar e Perus.
O produtor rural irá fornecer 1.500 hortaliças orgânicas, que alimentará 1.500 famílias e mais de 4.500 pessoas, além de empregar 10 pessoas afetadas pela crise próximas ao empreendimento.
Esse é um exemplo de negócio de impacto, já que os alimentos serão doados para a população mais vulnerável.
A Aventura de Construir ainda apoiou Edvaldo em uma oportunidade para fornecer ao Carrefour, que também impactará positivamente na renda do produtor.
“Cada um de nós, agricultores, temos uma realidade e uma individualidade. Mas tenho falado pra eles sobre a Aventura de Construir para surgir uma relação mais próxima”, compartilha Edvaldo.
A imagem de capa é do período anterior à pandemia causada por Covid-19. Créditos da imagem: Victor Guerra/Aventura de Construir.
Resenhas de impacto
Nos dias 27, 28, 29, 30 e 31 de julho, o Impacta Nordeste promoveu o evento “Resenhas de Impacto”. Trata-se de uma série de encontros on-line sobre inovação social com atores do ecossistema de impacto regional e nacional.
Durante a semana, 15 protagonistas do ecossistema de impacto participaram das conversas que tiveram duração de uma hora. Entre os temas comentados, estão economia criativa, negócios de impacto, investimentos no setor, cooperativismo agroecológico e Poder Público. Os vídeos dos diálogos podem ser conferidos aqui.
Confira os destaques e as discussões levantadas no evento.
Mesa 1 – Negócios de impacto no Nordeste
Nesta mesa, foi realizado o lançamento do mapeamento de negócios de impacto do Nordeste, com os resultados da 1ª Chamada Impacta Nordeste de Negócios Socioambientais, seguido de um bate-papo sobre perspectivas e oportunidades do setor na região. Participaram Marcello Santo (Impacta Nordeste/mediador de todas as mesas), Pedro Hércules (Pipe.Social), Haroldo Rodrigues Jr. (In3citi) e Júlio Ledo (Olhar Compartilhado).
Sobre o mapeamento, Marcello fez um balanço dos dados e números do relatório que apresentou. Já Pedro falou como foi participar de chamadas de negócios de impacto, pois esteve na equipe de análise dos projetos “Foi bom olhar para o Nordeste e encontrar negócios maduros”, comentou. Ele ainda aproveitou e deu dicas para quem for se inscrever para outras chamadas, como “É importante preencher o cadastro com atenção e ter qualidade na explicação do negócio”.
Haroldo destacou a relevância do mapeamento e o desafio que costuma vir depois que é feito o estudo. “Precisa pensar no grande desafio depois de mapear, para que isso gere uma transformação na agenda do desenvolvimento”, explicou.
Ainda segundo Haroldo, os mapeamentos são relevantes, mas, além disso, é necessário diagnosticar o levantamento e assim “Gerar riqueza para o nosso povo, identificando um cenário de oportunidades”.
Por sua vez, Júlio falou sobre a importância de repensar e reprogramar os negócios de impacto. “Estes negócios ainda são elitizados e isso precisa ser quebrado. No mapeamento feito, a parcela que mais cresceu foi a que teve faturamento de 100 mil”. Ele ainda destacou a importância dos negócios de microimpacto, que tem força para o território.
Mesa 2 – Investimento em Negócios de Impacto
A segunda mesa contou com a participação de Renata Truzzi (Nesst), Fernanda Dativo (SITAWI) e Fábio Deboni (Instituto Sabin). O tema central do diálogo foram os investimentos de negócio de impacto.
Fernanda destacou a procura por este tipo de investimentos. “A demanda está boa. Mas há a procura de propósito, sejam eles sustentáveis, ecológicos ou de crenças”.
Já Renata pontuou a importância de não apenas almejar o lucro, mas também o valor por trás desse investimento. “Investir é um bom negócio. Não podemos ver apenas o lucro, é preciso enxergar algo maior. É um caminho sem volta. Enxergar o lado bom da crise tem colocado luz no que nosso setor já vem colocando. Todo tipo de recurso tem que ser sustentável”, explicou.
