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Reinventar as relações com o mundo?

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Inicio este texto em meio ao caos do Covid-19. Embora tenha muito a falar sobre a pandemia, neste momento minha cabeça pensa conforme os meus pés pisam, ou melhor, conforme minha mente vaga nas leituras e nos escritos de outros povos. Ao ser questionado sobre a possibilidade de estar presente numa aula no início da pandemia, um grupo indígena respondeu: “Há quinhentos anos que os índios estão resistindo a todas as doenças dos brancos, não será essa a nos impedir”. Outro povo também indígena respondeu sobre os desarranjos políticos do governo brasileiro: “O povo indígena tem 500 anos resistindo, estamos preocupados como os brancos vão escapar dessa”. E é sobre estes dois trechos que chamo a nossa atenção: será se temos condições de olhar para esses anos e compreender as formas de sobrevivência e as estratégias de viver frente a tantas formas de violência? 

Nunca ficou tão evidente que somos definitivamente diferentes, que não somos iguais frente às possibilidades e tão pouco frente às desigualdades. Será mesmo que somos empáticos? A empatia é se colocar no lugar do outro, será mesmo que temos condições de sermos embaixadores de como o outro ou a outra se sente? Tenho acordado nestes dias com a seguinte frase: “O que posso fazer para melhorar hoje?”. Isto mesmo, eu, enquanto ser humano, no que posso melhorar? Essa busca, mais do que nunca, se faz necessária, por muito tempo acreditamos que compartilhar os espaços e os lugares de fala, nos colocava como igual. Será? 

Aílton Krenak, líder indígena, escreveu no livro Idéias para adiar o fim do mundo (Companhia das Letras, 2019): “Se pudermos dar atenção a alguma visão que escape a essa cegueira que estamos vivendo no mundo todo, talvez ela possa abrir a nossa mente para alguma cooperação entre os povos e não um salvar o outro, mas salvarmos a nós mesmos”. Faço esse convite: como eu ou você podemos alterar os rumos do que temos feito a partir de uma reflexão do que, de fato, para nós é essencial? O que é preciso para ser feliz hoje? Meu consumo é racional, impulsivo ou compulsivo? O que meu Negócio de Impacto, sendo ele da periferia ou não, propõe  solucionar? Como eu tenho desenvolvido essa solução? Minha prática empreendedora dialoga com o meu consumidor final ou meu produto ou serviço é pensado para este, sobre este e não com o este? Já se perguntou se faz seu trabalho para o outro ou com o outro

Refletir sobre esses pontos, talvez (e só talvez), nos potencialize a passar por essa crise mundial e ajudar na construção de um outro mundo, centrado no fazer cooperado, nas ações conjuntas e justas. Há muito temos questionado, em ambos os lados da ponte, sobre quais os privilégios e a escassez que cada um carrega. Hoje, refletindo sobre esse cruzar das pontes, posso perceber o quanto colocamos as nossas réguas para mensurar a outra e o outro. O que é para você, pode não ser pra mim e que bom que é assim. Precisamos recuperar a ideia de sonho como caminho de aprendizado, de autoconhecimento sobre a vida e a aplicação deste conhecimento na sua interação com outras pessoas. Nossos desejos de mundo melhor têm que transcender o nosso fazer. Digo sempre que o dia mais importante das nossas vidas foi o que nascemos e o segundo dia mais importante é quando descobrimos o nosso propósito. Já se perguntou qual é o seu? Frente a você mesmo, não ao que os outros esperam que faça.

O que é tudo isto que estamos vivendo? Por que estamos enfrentando a dor de ficar em casa, sem saber, às vezes, como agir com os nossos, sejam eles filhos, esposos, pais e mães? Onde nos perdemos de nós mesmos? Por que garantimos tantas entregas e estamos exaustos ou vazios de nós mesmo? Quais são as nossas referências genuínas, que nos fizeram ser e não ter? Fica agora essa reflexão dentro do tempo e do espaço que o universo nos oferece neste momento. Quais caminhos seguir, quais outros deixar para trás? O que reinventar no meu empreendimento, no meu fazer cotidiano, qual mercado quero atender, a partir de agora? Que mundo empresarial eu quero: o que coopera ou o que compete? Abriremos os mercados e as estratégias de sobrevivência financeiras ou ficaremos fadados ao acúmulo que nos trouxe até aqui? E aí, como reinventar nossas relações com o universo? O que você pode fazer para melhorar hoje? São algumas perguntas e inquietudes para o curto e o longo prazos.

#LiveAupa 2 – O ecossistema de impacto durante (e pós) a Pandemia

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Na sequência de transmissões sobre o ecossistema de impacto e a pandemia de COVID-19, Aupa realizou sua segunda live. Desta vez, os convidados foram Daniel Izzo, da Vox Capital, e Leonardo Letelier, da Sitawi Finanças do Bem. O debate foi norteado pela seguinte pergunta: como o investimento social privado está respondendo à crise do Coronavírus? A transmissão foi ao ar hoje, 17 de abril, diretamente pelos canais da Aupa e buscou dar respostas aos desafios de captação, investimento e crédito para negócios de impacto durante e após a pandemia. A entrevista contou com perguntas ao vivo do público e abordou ainda temas como oferta e crescimento de investimentos privados, relações entre o mercado e o Estado e os potenciais caminhos do setor frente à crise.

Impacto essencial II

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O artigo anterior, Impacto essencial I, trouxe o “ODS 0” como o passo essencial que precisamos dar, ressaltando o quanto precisamos olhar para dentro e aprender a ouvir a voz que discrimina entre o que importa e o que não importa, para que possamos, a partir desta consciência mais elevada, fazer as escolhas responsivas na construção do novo mundo que queremos. Nosso interior é a causa raiz do mundo, que é o território dos efeitos.

A Covid-19 nos traz uma oportunidade ímpar, que jamais seria possível acontecer nessa escala e que, talvez, seja o único lado positivo da sua presença em nosso planeta. Ao gritar silenciosamente uma única palavra – PAREM – ele nos oferece as condições para que possamos, literalmente, DESACELERAR e FECHAR PARA BALANÇO, deixando de lado as distrações com o exterior, para podermos ouvir o que emerge do silêncio que se instala ao longo das semanas em quarentena.

É desafiador, pois algo em nós não aceita esse convite imposto e resiste, quer evitar, nos impulsionando a manter uma dinâmica de agitação, de calls diversos e seguidos, de múltiplos afazeres em casa ou até mesmo o desperdício do tédio. Entretanto, com o passar do tempo, podemos perceber que uma janela é aberta e que um instante de consciência brota do silêncio, catalisado por uma dor emocional ou por uma reflexão mais profunda. E, assim, a pergunta que ecoa do porão da consciência é: “Qual é o sentido de tudo isso? Qual é o significado da minha vida? Como eu tenho feito escolhas até aqui? Estou feliz ao observar até onde elas me trouxeram e nos trouxeram? Então, é isso: esse é o fim? E, logo em seguida, para alguns, uma voz completa…. “Ah, mas se sairmos dessa, muita coisa precisa mudar. Não é mais possível seguir com as mesmas escolhas, distrações e padrões, além do vazio existencial, que me empobrece como Ser Humano e nos empobrece como sociedade.”