Por sua vez, Fábio explicou sobre os diferentes tipos de investimento. “O tema está alto e isso já vinha se conversando antes da pandemia. Virão outros tipos de investidores para a mesa. As fases iniciais são as mais difíceis”, disse.
Os participantes ainda falaram sobre a busca do investidor e como isso precisa estar alinhado com o propósito do negócio de impacto. “O recurso financeiro não é o que está falando mais alto, mas o alinhamento”, ressaltou Renata. “Nem todos os investidores querem estar próximos. Às vezes, querem só o retorno financeiro”, completou.
Fábio deixou um questionamento:
“O que o empreendedor tem a oferecer ao investidor”?
Mesa 3 – Economia criativa e impacto social
Já na terceira mesa, participaram Andre Lira (Cultivando), Danielle Abreu (Sebrae MA) e Fernanda Rebelato (British Council). Os temas principais do encontro foram a economia criativa e o impacto social, assim como o desenvolvimento igualitário, a identidade das comunidades, a compreensão dos contextos diferentes de cada região e a conexão com o território e identidade. Destacou-se a importância das Políticas Públicas como emancipação desse território.
Andre destacou a diversidade do país, com ênfase “No Norte e no Nordeste, que são ricos em peculiaridades”. Ele falou ainda sobre como gerar soluções e que em todos os processos há criatividade. Fernanda comentou sobre como impactar no território. “Como esses criativos fazem isso há muito tempo? Como você consegue impactar? E como mesclar essas duas coisas muito bem?”.
Danielle explicou sobre como muitos desses empreendedores não se reconhecem nessa atuação. “Às vezes, eles não se enxergam dentro dessa caixinha de ser um empreendedor”, pontuou.
Mesa 4 – Cooperativismo Agroecológico
O quarto dia do evento contou com a participação de Gláucio Gomes (Adel), Patricia Saldeado (Instituto Sicoob) e Vitor Esteves (Cooperativa Caroá). Nessa mesa, os atores de impacto social falaram sobre cooperativas agroecológicas e seus desafios. Patrícia abriu as falas, com comentário sobre a importância do cooperativismo no impacto social:
“O modelo cooperativista vai muito além do impacto social. Ele contribui para a coletividade e a geração de renda. O cooperativismo já traz esse impacto no propósito”.
Gláucio, por sua vez, fez profundas reflexões sobre todo o processo do cooperativismo agro ecológico. “Não é um processo simples. É um fomento e precisa de tecnologia. É preciso entender a complexidade das economias rurais. O cooperativismo gera um impacto social e cultural”, explicou.
Vitor comentou sobre sua experiência com cooperativas e sobre como é importante o crédito financeiro e principalmente aos jovens – público que tem dificuldade para conseguir aprovação de empréstimo, o que pode atrapalhar algumas etapas importantes do processo.
Mesa 5 – Poder Público e o ecossistema de impacto
Finalmente, o último dia de Resenhas de Impacto contou com a participação de Beto Scretas (ICE), Lucas Maciel (Enimpacto/MDIC) e Mona Nóbrega (Sebrae RN). Os atores dialogaram sobre Políticas Públicas, como investir com impacto, democratização dos investimentos, regularização e como o Estado pode apoiar. Beto apontou possíveis caminhos:
“A conexão tem que ser feita com pessoas que querem investir com o propósito de impacto. Não é uma coisa passageira. Negócios de impacto vieram pra ficar”, explicou Beto.
Lucas destacou que o Estado pode contribuir com os negócios de impacto. “Fomentar, regular e comprar, e também aplicar linhas de crédito”, ressaltou. Mona destacou esse apoio: “O Poder Público precisa ver que vale a pena investir em negócio social e de impacto. Essa sensibilidade do governo estadual. Ver outros atores envolvidos”.
Academia ICE reúne professores da rede para discutir os caminhos para o impacto social

Nos dias 30 e 31 de julho, a Academia ICE (Instituto Cidadania Empresarial) realizou o Encontro Nacional 2020 totalmente on-line para docentes da rede de todo o país. Com o tema Ensino Superior e o “Melhor Normal”: Novos paradigmas para inovação e impacto social, os participantes foram convidados a refletir sobre o cenário atual do país.
“Os professores estão reinventando o amanhã na academia. Rapidamente, nos trouxeram que os desafios vão para além da tecnologia do ensino à distância, mas, também, envolvem a dificuldade de alunos que não conseguem assistir às aulas porque estão perdendo familiares”, comenta Célia Cruz, diretora executiva do ICE, na abertura do evento.
Adriana Mariano, gestora da Academia ICE, ressaltou como a temática de inovação e empreendedorismo social tem ganhado espaço nas universidades. Em 2019, a rede impactou 4.000 alunos e cerca de 12.000 pessoas em atividades de extensão.
“A verdade é que antes da pandemia já vínhamos enfrentando desafios para construirmos um Brasil melhor. A ideia do encontro é pensar em como vamos construir o ‘melhor normal’ no mundo pós-pandemia”,
afirma Adriana Mariano.
O primeiro painel foi mediado por Diogo Quitério (coordenador da Aliança pelo Impacto) e contou com a participação de João Souza (presidente do Fa.vela), Tatiana Schor (secretária executiva da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas) e Vivianne Naigeborin (superintendente da Fundação Arymax). O painel trouxe para os professores uma perspectiva da prática de negócios de impacto por meio de quem atua no ecossistema.
Dentro do contexto de negócios de impacto social, João Souza, apresentou o trabalho de sua organização, que tem como objetivo ser uma vela para ajudar a impulsionar empreendedores periféricos e não para ensiná-los a empreender.
View this post on InstagramA post shared by Inst. de Cidadania Empresarial (@ice.cidadaniaempresarial) on
“Quando partimos apenas de pressupostos teóricos acabamos produzindo mais a exclusão, pois determinamos que, para a pessoa estar à frente do negócio, ela precisa ter acesso a alguns conhecimentos”,
reflete João sobre a importância de ouvir pessoas que têm diferentes saberes.
A organização social Fa.vela, de Belo Horizonte, atua para promover a diversidade e o desenvolvimento social, ambiental e econômico, por meio do empoderamento de grupos e territórios vulnerabilizados.
Para Tatiana Schor, é necessário compreender a importância da formação política para os negócios de impacto.
“Vimos o exemplo de Paraisópolis, que lidou com a Covid-19 melhor que muitos governos. Isso é um longo e extenso trabalho de formação política junto com a ideia de empreendedorismo”,
afirma Tatiana.
Tatiana ainda ressalta a importância de olhar os lugares considerados periféricos de outra perspectiva. “Para nós, aqui no Amazonas, a bioeconomia é um negócio de impacto. Temos que pensar no valor que a renda será distribuída na cadeia. Não podemos ter um processo que mantenha a desigualdade”, comenta.
Quando se fala em impactos advindos da pandemia, a inclusão produtiva é uma preocupação para os mais vulneráveis. Neste sentido, Vivianne Naigeborin abordou a perspectiva da Fundação Arymax, que, após pesquisas dos temas prioritários para o país, decidiram direcionar esforços para a temática da inclusão produtiva.
“Incluímos nosso apoio emergencial aos pequenos negócios. Que, a princípio, não eram negócios de impacto. Vamos pensar em pet shop, bares e restaurantes, ruralistas. São negócios que garantem emprego”, afirma Vivianne.
A programação do encontro também contou com a participação de Alex Nicholls, Professor Titular em empreendedorismo social na Universidade de Oxford e fundador do Skoll Center for Social Entrepreneurship/Saïd Business School.
O docente abordou alguns tópicos que devem gerar pesquisas pelos professores quando se fala em impacto e, entre eles, estão: diversidade, racismo, desigualdade, economia circular, entre outros.