Diante deste silêncio, temos a oportunidade de nos redescobrirmos como Seres Humanos. É essencial se render a essa sensação de reencontro e sentir esse sabor inigualável da vida que pulsa e saboreia as coisas simples, como o sorriso de um filho, o telefonema de uma mãe, uma mensagem de um irmão ou uma amiga, sentar à mesa para bater papo longamente com quem amamos, ser solidário com o próximo e, assim, voltarmos a sentir algo que estava adormecido, negligenciado, atropelado pela velocidade e pelas imposições de fazer mais, de ter mais poder, mais dinheiro, mais metas, ser o primeiro, vencer, conquistar e blá, blá, blá… Para quê? Qual é o real valor disso?

Pensando em COMO podemos aproveitar com mais profundidade essa oportunidade singular, compartilho a figura que batizei de “MATRIZ EXISTENCIAL”. Essa ferramenta tem sido útil como um pequeno mapa para aprofundar mais e mais a descoberta interior e apoiar a construção de novos pactos, crenças e, por conseguinte, possibilitar novas escolhas, atitudes e comportamentos. Para que seja útil para você, precisará da sua VONTADE e da sua ATENÇÃO.A

Tabela "Matriz existencial". Autor: Marco Gorini. 2020.

INTENÇÃO, VONTADE e ATENÇÃO formam a tríade de energia mais poderosa do universo. Aprender a alinhá-las é essencial para o salto de consciência e a possibilidade de novas escolhas.

Tudo nasce da INTENÇÃO, que orienta o que nutrirmos com a ATENÇÃO e, com isso, estabelece o motivo para a AÇÃO que exercemos no mundo. A intenção nos define, pois dela irradia o que vai ganhar concretude na nossa vida. Se a observamos com honestidade, podemos conhecer mais nossa identidade, nossa essência, nosso ego, aprender mais sobre nós mesmos e, com isso, elevarmos a nossa consciência à medida que compreendemos os impactos que geramos.

A INTENÇÃO impulsiona ao que “SERVIMOS” na vida. A partir das nossas crenças, emergemos valores e princípios que podem alimentar um propósito virtuoso ao nos ajudar a responder: o que, de fato, importa na minha vida?

Ao exercitarmos mais e mais essa pergunta, nossa VONTADE nos permitirá agir no mundo com integridade, coerência e consistência, garantindo que a nossa ATENÇÃO esteja focada e bem balanceada na forma como endereçamos a nossa AÇÃO. Com tempo e prática, as ATITUDES vão ganhando legitimidade nas ações, que fortalecem os laços de confiança interna e externa, gerando um looping de feedbacks positivos.

Nossas atitudes definem a forma como GERIMOS e DISTRIBUÍMOS AS RIQUEZAS que possuímos: nosso corpo em movimento, nosso conhecimento, nosso sentimento, nosso tempo e nossos recursos materiais. Por meio destas riquezas intervimos no mundo, nutrindo o que nos é caro. A prática consciente de analisar como esses “ativos” estão alocados e quais resultados (impactos) geram pode endereçar aprendizados que convidem o nosso olhar à análise e à compreensão mais profundas das nossas ESCOLHAS, RENÚNCIAS e OMISSÕES.

É neste instante de observação que uma janela de oportunidade para a transformação é aberta, pois, ao revisitarmos as nossas escolhas, renúncias e omissões, iluminamos as crenças, assim como os princípios e os valores os quais “servimos” e que, ao fim, definem quem somos no mundo. Importante notar que as consequências das nossas atitudes impactam diferentes relações da nossa existência: Eu-Comigo mesmo,  Eu-Nós (família, amigos, comunidade, sociedade) e Eu-Planeta (Natureza). Esse é o palco da Vida. É como conduzimos a nossa Vida e nos relacionamos com a Vida existente ao nosso redor.

O uso honesto e contínuo desta ferramenta pode ser poderoso na busca depor ressignificarmos quem somos. Para isso, é necessário um ato sustentado de vontade, que nos permita fazer novas escolhas, mais conscientes, assumindo um novo patamar de protagonismo na co-criação da nossa existência. A consequência da aplicação frequente deste exercício é o alinhamento crescente entre quem somos, o que fazemos e os resultados que geramos, refletido na nossa auto-realização, felicidade, saúde e capacidade de impactar o mundo.

No fundo, no fundo, é simples. “A Verdade tem na simplicidade a sua assinatura”. Basta estarmos disponíveis para ouvi-la. Vivemos um contexto que nos chama como espécie. Não é tempo de resistir, é tempo de transformar. SER mais, FAZER melhor, TER menos.

E você? Como você tem feito as suas escolhas? Como você tem gerido e distribuído as suas riquezas?

Como as cinco empresas mais rentáveis da B3 em 2019 estão apoiando o combate ao Coronavírus

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Businessman working with computer with coffee cup in the hotel room - people working lifestyle concept

Em tempos de pandemia, a união de diferentes setores para o combate ao Covid-19 nunca foi tão necessária. Empresas privadas e estatais têm amplo poder de impacto, principalmente por meio de institutos e fundações, conhecidos como pilar de investimento social privado – que, segundo o GIFE, é o repasse voluntário de recursos privados de forma planejada para projetos sociais, ambientais, culturais e científicos de interesse público.

Em 2019, os lucros das 5 empresas mais rentáveis da bolsa de valores brasileira (B3) somaram cerca de R$ 120 bilhões, sendo elas: Petrobras, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil. A lista ressalta o papel do setor bancário neste cenário turbulento, que, além de realizar mudanças na forma de operação para os clientes, também pode investir para apoiar setores que são essenciais na superação da crise, como o da saúde e ciência.

Confira quais ações as cinco empresas que mais lucraram na B3 (sigla para Brasil, Bolsa, Balcão), a bolsa de valores brasileira, em 2019, já fizeram para enfrentamento ao coronavírus. A ordem é baseada nos dados da consultoria especializada Economática:

  1. Petrobras:
    A empresa mais rentável da bolsa brasileira em 2019 está atuando nos pilares científico e de responsabilidade social para enfrentar a Covid-19. 
  • Científico: a Petrobras apoia a Coppe-UFRJ no desenvolvimento de protótipos de ventiladores pulmonares mecânicos, equipamentos importantes para pacientes em estado grave da doença. A empresa realocou três petaflops – equivalentes ao processamento de 3 milhões de laptops – para serem utilizados em estudos feitos pela Universidade de Stanford (Estados Unidos) na busca por vacinas e medicamentos no combate ao vírus. 
  • Responsabilidade social: foram doados cerca de 20 mil equipamentos de segurança e produtos de higiene para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), como óculos de segurança, luvas de laboratório, máscaras purificadoras de ar, frascos, álcool e detergente. Além disso, 600 mil testes para diagnóstico de Covid-19 devem ser entregues ao SUS (Sistema Único de Saúde) ainda em abril. Deste total, 400 mil serão destinados ao Ministério da Saúde e 200 mil à Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.  