A importância de parcerias entre América Latina e Europa para fomentar o ecossistema foi discutida. “Precisamos de um grupo de pessoas preparadas a dedicar a criação de uma conferência, as ferramentas e levantar dinheiro. É um trabalho duro, precisamos de pessoas que queiram fazer acontecer”, reflete Alex.
Todas as imagens usadas neste reportagem são do período anterior à pandemia causada por Covid-19. Créditos das imagens: ICE.
Leonardo Oliveira: “É importante refletir qual é a responsabilidade da empresa em garantir que não só abrirá as portas, mas preparará o caminho para essa pessoa trilhar”
O ecossistema de impacto precisa ser diverso: em atores, soluções, iniciativas e público-alvo também. Uma startup nacional – quer dizer, com membros de todos os cantos do país -, que, através de um aplicativo, garante acesso à legislação protetiva (leis de proteção) para a comunidade LGBTI+ brasileira. Criada em 2017, a TODXS têm em seu propósito transformar o Brasil em um lugar mais inclusivo, de fato, e livre de discriminações contra essa parcela da sociedade.
Pelo aplicativo, também é possível fazer denúncias de LGBTfobia – violência contra pessoas LGBTI+ – e acessar uma base de leis (municipais, estaduais e federais) que os protege dessas violências ou outras questões, como saúde, trabalho e assistência social. Para além da legislação, outro objetivo da iniciativa é conectar pessoas (da comunidade) com profissionais e organizações para ajudar a usar e manter sua liberdade e integridade física.
Como organização, a TODXS é formada por 120 voluntários, divididos em várias frentes de trabalho, além do app: consultoria para empresas, área de pesquisa, programa de voluntariado, fórum, entre outras que auxiliam olhar o problema, a partir de vários ângulos. O relatório “Mapeando violências contra pessoas LGBTI+ no Brasil”, lançado em 2019, pela startup, traz uma análise das denúncias do TODXS APP, em 2018. O foco é estudar a origem dessa violência, como ela acontece, quais são os principais relatos e como nós – sociedade – podemos enfrentar isso.
Na seção de Dados, você pode ler a publicação na íntegra.
Aupa conversou com Leonardo Vieira de Oliveira, diretor executivo da TODXS, abordando sua pluralidade, em time e iniciativas, e como elas impactam e ajudam a comunidade LGBTI+ e desconstrói a sociedade. Confira abaixo:
AUPA – O que inspira os projetos da TODXS?
Leonardo Oliveira – O que inspira é o nosso propósito: existimos para transformar o Brasil em um país verdadeiramente inclusivo e livre de discriminação. No dia a dia, quando passamos por uma dificuldade ou não sabemos exatamente qual direção seguir, nos questionamos: o que estamos fazendo hoje, com essa decisão, está ajudando a transformar o Brasil em um país mais inclusivo e livre de discriminação? Se a resposta for sim, então é o caminho certo. Para além disso, não é o caminho certo. Nos apoiamos muito em nossos valores e vejo essa cultura muito importante na TODXS. Sempre trabalhamos com alguns valores importantes, como inovação, amor e autenticidade. Desejamos imprimir a nossa marca, inovar – no sentido de ser relevante naquilo que fazemos – e esses três valores se comunicando, trazer uma motivação para as pessoas realizarem as transformações que desejam.
AUPA – É fácil buscar novas formas de resolver antigos problemas, como a LGBTfobia?
Leonardo Oliveira – Quando falamos de antigos problemas, tem a ver com reconhecer que sempre estiveram aí. Talvez, a sociedade não soubesse falar sobre isso ou não soubesse identificá-los (como problema). Na maioria das vezes, as soluções não aparecem, porque a não sabemos qual é o problema, então, enquanto a discriminação LGBTI+ falava que era um problema só das pessoas LGBTI+ que estavam sofrendo isso – fora do armário -, estava tudo bem. Quando começamos expor e falar disso mais abertamente, demos visibilidade para o problema e assim é possível pensar novas formas de resolvê-lo.