Neste site, a empresa divulga as ações que está desenvolvendo em combate ao Coronavírus. 

2. Itaú Unibanco:
A instituição financeira, por meio da Fundação Itaú Social e Instituto Unibanco – pilares de investimento social privado -, anunciou investimentos de R$ 1 bilhão, no último dia 13, que estipula a criação de uma iniciativa chamada “Todos Pela Saúde”, onde o banco atuará para conscientizar a população sobre o uso de máscaras e testagem populacional – e para os profissionais da saúde. O montante soma-se aos R$ 250 milhões em iniciativas para contribuir com a melhoria da infraestrutura hospitalar do país e, também, na aquisição de equipamentos de saúde e kits de higiene e alimentos. Dentro deste valor, já foram destinados:

    • R$ 10 milhões à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para apoio na construção de hospital no RJ.
    • R$ 1,5 milhão para aumentar capacidade de hospital no M’boi Mirim (SP).
    • R$ 8,5 milhões para compra de respiradores.
    • R$ 200 mil para plataforma open source de ventilador mecânico.

Além disso, o banco também faz parte de uma ação conjunta entre o Bradesco e o Santander para doar cinco milhões de testes rápidos de detecção do coronavírus. Juntas, as instituições financeiras vão importar e doar os testes, além de equipamentos médicos, como tomógrafos e respiradores. As três organizações também anunciaram investimentos de R$ 16,5 milhões cada para a produção de máscaras

3. Bradesco:
Em parceria com o Itaú e o Santander, o banco Bradesco anunciou a doação de cinco milhões de testes rápidos de detecção do coronavírus, tomógrafos e respiradores, além de R$ 16,5 milhões para a produção de máscaras durante a pandemia.

4. Banco do Brasil:
Por meio da BB Seguros, a empresa doou R$ 40 milhões para o combate à Covid-19. De acordo com as informações divulgadas no site da instituição, este valor será gerido pela Fundação Banco do Brasil e destinado ao fornecimento de produtos de limpeza e higiene e alimentos para quem está no grupo de risco ou em situação de vulnerabilidade social em todas as regiões do Brasil. A FBB pretende expandir os benefícios para novos parceiros que estejam focados em projetos para o combate ao vírus. A campanha também incentiva a participação comunitária, solicitando doações pelo site

5. Santander BR:
A instituição financeira também faz parte da doação de cinco milhões de testes rápidos da Covid-19, tomógrafos e respiradores, e R$ 16,5 milhões para o desenvolvimento de máscaras, em conjunto com os bancos Bradesco e Itaú Unibanco. Além disso, mais de R$ 2,9 milhões já foram arrecadados até o dia 6 de abril pela edição especial do programa “Amigo de Valor” –  que mobiliza doações de funcionários do país. A campanha foi criada para apoiar entidades que estão atuando na linha de frente do enfrentamento ao novo coronavírus. A empresa também divulgou, em 23 de março, o compromisso de não iniciar processos de demissão de funcionários neste período, salvo em casos de justa causa ou de violação do Código de Ética da organização.

A seguir, interaja com a infografia “Valor de mercado e doação específica ao combate ao Covid-19 das cinco empresas mais lucrativas da B3“:

Uma rede de ações e solidariedade

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Campanha "Corona no paredão", do Gerando falcões. Créditos: Instagram Gerando Falcões.

O contexto mudou. As organizações e fundações que trabalham diariamente no ecossistema de impacto buscam formas novas de colaborar e, sobretudo, apoiar quem mais precisa quando a palavra crise deixa de ser um temor e passa a ser uma realidade.

É difícil mensurar a quantidade de iniciativas que têm sido realizadas para arrecadar doações e apoiar microempreendedores e instituições que passam por dificuldades, sejam elas financeiras, de gestão ou mesmo de manutenção de negócios.

O Sebrae começou a publicar um Boletim de Impactos da Covid-19 nos pequenos negócios, com dados baseados em pesquisas realizadas durante a pandemia. Na edição publicada no dia 3 de abril, a entidade identificou que, até a terceira semana de março, os empresários já haviam declarado queda de 64% no faturamento. O setor de Economia Criativa foi um dos mais afetados, com queda de 86%.

Diante deste contexto, mobilizações, redes e parcerias são necessárias. Confira algumas dessas ações que já estão fazendo a diferença:

A Fundação Tide Setubal ampliou a atuação nas periferias de São Paulo. O objetivo é arrecadar recursos para apoiar iniciativas periféricas brasileiras que tirem do papel soluções para enfrentar o novo Coronavírus por intermédio do Matchfunding Enfrente. A plataforma de financiamento coletivo destinará R$ 4 milhões para esses projetos. As iniciativas podem ser cadastradas no site e cada uma delas receberá até R$ 20.000 de match.

As ações da Sitawi – Finanças do Bem tem o objetivo de prover recursos de maneira simples e rápida para comunidades carentes durante a pandemia. A organização assumiu a gestão do Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil com o IDIS, Movimento Bem Maior e BSocial e do Movimento Noroeste Com Vida, que criou um Fundo Filantrópico de mesmo nome para o fortalecimento do Sistema Público de Saúde do Noroeste Paulista.

A Fundação Casas Bahia tem apoiado pequenos negócios e pessoas mais vulneráveis com a ação #FicaBem. O fundo pretende ajudar 1.200 mulheres microempreendedoras de regiões periféricas da Grande São Paulo e na Grande Rio de Janeiro. A Aliança Empreendedora, organização especializada em oferecer apoio a microempreendedores de baixa renda, irá selecionar as contempladas com a doação direta de R$500,00. Outra ação da Fundação é a doação de mobiliários e eletrodomésticos para equipar os alojamentos para os profissionais de saúde.

A Gerando Falcões, organização sem fins lucrativos que atua, sobretudo, nas favelas de São Paulo, está trabalhando por meio de uma rede de ONGs conveniadas, para envio de cestas básicas destinadas às famílias mais vulneráveis. Com o projeto “Vamos colocar o Corona no paredão”, pretende-se arrecadar um milhão de cestas básicas que serão distribuídas por meio dos líderes sociais. As famílias receberão um cartão habilitado para comprar alimentos e itens de higiene.

A ponteAponte, empresa que promove a justiça e a integração social, criou em seu site um mapeamento das arrecadações, campanhas e notícias sobre as periferias em todo o Brasil. O projeto #todoscontracorona mantém uma planilha, de consulta livre. A equipe faz uma curadoria que é focada em investimento social privado, impacto coletivo, iniciativas periféricas e cultura de doação.

O Desabafo Social é um laboratório de tecnologias sociais aplicadas à geração de renda, comunicação e educação. Neste período de pandemia, a organização apoia iniciativas da periferia do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA). Entre elas, estratégias de comunicação para prevenção do Covid-19; entregas de cestas básicas e itens de higiene para famílias, bem como apoio para pagamento de contas, psicológico e jurídico.

 

Legenda da capa: Campanha “Vamos colocar o Corona no paredão”, do Gerando falcões. Créditos: Instagram Gerando Falcões.

Do “faça você mesmo” a soluções inovadoras contra o Covid-19

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máscara face-shield - Projeto Hígia. Crédito: Projeto Hígia.

Desde que o mundo é mundo, a cultura do “faça você mesmo” continua provando que é possível fabricar, construir, reparar e alterar as soluções já existentes em nosso cotidiano. Com o advento da internet, o movimento ganha uma derivação maker culture – cultura maker, em tradução livre, ou a famosa frase “vai lá e faz” – onde novas tecnologias, como computadores, robôs e impressoras 3D dão suporte para produtos mais sofisticados, sustentáveis e com menor custo de produção.

No próprio ecossistema de impacto, ser um maker ou fazedor (em português) pode lhe endereçar ao caminho dos negócios de impacto. De acordo com a Aliança pelos Investimentos e Negócios de Impacto, se identifica um empreendimento de impacto iniciativas que buscam resolver um problema social e/ou ambiental e munidas de uma solução criativa, sustentável, colaborativa e escalável.

Em um contexto de pandemia, como a que vivemos com o novo Coronavírus (Covid-19), organizações, centros e núcleos de pesquisa se tornam makerspace – espaços de criação -, auxiliando no combate ao vírus e fornecendo novas ideias para suprir demandas alarmantes, como a falta de equipamentos em hospitais no país, segundo a Associação Médica Brasileira.

Trata-se de um empenho que envolve diversos atores e instituições da sociedade civil, com o objetivo de ajudar de alguma forma no combate ao Coronavírus, sejam soluções para quem está na linha de frente dos hospitais ou mesmo para o restante da população. Por exemplo, desde o dia 24 de março, 200 reeducandos(as) do sistema prisional do Estadão de São Paulo estão confeccionando máscaras descartáveis de proteção. A Secretaria da Administração Penitenciária adquiriu insumos para produção de 320 mil unidades dessas peças, que são feitas de TNT duplo e sob protocolo de entrada para garantir higienização das peças e segurança dos trabalhadores. As máscaras serão vendidas a preço de custo.

Uma unidade que integra a ação é a Penitenciária I de Tremembé (masculina). Créditos: Governo do Estado de São Paulo.

Alinhados no propósito e na colaboração
O open source (código aberto na tradução) é um dos aliados neste movimento global de produção de EPIs e outros materiais de uso hospitalar ao redor do mundo. É possível criar um modelo de máscara, por exemplo, disponibilizar o código e as instruções e permitir que pessoas do mundo todo repliquem, testem e aprimorem o modelo, para que outras tantas possam também fazer o mesmo e continuar o remix. É o que fez as redes da Prusa Printers, por exemplo, e também do Instituto Me Viro, de Brasília, com as máscaras face- shield. A organização brasileira é voltada à construção colaborativa de projetos, para aprendizagem de habilidades e tecnologias “faça-você-mesmo” (do it yourself ou, simplesmente, DIY).

Diante da pandemia, o Me Viro disponibilizou espaço, recursos e máquinas para o desenvolvimento de soluções que auxiliam tanto na proteção de profissionais da saúde quanto na aparelhagem necessária aos hospitais. São máquinas de corte a laser, impressão 3D e routers CNC em busca de soluções socioambientais para atender a urgência que é o Coronavírus. O modelo está disponibilizado para download, com vídeos explicativos no Youtube e no Instagram da organização. Vale ressaltar que estes protetores faciais podem ser higienizados e reutilizados. Esse modo, a comunidade de makers pode produzir em seus territórios as máscaras e direcioná-las aos hospitais das respectivas cidades. Na página oficial, do Me Viro é possível solicitar as máscaras, se você é um profissional da saúde, ou ainda ajudar com esforços de pesquisa, desenvolvimento, produção e distribuição dos equipamentos. É bem-vinda também a ajuda com doação financeira ou de materiais.

A parceria feita entre a Pivoart, o atelier de idéias Feito a Laser, Vitor Motomura e Alex Fisberg (estes dois últimos são membros da Maniê Consultoria para Impacto) é um dos braços dessa rede de makers voltados ao impacto social positivo e à produção das máscaras face-shield para proteção de agentes de saúde. Para financiar o projeto, que começou com recursos dos próprios envolvidos para produção, foi aberta uma campanha no Benfeitoria. A prioridade da distribuição são hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBS) que podem se inscrever preenchendo este formulário. E as primeiras 500 máscaras já tiveram destino: o Hospital São Paulo.

A iniciativa parte de dois pontos urgentes para muitos brasileiros: o medo de quebrar (tanto a Pivoart quanto o Feito a Laser são pequenos negócios) neste momento de isolamento social e projeção de acentuada crise socioeconômica e também a vontade de ajudar. Entram também nesta soma: a necessidade de um fluxo de caixa para a produção das máscaras e a falta de verba dos hospitais aliada à burocracia.  “A idéia foi captar dinheiro pelo crowdfunding e falar com várias empresas, para que possam auxiliar na distribuição aos hospitais, ao menos”, explica Fisberg.  O custo médio de cada máscara é de R$25,00, com material e mão de obra. Enquanto as duas empresas de arte cuidam da produção das máscaras, Fisberg e Motomura fazem a captação, o contato com os hospitais, a distribuição e a logística.

A demanda é grande e as máquinas não param: por dia são feitas entre 300 e 400 máscaras. Com recurso e material disponíveis, é possível ajudar também outros makers e parceiros com laser disponíveis e que estão na rede. “Caso as nossas máquinas não dêem conta da produção, a intenção é captar recursos para apoiar outras pessoas que estão produzindo as máscaras, comprando delas e doando para quem precisa”, explicam na chamada de financiamento coletivo. A articulação e a transparência estão também na prestação de contas: foi feita a parceria com o Instituto Sincronicidade, que será o proponente responsável por receber o dinheiro do financiamento, comprar os materiais e contratar a Pivoart e o Feito a Laser.

O projeto social Hígia é mais um exemplo do trabalho coletivo unindo sociedade civil e pesquisa. Seu corpo de mais de 500 colaboradores espalhados pelo Brasil também produz protetores faciais por impressão 3D. Estes protetores de rosto e pescoço são doados às instituições de saúde e servem como um complemento à proteção para estes profissionais.  O projeto foi idealizado pelo grupo Women in 3D Printing Brazil e conta com o apoio de INCT-BIOFABRIS (Unicamp), CTI Renato Archer, corpo clínico do Hospital São Paulo e Hospital das Clinicas de São Paulo, além de organizações da sociedade civil, como o CoronaTrack. Estes parceiros realizaram as orientações e a validação do produto.