E, falando sobre novas formas de resolver o problema, acredito que há uma centralidade muito grande de uma coisa que existe desde sempre: a capacidade de ouvir as pessoas. No mercado da tecnologia, se fala muito sobre a experiência do usuário, desenhar a jornada dele e pensar quais são as interações que garantem um produto de sucesso. Absorvemos muito disso para a organização, porque estamos falando de uma coisa muito fundamental que é ouvir as pessoas que vão ser beneficiárias finais dos nossos projetos. No caso da TODXS, falo da própria população LGBTI+, de dar espaço para as pessoas falarem abertamente sobre quais são os seus problemas, indicarem o caminho para que consigamos construir juntos a solução.
AUPA – Como surgiu a ideia do aplicativo?
Leonardo Oliveira – Ela coincide com a história da TODXS, porque desde o início tínhamos o sonho de fazer um aplicativo. Aconteceu quando um casal gay em Fortaleza (Ceará) foi expulso de um restaurante, porque eles estavam dando as mãos. Segundo o gerente, aquilo “ofendia” as outras pessoas naquele ambiente. E, mais tarde, ficamos sabendo que tinha uma lei municipal que punia – com multa – o estabelecimento que cometia homofobia. Após, a discussão naquele momento foi: “E existem outras leis como essas no Brasil?”. Descobrimos que há várias e veio a pergunta: “Como seria se todos tivessem acesso à legislação protetiva no município onde moram, o que pode, de alguma forma, proteger contra a homo transfobia?” e, assim, a TODXS nasceu.
AUPA – Quanto tempo levou seu desenvolvimento?
Leonardo Oliveira – Formamos o primeiro time de voluntários em janeiro de 2017 e eles iniciaram a construção. Foram cinco meses de trabalho, com pessoas de várias áreas, como desenvolvimento, UX Design (experiência do usuário) e Direito para colocar tudo no ar até o lançamento. Acabou que deu bastante certo. Um ano depois, em 2018, o aplicativo foi indicado para o Google Play Awards – uma premiação global da Google, voltada aos melhores aplicativos da Play Store -, na categoria impacto social. Com a visibilidade, notamos o impacto que estávamos gerando.
AUPA – O preconceito e violência à LGBTI+ ainda é muito presente (e forte) no país, o que o app pode acrescentar às discussões sobre o tema? Existe alguma responsabilidade?
Leonardo Oliveira – O papel do aplicativo e o papel da TODXS, como um todo, têm sido muito de inspirar a sociedade civil, além da responsabilidade de resolver problemas estruturais. No início do aplicativo (2017), houve uma parceria com a Controladoria Geral da União (CGU) e o orgão passou a utilizar dados do aplicativo para sua ações. E aquilo, para mim, foi muito uma prova de como nós, enquanto uma organização sem fins lucrativos da sociedade civil, podemos influenciar de maneira significativa a produção de Políticas Públicas. Então, nesse sentido, foi uma mudança importante de paradigma – especialmente, quando somos capazes de utilizar a tecnologia e a inovação para pensar soluções como essas.
AUPA – Como funcionam as denúncias pelo aplicativo? São encaminhadas para algum órgão?
Leonardo Oliveira – No início, era encaminhado para a CGU (antigo parceiro). Devido ao atual momento político do Brasil, essas parcerias com o governo federal acabaram ficando mais difícil de evoluírem. Hoje, as denúncias no aplicativo servem para mapeamento, mas sem endereçamentos junto ao Poder Público. Nossos próximos passos são para garantir, de fato, através das nossas plataformas, seja web ou app, que as pessoas consigam se conectar a organizações e profissionais que vão lhes oferecer ajuda, como advogados, psicólogos ou organizações. Isso são formas de garantir mais efetividade dos nossos endereçamentos com as denúncias.