O valor estipulado por máscara é R$10,00, mas a intenção não é comercial. “Estamos fazendo os protetores faciais como uma doação, pela equipe voluntária. Estamos em busca de doações para alcançar o objetivo e entregar os protetores no maior número possível”, explica Natacha Harumi Ota, terapeuta ocupacional.  Para montar o aparato de biossegurança para evitar o alto risco de contaminação, o projeto Hígia conta com uma equipe multidisciplinar, que alia profissionais das áreas de saúde, do Design e da Engenharia. “Antes da criatividade, precisamos entender a demanda existente, conhecer as necessidades da sociedade. O foco foi otimizar o projeto para que ficasse eficiente, rápido de produzir, econômico e acessível. Assim, é possível oferecer um serviço de qualidade, onde podemos atender o foco do problema com segurança e eficiência, além de validação”, completa Mayra Vasques, cirurgiã-dentista

 

Universidades engajadas
Uma parceria entre as instituições Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), através de seus pesquisadores, foi possível criar um novo teste para detectar a COVID-19, mais rápido (em cinco minutos o resultado) e barato (custando até R$ 45). O novo exame, ainda em processo de aprovação, usa amostras sanguíneas para atestar positivo ou negativo para o vírus, o teste tradicional – e usado em vários países, inclusive no Brasil – coleta secreções do nariz e boca e é importado do Japão, o que eleva seu custo e tempo de entrega.

Na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), o “Inspire” é a iniciativa desenvolvida para atender as futuras necessidades por respiradores pulmonar. Para uso de emergência, a solução é 15 vezes mais barato – cerca de R$ 1 mil – e em duas horas é montado. Inteiro com peças nacionais e controlado por um software aberto (open source), o ventilador segue em teste, em laboratório, antes de seguir para os hospitais públicos utilizar em pacientes.

Em São Carlos, interior de São Paulo, o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) doou à Santa Casa da Misericórdia de São Carlos rodos com radiação ultravioleta para a descontaminação dos pisos do hospital, o equipamento foi desenvolvido pelo Grupo de Óptica do IFSC. Também, a mesma solução é estudada para descontaminar por completo órgãos humanos para transplante, em conjunto com a Universidade de Toronto, no Canadá.

Respirador desenvolvido pela UFSM. Créditos: divulgação UFSM.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul também tem se destacado na produção de EPIs para abastecer os hospitais da região. Para cumprir este objetivo foi criada a Frente de Impressão 3D, liderada pelo professor Lucas Bellinaso, docente do curso de Engenharia Elétrica. As máscaras são impressas e montadas para proteger da face ao pescoço de profissionais da saúde. Mais de 150 protetores faciais já foram distribuídos ao Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) e também outras unidades de saúde e forças de segurança em Santa Maria. Um trabalho todo feito em equipe: a montagem final da máscara fica por conta da Gerência de Ensino e Pesquisa do HUSM e a distribuição é feita pela Polícia Civil. Para solicitar os protetores faciais, clique aqui.

O grupo gaúcho ainda desenvolveu um molde para injeção de plástico, em um trabalho feito junto ao Colégio Evangélico Panambi. A previsão é que, a partir de abril, 4.800 protetores sejam fabricados diariamente. Uma maneira de suprir materiais hospitalares indisponíveis no mercado, devido à grande procura. O HUSM ainda está desenvolvendo uma solução para reposição de peças dos respiradores que estejam indisponíveis no mercado e também uma proteção para sejam seguramente intubados pacientes com Covid-19.

A Universidade também se mobiliza para o reparo de respiradores artificiais, diante das necessidades do combate ao Coronavírus nos hospitais. Professores do Centro de Tecnologia da UFSM e médicos da cidade se uniram para recuperar, adaptar e desenvolver novos respiradores para as equipes de saúde – tudo a baixo custo. 

Para continuar o presente e fortalecer o futuro 
Na luta contra a epidemia no Brasil, pesquisadores e pesquisadoras vêm sendo agentes importantes para iniciativas com impacto positivo no país. Por outro lado, ainda há necessidade de insumos – recursos financeiros – para ampliar e aprimorar seus estudos. É o caso do Programa USP Vida, fundo de apoio a universidade paulistana, voltado para pessoas (físicas e jurídicas) que tenham interesse em fazer contribuições diretamente para as pesquisas desenvolvidas pela instituição, como vacinas e equipamentos.

Buscar soluções com impacto social positivo é urgente, sobretudo em tempos de pandemia. E, neste momento, destaca-se a importância de parcerias, transdisciplinaridades para encarar os problemas e também a  união da sociedade civil com organizações e núcleos de pesquisas voltados aos desafios impostos pelo Covid-19. Seguir as medidas de isolamento social e higiene é um dever de todos. E se der para mobilizar parceiros, práticas sustentáveis, inovação social, tecnologia e total conexão com a realidade do entorno, melhor ainda.  

DIY: faça sua própria máscara, seguindo orientações do Ministério da Saúde

 

 

*Com colaboração de Fernanda Patrocínio.

A articulação dos fundos diante do Coronavírus

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Devido à situação global ocasionada pelo Covid-19, tendo como consequência medidas de restrição de circulação e do comércio, muitos empreendedores têm sofrido com a falta de recursos. A situação se agrava diante das projeções econômicas de curto a longo prazos: eles se veem desprovidos para manter os seus negócios ou até mesmo os gastos pessoais básicos.

Iniciativas para apoiar pequenos e micro empreendedores, principalmente diante de um contexto pandêmico e com projeção de forte recessão econômica, têm encontrado forças em parcerias. E também nas articulações de atores do ecossistema de impacto voltados a construir junto aos empresários periféricos. Com o objetivo de arrecadar um fundos para apoiar estes negócios, o Empreende Aí, escola de negócios da periferia para a periferia, juntamente a Firgun, plataforma de empréstimo coletivo e o Impact Hub, organização conectada a uma rede global de empreendedores, se uniram e pretendem arrecadar R$500 mil no Fundo Periferia Empreendedora. O valor será destinado a 200 pessoas diretamente prejudicadas pela crise em todo o País.

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ATENÇÃO, ATENÇÃO!!! Em um esforço para garantir tranquilidade aos empreendedores da nossa rede, nós da Empreende Aí, junto aos parceiros @firgunbrasil e @impacthubsp estamos liderando UM FUNDO para suprir as emergências financeiras dos Empreendedores. O Fundo de Urgência COVID-19 tem o objetivo de apoiar empreendedores das periferias com acesso a microcrédito nesse difícil momento. Os pequenos empreendedores serão os mais impactados e enfrentarão dificuldades de caixa para manter seus negócios e seu sustento. Empresas, Institutos e Fundações podem realizar doações a partir de R$30 mil. Empreendedores poderão tomar empréstimos a partir de R$500 com carência de até 120 dias e juros de 1% ao mês. O valor devolvido será investido em atividades de fortalecimento de negócios periféricos lideradas pelas organizações. Assim as doações terão um poder de impacto duplo. Para fazer seu empréstimo cadastre-se no formulário: https://bit.ly/Fundo-COVID19 (link na Bio). Vamos nos fortalecer em rede, trazer esperança para quem mais precisa e faz nossa economia girar!

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A linha de crédito especial será de R$ 3 mil, terá carência de pagamento de 120 dias e taxa de juro mensal de 1%.  Microempreendedores de todo o Brasil, que atuam nas periferias das cidades e mantém pequenos e micro-negócios, poderão participar da seleção.

Doações
A Fundação Casas Bahia foi a primeira interessada em participar do fundo, que será constituído por doações de empresas, institutos, fundações e ONGs. A cota mínima para integrar o fundo é de R$ 30 mil e as empresas podem ter isenção fiscal de 2%. 

“O crédito servirá para ajudar na sobrevivência dos apoiados, seja para pagar o aluguel do local de trabalho, da própria casa ou até mesmo o sustento da família”, explica Luis Coelho, sócio fundador do Empreende Aí. Ele ainda salientou que os critérios para seleção serão: a dificuldade de acesso a linhas de crédito em bancos tradicionais e o faturamento dos últimos meses. Após os pagamentos dos créditos concedidos, os recursos serão revertidos para apoiar novos empreendedores.

O Empreende Aí está liderando a iniciativa e é responsável pela organização do fundo, da articulação dos empreendedores e da rede de doadores. A Firgun participa com o seu know how na área de análise de risco, liberação de recursos e cobrança. Já o Impact Hub atua no levantamento de recursos. 

“Temos um histórico de parceria com a Empreende Aí e neste momento, muito crítico para a sociedade em geral, especialmente comunidades mais carentes, nós fazemos questão de ajudar para que os empreendedores sejam impactados o menos possível e possam seguir com seus negócios”, afirma Hélio Muniz, Diretor de Comunicação Corporativa e Relações Institucionais da Fundação Casas Bahia.

Para participar da seleção e receber o empréstimo, basta acessar o link e preencher o formulário. Cada participante receberá um e-mail de confirmação com as informações necessárias para continuar participando do processo, que será feito pela equipe do Empreende Aí, a partir dos critérios descritos acima.

Mais iniciativas 
O Gastronomia Periférica, liderado por Adélia Rodrigues e Edson Leitte, também segue na escuta e na ação para amenizar os efeitos socioeconômicos do Covid-19 nas periferias. E as conseqüências também estão relacionadas à possibilidade de comer e se higienizar de forma adequada. Pensando nestes pontos, a organização criou o Fundo para Necessidades Básicas, para o atendimento de organizações e ocupações parceiras. Os recursos arrecadados serão convertidos em alimentos e produtos de higiene básica para famílias em situação de vulnerabilidade social residentes nas periferias paulistanas.

A Coalizão ÉDITODOS, por sua vez, lançou o Fundo Emergências Econômicas no último dia 31 de março com o objetivo de arrecadar R$ 1 milhão até o final de abril para apoiar 500 empreendedores, tendo como foco os nanos e micros.

A estratégia montada é a seguinte: os recursos captados  com empresas privadas serão doados aos empreendedores, sobretudo, jovens e mulheres moradoras da periferia. Com o dinheiro, estas pessoas beneficiadas poderão pagar contas emergenciais – uma tentativa para manter os negócios destes empreendedores em pé durante este contexto pandêmico.  Três grandes empresas já deram apoio financeiro: Itaú Unibanco, Instituto C&A e Assaí Atacadista. Os que se interessarem em doar, podem mandar um e-mail para: contato@editodos.com.br.

Vale destacar também, que a coalizão também vem realizando um trabalho de escuta, para entender as necessidades do público-alvo no atual contexto. A pergunta é direta: “O que os empreendedores e suas redes precisam neste momento delicado?” Usando o conjunto de respostas, a intenção da organização é criar estratégias para reduzir os impactos negativos advindos da queda da atividade econômica.  

A Coalizão ÉDITODOS foi criada em 2017 e é encabeçada por seis organizações do ecossistema de impacto: Afrobusiness, Feira Preta, FA.VELA, Agência Solano Trindade, Instituto Afrolatinas e Vale do Dendê.

Coronavírus: o empreendedorismo nas periferias precisa de apoio

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Nós, mulheres da periferia, sempre tivemos muito senso crítico ao olhar para o empreendedorismo que acontece nas periferias, evitando certo romantismo que, não raro, domina as narrativas midiáticas. Tudo isso porque, muitas vezes, esse fenômeno revela que, à população periférica, não são dadas opções que não sejam o trabalho informal, o ‘jeitinho brasileiro’, o se virar na medida do possível com as poucas opções que se têm. E também que as oportunidades continuam não sendo iguais para aqueles que se lançam no mundo dos negócios, para afirmarmos que no mercado a competição é justa.

Em uma situação como a que estamos vivendo agora, com a pandemia do Covid-19, refletimos qual é a real situação de empreendedores e empreendedoras das periferias, e quais serão as suas principais dificuldades. Em um contexto onde mais de 38 milhões de pessoas vivem de trabalho informal no Brasil, consideramos que a maioria não se trata de um empreendedorismo por escolha, mas, sim, por necessidade de sobrevivência.

Em situações ideais, os negócios deveriam ter planejamento e estratégia, criando reservas para poder passar por momentos de crise e de recessão. A quarentena necessária do Coronavírus, provavelmente, pegou desprevenida grande parte dos pequenos empresários, comerciantes, autônomos, dentre outros prestadores de serviço. E, quando o pouco se tem é totalmente investido para a manutenção dos negócios no momento presente, como lidar com condições que interrompem compulsoriamente o andamento do trabalho?

Iniciativas de suporte financeiro por parte do governo, além de possíveis linhas especiais – e justas – de crédito, são alternativas fundamentais para resguardar a população periférica como um todo, na qual se incluem uma gama de trabalhadores que vivem de seus próprios empreendimentos.

O projeto de renda mínima aos mais desassistidos, política pública que deveria ser permanente, independentemente das condições advindas da pandemia, é o começo para uma estrutura de bem-estar social que o Estado deve garantir aos seus cidadãos e que pode dar sobrevida a muitos negócios periféricos que estão paralisados nesse momento. Em um chão comum a todos, poderemos, enfim, semear com esperança: para colhermos novos frutos, após essa fase difícil passar.

 

A força feminina no ecossistema de impacto

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Cada vez mais, as mulheres têm ganhado poder de fala na sociedade. Mas essa luta por espaço não é fácil: é preciso coragem para todos os dias se fazer ser ouvida em um país ainda muito desigual e violento. 16 milhões de mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de agressão em 2018, segundo o relatório mais recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A maioria das ocorrências acontece onde, teoricamente, estamos mais seguras: dentro de casa.

É também em casa que as desigualdades ficam muito evidentes. A pesquisa “A inserção da mulher no mercado de trabalho”, desenvolvida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),  revela que 95% das brasileiras gastam mais tempo com tarefas domésticas do que os homens. E a taxa de desemprego é maior entre elas. Muitas mulheres têm uma dupla jornada cansativa, alternando entre os afazeres em casa e o trabalho formal. Nas empresas, mais desafios de gênero: em média, elas ganham 22% menos do que os homens. Essa é a realidade de um país que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem mais brasileiras com Ensino Superior completo em relação a homens acima de 25 anos.