Na sequência, Leonardo Vieira de Oliveira comenta os desafios e impactos de trabalhar com a agenda dentro das empresas, a evolução de LGBTI+ dentro delas e as perspectivas para o futuro. Confira:
AUPA – Quais os principais obstáculos ao trabalhar com inclusão nas empresas?
Leonardo Oliveira – No dia a dia, é uma pergunta que aparece muito para gente. O que temos aprendido é: 1) Diversidade: uma questão dentro das empresas e, às vezes, é difícil começar a endereçar o assunto quando não há pessoas que compõem esses grupos sub-representados como parte da empresa. Então, sempre vai existir um desafio de recrutamento, porque é preciso aumentar a diversidade interna. Um desafio muito grande. 2) Inclusão: como garantir que uma vez que pessoas de grupos sub-representados, e que majoritariamente podem viver uma situação de vulnerabilidade maior, tenham as mesmas oportunidades dentro da empresa, para que elas continuem crescendo, progredindo na carreira e alcançando posições de liderança. 3) Vieses inconscientes: geralmente, um tipo de violência explícita que é fácil de caracterizar, como LGBTfobia e racismo. Porém, essas coisas não acontecem, porque as pessoas, de alguma maneira, estão se “podando” para não soarem desrespeitosas. Por outro lado, há uma série de vieses inconscientes que as pessoas não percebem que são reproduzindo no dia a dia e, especialmente, na tomada de decisão. Numa liderança, isso acaba influenciando, inclusive, as oportunidades, a progressão de carreiras das pessoas LGBTI+, mulheres, negros, pessoas com deficiência e nós temos o desafio de desconstruir dentro das empresas. 4) Liderança: precisamos que a liderança esteja no barco conosco, porque ainda nos modelos não-hierárquicos de empresas, onde todos os níveis têm espaço para tomar decisões, nós não conseguimos garantir um trabalho efetivo sem ter a “liderança” da empresa dizendo que aquilo precisa ser feito. Só assim teremos uma aderência geral, em todos os níveis, de modo a garantir, de fato, que o assunto esteja sempre na mesa. Por isso, é importante ter como aliado o CEO, o head, o board das empresas. Só assim, de fato, tomaremos decisões importantes.
AUPA – Você enxerga uma evolução da inclusão de LGBTI+ nas empresas?
Leonardo Oliveira – Sim! Acredito que está avançando, aos poucos. E isso significa que também avança em camadas diferentes, porque, por exemplo, venho vendo as empresas se preocuparem mais com diversidade, falando sobre o assunto e se posicionando sobre a inclusão LGBTI+. Isso é um processo importante. Trabalhar políticas internas para garantir que pessoas LGBTI+ estarão confortáveis no seu ambiente de trabalho e formar grupos de afinidades, eles cumprem um papel super importante para ajudá-las a se sentirem em casa. Acompanhei a criação e as primeiras atividades de alguns grupos de afinidade em empresas. O exemplo mais recente foi o da Globosat (empresa do Grupo Globo), foi muito legal ver o que eles estavam fazendo lá e acompanhar as atividades, como as pessoas se sentiam melhores fazendo parte desses grupos. A partir daí, eu consigo, de maneira geral, duas coisas: a conversa está sendo feita e algumas ações estão sendo tomadas para garantir que o ambiente interno será mais confortável para essas pessoas.
Porém, ainda há dois desafios grandes. O primeiro é: ainda existe uma barreira para poder conquistar pessoas aliadas dentro da empresa, então, é muito importante que consigamos fazer a pauta chegar nas pessoas que ficam mais resistentes ao assunto e tentar ao máximo engajar as pessoas para que elas também façam parte desse processo de transformação interno. E o segundo: a inclusão de pessoas, dentro da comunidade LGBTI+, que estão mais distantes das empresas e, nesse caso, são, sem dúvida, as pessoas transexuais e também LGBTI+ negras. Essas pessoas estão mais distantes, sabemos que majoritariamente mulheres trans e travestis no Brasil não conseguem concluir o Ensino Fundamental, mas, enfim, há outros obstáculos que impedem essas pessoas de acessarem essas empresas. Então, no fim das contas, quem consegue entrar nesse caminho corporativo consegue porque, de alguma forma, conseguiu “desbravar” o mundo – entrar na universidade, se formar e acessar uma dessas grandes empresas. O desafio estará sempre lá e acredito ser importante refletir qual é a responsabilidade da empresa em garantir que não só abrirá as portas, mas preparará o caminho para essa pessoa trilhar.