Durante o mês de março, entre os dias 1 e 23*, você pôde acompanhar histórias e relatos de diferentes mulheres líderes de suas organizações e negócios em nossas redes sociais, no especial #AupaMulheres. Além da dupla, às vezes, até mesmo tripla jornada, há o machismo reverberado em diferentes espaços do mundo do trabalho, como a diferença salarial e a possibilidade de ascensão ou de ocupar um cargo de liderança, dentre outras violências. A seguir, você conhecerá histórias de mulheres à frente de diferentes iniciativas e que almejam, dentre os pontos em comum, impacto social positivo.

Racismo e escolaridade: dificuldades para mulheres negras
Quando tentamos encontrar mulheres líderes no mercado de trabalho, os obstáculos aumentam. O estudo “Panorama mulher”, desenvolvido pelo Insper , feito com mais de 500 empresas no Brasil, mostra que ainda falta muito para alcançarmos a igualdade: em média, apenas 19% das mulheres ocupavam cargos de chefia no ano passado, como presidência, vice-presidência e diretorias. E quase todas eram brancas. Nas empresas presididas por mulheres, havia apenas uma negra. Nenhuma parda, amarela ou indígena.

“Enquanto mulher negra, eu sinto falta de representatividade em todos os lugares. A dificuldade que nós temos para ter igualdade no mercado de trabalho é o racismo. No começo da minha carreira, sempre se referiram a mim como: a menina da torta, do lanche, e sempre se surpreendiam. Nossa, é uma torta de cogumelos! Não era muito compatível com a imagem que estavam vendo ali, de uma mulher negra, então era sempre questionado: mas quem fez?”, lembra Priscila Novaes, proprietária e chef do afrobuffet Kitanda das Minas.  O empreendimento de impacto social tem cinco mulheres e dois homens na equipe fixa, incluindo os pais de Priscila, além de 20 mulheres freelancers.

Priscila diz que outro desafio por ser mulher negra é a escolaridade e a dificuldade para se locomover de casa, no extremo Leste de São Paulo, até o curso técnico. Por conta disso, ela precisou refazer um semestre e levou mais tempo para terminar as aulas.

“Isso sempre vai aparecer como despreparo, falta de responsabilidade, como uma pessoa menos inteligente. Na verdade, é falta de estrutura, de base, de incentivo”, explica Priscila.

Kitanda das Minas

Com apoio do Instituto Mulheres de Orì, a Kitanda das Minas é parceira em um curso voltado para mulheres negras que pretendem entrar no mercado de trabalho gastronômico ou ter o próprio negócio. O projeto, que recebe financiamento da Fundação Tide Setubal, oferece formação política, empreendedora e gastronômica. “É uma formação com foco para que essa mulher se veja nesse lugar de chef. Muitas mulheres negras não têm autoestima suficientemente construída para que se enxerguem como chef da sua própria cozinha, para que possam se intitular como cozinheiras”, afirma Priscila.

A baixa autoestima entre mulheres trans

A falta de confiança em um mercado sem representatividade também é uma realidade entre as mulheres transsexuais. Em São Paulo, o Coletivo Trans Sol  tenta mudar esse cenário. O projeto foi criado em 2016 pelas amigas Priscila Nunes e Mavica Morales, dentro da Incubadora Pública de Empreendimentos Econômicos Solidários, e já atendeu 30 pessoas. Junto com um professor de moda e um costureiro, o Coletivo oferece aulas de costura e bonecaria para que mulheres trans possam aprender a criar roupas agênero, como kimonos e shorts, como uma alternativa para evitar a prostituição.

Coletivo Trans Sol

Mas foi preciso conversar com as alunas para explicar que elas poderiam estar nos espaços da cidade para vender as peças. “No primeiro evento que fizemos, um leilão dos kimonos que elas criaram, só uma aluna foi. Elas não se sentiam no direito de estar naquele espaço. Demorou mais de um ano para que as alunas entendessem que tinham direito de ocupar os espaços e começar uma socialização”, conta Priscila.

O Coletivo tem apoio da Fundação Banco do Brasil, do Instituto C&A, do Mackenzie e da confecção Güle Güle, com estampas, maquinário e um curso para que as mulheres trans também possam aprender como é a parte financeira de um negócio. O grupo já esteve na Casa 1 e hoje aluga um espaço em um coworking no bairro do Bixiga. A convivência com pessoas que não são trans foi outro passo importante para que as mulheres atendidas pelo projeto se sentissem incluídas na sociedade. “É um espaço majoritariamente hétero e cisgênero, com muitos homens, e lá elas puderam ter um lugar de convivência, respeito e segurança, almoçando juntas e conversando. Isso faz diferença na autoestima e promove troca de conhecimento”, afirma Priscila.

As peças são vendidas em feiras pelas alunas trans como a Roberta, que participou do curso de costura logo no início do projeto e hoje consegue trabalhar em casa. Mas esse caminho não foi fácil. Ela sempre sonhou em criar roupas, chegou a fazer aulas em 2011 em uma escola, mas por falta de dinheiro deixou a costura de lado e passou a trabalhar nas ruas. Foi depois de conhecer o Coletivo que tudo mudou. A autoestima melhorou e Roberta voltou a acreditar nos sonhos. “O Coletivo me fez sentir que tinha capacidade de tomar um outro rumo na vida. Me apoiou e me deu força para sair das ruas. Decidi voltar a estudar e futuramente fazer faculdade de moda, que eu sempre quis desde criança”, diz Roberta.

Ame o Tucunduba

As jovens e a luta para mostrar conhecimento
Entre mulheres jovens, além da questão de gênero, uma das principais dificuldades no trabalho é o preconceito com a idade. “Eu percebia que só prestavam atenção em mim depois que eu dava as cartadas: sou oceanógrafa, conheço isso… Até então, as pessoas nem olhavam para incentivar a minha fala. Então, eu me fazia ser ouvida, como a gente tem que fazer toda vez”, afirma Micaela Valentim, que tem 24 anos e é presidente do projeto Ame o Tucunduba, em Belém. Junto com outras seis jovens mulheres, o grupo atua para conscientizar a população sobre a importância do rio Tucunduba, que faz parte da segunda maior bacia hidrográfica da cidade e passa por cinco bairros, quatro deles periféricos.

Em alguns pontos da margem do rio, o descarte de lixo é comum e a população sofre com a falta de saneamento básico. O “Ranking do saneamento”, do Instituto Trata Brasil,  apontou que somente 12,99% do esgoto de Belém é coletado. Problemas que só reforçam a importância da preservação de rios como o Tucunduba. Mas o grupo de mulheres alega que tem dificuldade de dialogar com o poder público. “Participamos de audiências públicas, do plano diretor e de reuniões para falar da macrodrenagem do rio Tucunduba. Mas, efetivamente, nunca tivemos a chance de chegar a propor soluções diretamente”, explica Mariana Guimarães, diretora de comunicação do projeto.

As jovens que trabalham no grupo são das áreas de oceanografia, geologia, comunicação e arquitetura. Uma das linhas de atuação delas é tentar entender melhor o projeto de macrodrenagem do Tucunduba, que acontece há cerca de 20 anos, não está disponível para consulta pública e já desapropriou centenas de famílias. Mas o trabalho principal é educar a população com expedições pelas margens do rio, da nascente à foz.

Outra iniciativa é o Fala Tucunduba, um curso de gestão participativa de bacias hidrográficas criado por elas, com apoio da Brazil Foundation e do Museu Paraense Emílio Goeldi, para oferecer aulas gratuitas a jovens da periferia sobre a dinâmica do rio. Micaela ressalta que a união entre as mulheres do projeto é fundamental para conseguir colocar em prática tantas atividades. “Tem mulheres que precisam cuidar da casa, outras que são mais livres e não têm tanto essa obrigação familiar. Então, ter um grupo de mulheres à frente nos deu essa liberdade para conseguirmos colocar o nosso melhor e levantar umas às outras”, conta Micaela.

Iniciativas para impulsionar negócios criados por mulheres
A Organização das Nações Unidas estabeleceu em 2010 uma série de princípios para o empoderamento das mulheres, que hoje são adotados por mais de 240 empreendimentos no Brasil. A igualdade de gênero  também é um dos objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pela ONU na Agenda 2030.

No Brasil, pequenas empreendedoras podem contar com o apoio de programas para impulsionar os negócios. Um deles é o Mulheres com Propósito, lançado em 2016 e desenvolvido pela FUNDES – consultoria que atua no fortalecimento de micro, pequenas e médias empresas na América Latina, junto com a PepsiCo. Por meio de uma plataforma online gratuita, mulheres que têm o próprio negócio podem fazer uma capacitação em gestão empresarial, desenvolver habilidades de liderança e conversar com uma rede de especialistas na área de interesse de cada aluna.

Empreendedoras também podem buscar apoio do Projeto ALI do Sebrae. O programa ajuda a impulsionar pequenos negócios inovadores no mercado e, apesar de não ser exclusivo para mulheres, a participação feminina tem crescido. Jacqueline Komura é uma das agentes do projeto que atende as empresas na região do Alto Tietê, em São Paulo, e diz que o número de mulheres subiu de 34% para 43%.

Mulheres no mundo corporativo

Nesse trabalho, ela percebeu que existem muitos obstáculos que ainda precisam ser superados, como a sensação de solidão, de não ter com quem falar para tomar decisões estratégicas, e a dificuldade de acesso ao crédito, com taxas desiguais entre homens e mulheres. Barreiras que muitas vezes impedem negócios femininos de crescerem. A pesquisa “Empreendedorismo no Brasil: um recorte de gênero nos negócios”, da Rede Mulher Empreendedora,  revela que apenas 34% das empresárias se sentem capazes de planejar o negócio, contra 50% dos homens.

Os obstáculos são perceptíveis também àquelas mulheres que alcançam cargos de liderança. E isso incluem também o ambiente de trabalho dentro do ecossistema de impacto. “Um dos maiores desafios que enfrentei, quando iniciei minha carreira com investimentos para negócios de impacto, foi ter ‘uma cara de menina’, segundo alegavam”, confessa Deborah Lilienfeld, diretora de sustentabilidade do Winds for Future. Um exemplo a transversalidade do machismo, com reflexos no ambiente corporativo.

Jacqueline acredita que o mercado precisa aprender a ouvir mais os interesses das mulheres para que o trabalho delas seja mais valorizado e respeitado. “No último mês de março, eu vi uma série de ações de empresas, órgãos e repartições para discutir a questão da mulher. E o que eu vejo ainda é que tem um estigma muito grande do que é o que a mulher gosta, do que ela precisa. Conecte pessoas que sejam interessantes e que as mulheres têm mais dificuldades de acessar”, afirma ela.

* O especial #AupaMulheres foi interrompido no dia 23 de março, devido às consequências e ao foco na cobertura do Coronavírus.
** Créditos das fotos: Reprodução.

Sistema B e Coronavírus: o case da Natura e as ações da rede

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Um dos métodos para evitar e combater o Coronavírus é a higiene. Preservar os ambientes limpos, lavar as mãos com sabão de forma adequada e também fazer a assepsia das mãos usando álcool em gel.  Aliás, álcool, tanto em sua versão líquida quanto na em gel, é um dos itens mais procurados neste contexto pandêmico. Muito exigido no cotidiano das pessoas e também na área da Saúde, sendo um material básico para seus profissionais, o álcool está em escassez nas prateleiras de supermercados, farmácias e demais comércios, devido à forte procura movida pela necessidade do momento de todos e também pelo consumo exagerado (ou ainda egoísta) de alguns.

E como os atores do ecossistema poderiam ajudar nesta situação? A resposta pode vir da responsabilidade social e da possibilidade de deslocar esforços para um único produto. A Natura &Co América Latina (grupo que reúne Avon, Natura, The Body Shop e Aesop na região), empresa que registrou receita líquida de R$13,4 bilhões, em 2018, é um destes casos.

A Natura, vale lembrar, é a maior empresa que faz parte do grupo certificado pelo Sistema B e fez da demanda um processo de ação. A parceria do grupo com a São Martinho, empresa do setor sucroenergético, irá processar e envasar 15 mil quilos de álcool gel e 50 mil litros de álcool em solução 70% para serem doados à Secretaria de Saúde de São Paulo. Serão doados, assim, frascos de 750 ml para uso dos postos de saúde (Unidades Básicas de Saúde) de todo o Estado de São Paulo. Serão doadas também 2,8 milhões unidades de sabonetes, em barra e líquido, para comunidades carentes ao redor das operações da Natura na América Latina.

 

Interdependência-20
Aliar lucro, preocupação socioambiental, impacto social positivo e benefícios faz parte das características do grupo que compõe o Sistema B. “Nunca, como indivíduos e como equipe, passamos por um momento tão intenso no Sistema B. Trata-se de um momento sensível da nossa sociedade. Mais do que nunca, é hora de colaborarmos, mostrando a nossa resiliência e também a nossa interdependência”, comenta Francine Lemos, diretora executiva do Sistema B Brasil, na apresentação da Plataforma Interdependência-20.

A plataforma surgiu como uma ação da própria rede diante do novo contexto que vivemos em virtude do Coronavírus. Trata-se de um espaço para reunir informações, posicionamentos do movimento B (Brasil e global) e também boas práticas adotadas pelas empresas da rede. Há quatro eixos principais onde as empresas certificadas podem compartilhar suas experiências: políticas e práticas de empresas B para lidar com a crise, o que as empresas B estão fazendo pela sociedade, como as empresas B podem se ajudar e também webinars para trocas entre a rede B global. São os primeiros movimentos para se pensar o futuro e as ações em busca de impacto social positivo, benefícios e lucro  – para uma sociedade menos desigual.

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