AUPA – O que podemos esperar da TODXS? Quais são os planos para o futuro?
Leonardo Oliveira – Eu vejo três coisas para o futuro. 1) A “virada” que está acontecendo na TODXS é para, cada vez mais, focar em dados que consigam traduzir a vida de pessoas LGBTI+ no país. Então, uma grande coisa é publicar mais relatórios, falar mais sobre o que é que as pessoas LGBTI+ estão passando no país, para poder dar visibilidade e empoderar outras tantas pessoas. Assim, elas também poderão pensar em iniciativas. 2) Intensificar o nosso papel e a nossa responsabilidade como um hub para conectar pessoas, organizações e profissionais, porque sozinho não somos capazes de atender todo mundo. Por outro lado, acreditamos que garantindo as conexões certas conseguiremos fazer as coisas acontecerem, como se a TODXS fosse um “Tinder da inclusão”. 3) Ensinar as outras pessoas o que aprendemos. Acreditamos que a inovação acontece quando está todo mundo sentado à mesa para poder discutir e queremos ser capazes de compartilhar todo o aprendizado sobre como criar projetos de impacto para quem possa se interessar ou está empreendendo.
Eventos no setor 2.5
A pandemia e a recomendação de isolamento social trazem readaptações aos negócios e aos diálogos. E o ambiente virtual tem sido a alternativa para os que têm acesso à internet para desenvolver seus trabalhos. Confira alguns dos diálogos e acontecimentos do setor para os próximos dias.
Semana do Investimento Social
Entre os dias 3 e 7 de agosto, o GIFE organiza as atividades para a Semana do Investimento Social. O evento será on-line e promoverá encontros com líderes e gestores de diferentes áreas do campo de impacto, investimento social e filantropia. Esta atividade faz parte do 11º Congresso GIFE – Fronteiras da Ação Coletiva.
A proposta é oferecer aos participantes a oportunidade de dialogar e trocar experiências para a superação dos desafios de curto, médio e longo prazos que o atual momento exige. Confira a programação aqui e inscreva-se.
3º Fórum de Negócios de Impacto da Periferia (FNIP)
A ANIP (Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia), uma iniciativa de A Banca, a Artemísia e a FGVcenn, promove a 3ª edição do Fórum de Negócios de Impacto da Periferia (FNIP). As atividades serão on-line e acontecerão nos dias 3, 4,11, 18 e 25 de agosto.
O foco das atividades são as trocas entre diferentes segmentos do ecossistema de negócios sociais, com especial atenção aos empreendimentos das periferias, comunidades e favelas do Brasil. O objetivo é readequar os negócios segundo os contextos que estão inseridos, bem como motivar e inspirar empreendedores sociais periféricos, considerando também planejamento para o futuro.
Entre no site oficial para obter mais informações.
Atividades do Programa DICE
O Programa Developing Inclusive and Creative Economies (DICE), do British Council, promoverá o webinar “How to collaborate? Across cultures, sectors competitors and oceans”. A atividade on-line acontecerá no dia 4 de agosto, às 9h45 (horário de Brasiília). O intuito da atividade é auxiliar os participantes a melhorar suas práticas para reduzir as desigualdades e colaborar além das fronteiras em seus empreendimentos criativos e sociais, diante deste momento de profunda mudança.
O diálogo contará com um gameshow experience, que examinará de forma lúdica a natureza da colaboração dentro de um mundo “normal” e “pós-normal”. A atividade será liderada pelos artistas britânicos ZU-UK. Clique aqui para saber mais informações.












